Capítulo 8
Corri pra dentro da casa depois de chutar a porta e subi as escadas, correndo pro meu quarto e tomei um banho rápido antes de colocar meu pijama e pular na cama. Puxei meu laptop pro colo e liguei, indo pro YouTube pra ouvir uns clipes de música. Passei as próximas horas nas tarefas que a professora passou e um pouco de pesquisa de Biologia enquanto ouvia 'We The Kings'.
Cantarolei satisfeita quando fiz uma pausa e fiquei olhando pra fora da janela, só pra perceber que já tava escuro. Quanto tempo eu fiquei sentada aqui, fazendo dever?
Bocejei de exaustão e estiquei meus membros, me contorcendo de um lado pro outro e suspirei quando ouvi os estalos satisfatórios das minhas costas rígidas. Movimentei meu laptop e os livros pra um lugar perto de mim enquanto empilhava eles e joguei de lado os lençóis que cobriam a parte de baixo do meu corpo e balancei a perna pro canto da cama.
Flexionei meu pescoço antes de tentar ficar em pé.
Devo ter ficado sentada por muito tempo porque, na hora seguinte, perdi o equilíbrio e acabei sentada na cama de novo.
Cama, eu sei que você me ama, mas eu preciso te trair com comida agora. Pensei emburrada enquanto tentava levantar de novo e segurava no pé da cama pra me apoiar. A rigidez logo foi embora quando flexionei as pernas repetidamente.
Tentei ficar em pé sozinha e, quando consegui, saí do meu quarto e fui em direção às escadas e pra cozinha.
Estava na metade das escadas e tava descendo em um ritmo lento, tentando não colocar muita pressão, já que não sei quando minhas pernas vão me deixar na mão. Odeio quando isso acontece, fico sentada por muito tempo e não percebo o tempo passar, mas quando percebo, já é tarde demais e acabo com as pernas meio adormecidas. Respirei irritada enquanto olhava pras minhas pernas quando ouvi a porta bater com um estrondo e uma voz familiar ecoou pela casa silenciosa.
"Querida, cheguei!" Minha mãe gritou.
Não respondi por um tempo, até que ouvi ela gritar: "Comprei torta e biscoitos!"
E é assim, senhoras e senhores, que você faz sua filha adolescente correr pelas escadas e te receber feliz; se saquear a sacola plástica que você carrega for algo acolhedor. Todos os problemas nas pernas serão esquecidos e o objetivo principal delas será receber a comida em casa.
"Bem, olá pra você também. De qualquer forma, seu pai deve chegar em casa logo, você sabe o que acontece."
Meu pai raramente fica em casa, ele vai pra viagens de negócios aleatórias e tá sempre ocupado, mas compensa com a noite do filme. "Ok." Mesmo que minha voz esteja abafada por toda a torta e os biscoitos que enfiei na boca, sei que ela me ouviu.
"Cassandra Rylie Johnson! O que eu te falei sobre comer a comida aos poucos?!"
Olhei pra ela, envergonhada enquanto ela me repreendia. Tentei engolir a comida, mas achei minha garganta muito seca.
"Ha! Agora você não consegue engolir! Bem feito!" Minha mãe zombou.
É, mãe. Sentindo o amor.
Revirei os olhos pra minha mãe, bebendo um pouco de água pra ajudar a engolir a comida. Depois de beber o último gole, mostrei a língua pra minha mãe e corri pro meu quarto pra trocar de roupa.
"Bem madura, Case. Bem madura!" Ela gritou pra mim.
Em resposta, gargalhei. Sim, gargalhei. Algum problema?
Colocando uma camiseta grande com uma frase do Harry Potter e um par de jeans retos, me olhei no espelho pra pelo menos parecer decente.
Meu pai, diferente da minha mãe, nunca teve problemas com meu senso de moda, nossa, ele ficou todo bravo uma vez quando eu era criança por usar shorts muito curtos. Nunca mais. Só de pensar nisso me dá arrepios. O que eu tava pensando quando criança nunca vai parar de me surpreender.
"Meninas, prontas pra ir?" A voz do meu pai ecoou pela casa. Apliquei uma quantidade bem pequena de perfume e desodorante antes de descer as escadas e abracei meu pai. "Ah, sinto sua falta, princesa." Me aninhei ainda mais no abraço do meu pai, "Também sinto sua falta, pai." Sim, eu sou a princesinha do papai, aceitem.
Fomos pro carro, colocamos o cinto e fomos pro cinema. No caminho, 'Eye of The Tiger' começou e meu pai e eu cantamos juntos, desafinando e tudo mais. Minha mãe balançou a cabeça pras nossas palhaçadas e rimos dela por ser tão certinha o tempo todo.
Olhei pros meus pais, tô feliz só de estar aqui, mas mesmo assim, eu sabia que faltava algo. Meus pensamentos voaram pra todas as vezes em que tinha alguém pra ficar do lado da minha mãe nessas coisas, quando um certo garoto brigava comigo na parte de trás do carro, ganhando um olhar severo da minha mãe por causar barulhos desnecessários com nossos gritos.
Eu sabia que minha família nunca poderia estar completa sem meu irmão. Com isso, meu sorriso sumiu e eu olhei pra fora da janela, observando as árvores passarem rapidamente.
Sinto sua falta, irmãozão.