Capítulo 73
— Onde ele está? — eu perguntei para as enfermeiras no hospital, mas claro, todas me olharam como se eu fosse maluca. Eu olhei em volta freneticamente, meu cabelo chicoteando de um lado para o outro, tentando achar o Jones. Meus nervos estavam em total parafuso e eu podia sentir que estava perdendo todo o autocontrole que me restava.
— Casey, calma; vai ficar tudo bem — a mão da minha mãe pousou no meu ombro e meu pai veio apertar meus braços para dar apoio. Penélope parecia aterrorizada, mas passou a mão nas minhas costas. Eu fechei os olhos e tentei tirar algum tipo de conforto das palavras da minha mãe.
— Casey? — ouvi uma voz de criança me chamar baixinho e me virei para encarar o menino de 4 anos, uma pontada de alívio preenchendo meus ossos, mas não foi o suficiente para acalmar minha consciência. Eu tentei me controlar para ter certeza de que não ia pulverizar o garoto de preocupação.
— Pio — minhas mãos se estenderam para abraçar o garotinho enquanto eu me agachava antes de segurá-lo à distância.
— Pio, onde está seu pai? — eu perguntei a ele séria, seus olhos estavam cheios de lágrimas e me partiu o coração vê-lo assim. Ele apontou um dedo trêmulo para um canto onde eu podia ver as costas curvadas de Jerry com a cabeça nas mãos. Eu peguei Pio nos braços e me levantei mais uma vez. Corri para onde Jerry e Cali estavam sentados com meus pais. Penélope veio atrás de mim.
— Jerry, como ele está? — eu nem queria enrolar agora. Jerry levantou a cabeça, tirando as mãos dela e nos encarou com um olhar vazio.
— Casey — ele me cumprimentou e seu queixo tremia com a força que ele estava fazendo para segurar as lágrimas. Ele se levantou e me abraçou, e os outros logo se juntaram.
— Os médicos disseram que ele ia ficar bem, mas não tenho certeza, Case. Ele está passando por uma cirurgia e não sei o que fazer. Perdi minha esposa e agora meus filhos estão trancados em um hospital. Eu falhei em ser pai — ele soluçou e eu o abracei de novo.
A culpa do caso de Preston foi minha, não de Jerry. Ele não deveria se sentir mal porque não era um pai ruim. Eu que coloquei todos eles nessa bagunça. Todos nós sentamos ali, o silêncio nos envolvendo e até as crianças entenderam que não era hora de brincar.
— Ele foi atropelado — a voz de Jerry cortou de repente o silêncio, fazendo eu encará-lo. — Adam, a polícia o encontrou carregando uma sacola plástica que continha uma caixa de leite. Ele já estava inconsciente e a câmera de segurança próxima mostrou que ele foi atropelado.
Tive que tapar a boca para impedir que os soluços escapassem enquanto lágrimas escorriam dos meus olhos. De repente, ouvimos a voz de um homem chamar Jerry e todos nós nos levantamos ao mesmo tempo com Pio em meus braços e Cali nos braços de Jerry.
— A operação foi um sucesso e o paciente está estável no momento — todos nós respiramos aliviados.
— Há, no entanto, uma grande possibilidade de que ele sofra de amnésia. Quando o acidente aconteceu, ele levou algumas pancadas na cabeça, uma pelo impacto da batida e outra quando ele caiu inconsciente — o médico explicou e minha respiração falhou na garganta.
A ideia de Adam não me reconhecer era demais e eu não podia suportar isso. Era doloroso demais. Isso era demais. Me senti sobrecarregada e meu corpo balançou ligeiramente, fazendo com que eu me agarrasse aos meus pais para ter estabilidade. Eles me olharam preocupados e eu forcei um sorriso para não preocupá-los, embora fosse óbvio que eu não estava bem.
— Podemos vê-lo, doutor? — eu virei a atenção para o homem de jaleco branco e ele assentiu.
— Ele está inconsciente e ainda está descansando, mas você pode vê-lo — ele disse e se virou para cuidar dos outros pacientes que precisavam de sua ajuda.
Jerry e as crianças eram sua família, então eles foram primeiro, enquanto o resto de nós voltou para nossos assentos. Eu estava mexendo na barra da minha camisa quando me lembrei que um certo Jones estava internado naquele exato hospital. Minha mão voou para a testa para dar um tapa em mim mesma e pulei para os meus pés, apenas para ser puxada de volta pela minha mãe.
— Onde você vai, Case?
Eu olhei para ela com um olhar suplicante. — Preciso ir falar com Preston, mãe. Por favor, me ligue se Jerry e as crianças voltarem — eu disse a ela e ela tinha um olhar solene no rosto, mas deixou minha mão ir.
Antes que eu pudesse ficar em pé, sua voz me interrompeu.
— Case... — Ela hesitou e eu sabia o que ela ia dizer antes que ela dissesse em voz alta para mim.
— Eu sei, mãe, e dói saber que ele possivelmente não se lembre de mim. Meu coração dói sempre que me lembro do que o médico disse, mas tudo o que podemos fazer agora é orar para que Deus nos ajude —
Eu não sabia mais o que dizer, então me levantei e deixei meus pais e Penny com olhares preocupados. Eu caminhei para a administração para obter algumas informações sobre o paradeiro de Preston. Eu precisava falar com alguém e ele provavelmente era o único que poderia me ajudar; não importa o quão idiota ele fosse comigo, eu sabia que ele se importava com o irmão tanto quanto eu.