Capítulo 169
"O céu tava exatamente como na noite que você me chamou pra sair pela primeira vez", eu falei pro Adam enquanto me mexia do lado dele pra conseguir ver melhor o céu.
"Queria tanto lembrar como era", o Adam murmurou com um suspiro, enquanto a gente continuava olhando pro céu limpo.
"Não esquenta, a segunda vez foi bem mais mágica." Eu divaguei, fazendo o Adam rir.
Eu fiquei encarando o céu, vendo uma estrela em particular piscar. Deixei a memória de quando me apaixonei pelo Adam rolar de novo.
"Adam, não era pra gente encontrar seu pai e as crianças?" Eu olhei pros lados, confusa.
Esse idiota me pegou à noite porque o Jerry queria jantar junto e esse idiota pode ter se perdido no caminho pro restaurante.
O Adam ficou quieto, segurando minha mão e continuou andando.
"Você se perdeu, né?" Eu revirei os olhos.
O Adam me olhou por cima do ombro, levantando uma sobrancelha. Acabou rindo da minha famosa cara de paisagem.
"A gente não tá perdido, Case. Já tá quase lá", o Adam me respondeu com paciência.
A gente estacionou o carro faz um tempo e agora tava andando. A gente tava trilhando o caminho por algo que parecia um parque natural.
Embora eu tivesse quase certeza de que a gente tava perdido, os passos firmes do Adam me faziam pensar que eu era a única perdida ali. A gente tava seguindo essa trilha há uns 10 minutos e eu tava agradecida por não ter escolhido usar meus saltos.
Só que eu tava de vestido fino e não pensei em levar um casaco comigo, já que imaginei que a gente ia ficar dentro de casa a maior parte da noite.
Preciso parar de tirar conclusões.
Uma brisa gelada soprou na nossa direção e eu me encolhi na hora. Lutei contra a vontade de correr pro lado do Adam e usá-lo como meu escudo humano contra o vento.
Espaço pessoal, Case, pessoas têm espaços pessoais.
O Adam e eu ficamos próximos de novo, já que eu parei de lutar e a sensação que eu tenho sempre que vejo o antigo Adam ressurgir é indescritível.
Não importa o quão próximos a gente estivesse agora, eu sabia meus limites. Ele não era meu pra ficar grudada nele. Ele era meu amigo e nada mais.
Meu amigo por quem eu sinto coisas extra-amigáveis. Meu amigo que eu queria abraçar.
E beijar.
Para com isso!
Usei minha mão que não estava sendo segurada pelo Adam pra me abraçar e esfregar meu braço pra me esquentar.
Eu não tinha certeza se tava tremendo de frio ou por causa dos meus pensamentos.
O Adam pareceu perceber o frio e parou de andar por um momento pra tirar a jaqueta jeans e colocar nos meus ombros.
Eu ia protestar quando ele colocou o dedo nos meus lábios e fez "shhh".
A sensação do dedo calejado dele nos meus lábios me assustou e eu quase pulei. Sorte que eu me controlei a tempo antes de agir como uma idiota na frente do Adam.
"Valeu", eu murmurei pro Adam enquanto segurava a jaqueta mais perto do meu corpo pra me proteger do frio.
Dei uns passos à frente, pronta pra continuar nossa caminhada quando o Adam me puxou pro lado dele e começou a andar de novo.
"Hum, Adam?" Eu perguntei hesitante, dando uma espiada no rosto dele por entre meus cílios enquanto ele me olhava.
Ele murmurou em resposta, desviando o olhar pra frente, vendo onde tava pisando.
"O que é isso?" Eu apontei pro braço dele.
Os olhos do Adam desceram pra ver o que eu tava apontando e os lábios dele se curvaram no que eu presumo que era diversão.
"Isso é pra te manter aquecida", ele declarou.
Eu fiquei quieta depois disso, sem palavras.
Eu tô me sentindo mais quente, então ele tinha um ponto válido.
Depois de mais alguns minutos de caminhada, chegamos num lago grande com um pequeno pavilhão perto.
O pavilhão tinha luzinhas penduradas. As luzes iluminavam o pavilhão com carinho e dava uma sensação mágica pro ambiente.
No pavilhão tinha uma mesa pra dois, a mesa tava coberta com uma toalha branca. Nela tinha dois pratos cobertos, dois copos de vinho, uma garrafa de vinho num balde com gelo e velas.
"Fecha a boca antes que você pegue mosca, Case", a voz divertida do Adam me tirou do transe e eu fechei a boca na hora.
"O que é isso?" Eu me virei pro Adam, perplexa. De um jeito bom, claro.
"Eu explico daqui a pouco, mas vamo dar uma olhada melhor primeiro." O Adam sorriu pra mim, "Vamos?"
Eu peguei na mão estendida dele e deixei ele me guiar mais perto do pavilhão.
Num dos assentos tinha um pequeno buquê de flores que o Adam pegou e me entregou.
Eu peguei depois de hesitar um pouco, sem saber que jogo ele tava jogando.
Claro, eu sinto coisas por ele e sim, eu provavelmente ia derreter na hora se ele confessasse que sentia algo por mim também, mas eu não queria criar esperanças, caso isso fosse uma pesquisa de um lugar ou algo do tipo.
(A/N: É possível, tá!)
"Adam, o que é isso?" Eu perguntei pra ele, sem saber o que pensar.