Capítulo 58
Eu olhei pra esquerda e pra direita no meio dos grupinhos, tentando achar uma loira específica, mas depois de um minuto procurando e não achando nada, eu fui pro estacionamento pela escola e procurei pelo carro rosa.
"Case!" A Penélope chamou, correndo na minha direção com um sorrisão na cara. Eu achei que ela ia parar de correr quando chegasse mais perto, mas ao invés disso, ela aumentou a corrida pra um sprint. Eu não tive tempo pra me preparar e quase fui pro chão na calçada áspera se não fosse pela Penélope me segurando. Ela sorriu sem jeito quando me soltou do abraço, parecendo envergonhada pela reação dela ao me ver e eu dei um sorrisinho pra ela. Ela era definitivamente alguma coisa.
"Me desculpa. Eu só tava tão feliz e animada que você finalmente me deu uma chance de provar meu valor pra você. Meu Deus, eu não vou te decepcionar! Eu prometo," ela falou toda empolgada e soou tão decidida que por um minuto, ela me fez temer pela vida de qualquer um que estivesse no caminho dela.
"Eu sei que você não vai, mas eu tenho que te avisar, Penny. Quem eu sou, meus segredos e meu passado não são as melhores coisas que você vai ver ou saber. Eu não carrego a bagagem mais leve," eu falei pra ela sério, mas levantei o olhar quando ela pegou minha mão e apertou forte na dela.
"Eu não ligo. Você salvou minha vida, se isso não é motivo suficiente pra ficar do seu lado, então eu não sei o que é." Os olhos dela brilharam com a intensidade das palavras dela e eu soltei uma risadinha. Ela simplesmente não desistia. Ela pareceu confusa, mas eu balancei a cabeça e peguei na mão dela pra fazer ela ir pros corredores.
Nós chegamos nos armários e eu tirei meus livros, jogando eles na minha mochila. Do nada, o Adam apareceu e encostou no armário do lado do meu; sorrindo de orelha a orelha, o que me fez dar um olhar de interrogação pra ele.
"Me encontra no estacionamento no seu tempo livre."
Enquanto outras meninas provavelmente estariam curiosas sobre o que ele tava planejando, eu me senti mais violada do que desconfiada.
"Adam..." Eu deixei a frase no ar, tentando formular minha pergunta com cuidado. "Como você sabe da minha agenda?"
Ele deu de ombros, com indiferença, "Eu posso ter dado uma espiada rápida nos conteúdos da sua bolsa."
Eu podia sentir meus olhos se estreitando, "Você fez o quê?!" Eu dei um tapa na testa dele. E se eu não tivesse escondido minhas necessidades femininas ali?! Que idiota! Eu olhei pra ele com raiva enquanto ele esfregava o lugar na testa dele com cuidado.
"O ponto é, me encontra no seu tempo livre," ele falou antes de ir embora. Eu continuei encarando as costas dele indo embora. A audácia desse cara...
Eu me virei pra Penélope que tava parada com os olhos arregalados entre o Adam e eu, parecendo chocada com a conversa que a gente acabou de ter. Ela parecia que ia falar alguma coisa mas tinha algo preso na garganta, resultando em ela apontar silenciosamente entre o Adam e eu.
Eu ignorei, "Não é nada."
"Bem, não parece nada!" Ela proclamou e eu levantei a sobrancelha.
"E por que não?"
"Você viu como ele te olhou? Ele te chamou pra sair!" Ela gritou de animação e eu dei de ombros. Não era como se fosse a primeira vez, de qualquer jeito. Meu encolher de ombros pareceu ter ativado alguma coisa e ela ficou de boca aberta pra mim antes de gritar ainda mais alto e começar a bater nos meus ombros levemente.
"MeuDeus, meuDeus! O navio zarpou! Eu repito, A NAVE MÃE ZARPOU!" Ela gritou no corredor, recebendo olhares estranhos e encaradas das pessoas que estavam por perto. As palavras dela foram logo abafadas pela mão que eu coloquei na boca dela pra impedir mais humilhação.
"Penny!" Eu reclamei e ela pareceu envergonhada.
"Me desculpa," ela se desculpou, "é só que vocês dois são tão fofos e vocês nem se beijaram ainda!" O último comentário dela me fez ficar mais vermelha do que eu já tava.
Ela se virou pra mim, parecendo ainda mais chocada antes de começar outra sessão de gritos. Eu fiz ela ficar quieta assim que o primeiro grito saiu, arrastando ela pra sala de aula. Isso não impediu ela de ficar falando sobre como a gente ia ter bebês adoráveis o tempo todo.
O dia passou daquele jeito, aula após aula, as palavras se espalharam como fogo e mesmo que eu acreditasse que a Penny não tinha falado nada pras pessoas, eu não achei que ela precisasse.
Os gritos dela foram suficientes pra alcançar meus pais que estavam a quilômetros de distância.
Na hora do almoço, as pessoas estavam me encarando ainda pior do que normalmente e eu tive a vontade de mandar elas cuidarem da própria vida. Quase não conseguindo controlar minha raiva, eu esbarrei na Sonia que tava andando com a turma dela.
Por que, Deus, por quê?
Eu suspirei pelo nariz no segundo que eu vi ela, me fortalecendo e endireitando meus ombros. Ia precisar de porcos voadores pra aparecerem na minha frente antes de eu me curvar pra essa vaca.
"Olha só quem o gato arrastou pra cá," ela zombou. Ah, a audácia dessa vaca tava além de tudo que eu já tinha visto. Eu tinha terminado de fazer o papel de uma fracote. Eu não ia fingir um choro ou forçar uma lágrima só por causa dela. Não valia o esforço. Ela não valia o esforço. Eu decidi que o mínimo que eu podia fazer por mim mesma por tudo que eu permiti que elas fizessem comigo era que eu não ia deixar elas sentirem que ganharam outra luta contra mim. Eu não ia me deixar parecer fraca mais.
Então eu encarei a Sonia de frente, nossos olhos se encontrando e pela primeira vez, eu não desviei o olhar, eu não abaixei o olhar e nenhum barulho saiu da parte de trás da minha garganta. Eu tava de saco cheio de tudo e eu tinha terminado de ser um peão no jogo doentio delas.
Isso, aparentemente, não era exatamente o que a Sonia esperava e o espanto tava claro nos olhos dela. Eu podia ver a descrença nas vadias dela. Eu senti uma sensação de triunfo vindo da minha consciência.
Já tava na hora, vaca!
Eu revirei os olhos mentalmente pras palavras dela, mas isso trouxe um sorriso mínimo pros meus lábios, fazendo a Sonia estreitar os olhos pra mim. Eu levantei uma sobrancelha implacavelmente, desafiando ela a tentar. Eu podia ver a engolida sutil que ela tentou esconder e quando eu peguei ela sem sombra de dúvida, ela recuou discretamente, tentando não deixar suas 'amigas' perceberem que a valentona alfa delas tava realmente com medo da nerd.
Dane-se ela devia ter medo!
Eu honestamente queria rir de como a situação mudou de forma cômica em questão de horas. Ontem, ela tava zombando de mim depois de testemunhar minhas habilidades de luta; depois de saber que eu posso facilmente quebrar todos os ossos do corpo dela e agora, ela tava realmente levando em consideração as palavras que eu falei ontem à noite.
Ela era, de longe, a menina mais bipolar que eu já conheci. Bem, isso excluía a mim mesma, mas isso não vem ao caso.
Hoj, ela tava vestindo algo que podia ser chamado de meio decente, que basicamente consistia num top que cobria até o umbigo perfurado e shorts que impediam a bunda dela de sair mas ainda dava pros caras uma boa vista do que tem embaixo. Quem sabe, talvez ela pudesse se tornar uma pessoa melhor no futuro próximo. Não? Ah, bem. Ia ser divertido encontrar com ela numa daquelas reuniões do ensino médio e ver ela se arrepender de ser tão imatura durante os anos do ensino médio
Embora eu duvidasse que eu ia estar tão entusiasmada pra vir pra esse tipo de reunião, eu ainda ia; só pra ver como a Sonia ia ser em cinco anos ou algo assim. Com sorte, ela ia perceber o que ela tava fazendo e começar a fazer alguma coisa pra se redimir.
Infelizmente, eu fui tirada dos meus pensamentos quando o som dos saltos dela foi ficando mais fraco e fraco, o que só queria dizer uma coisa. A Sonia, a vaca nota ‘A’ da escola, acabou de desistir de um desafio e insulto feito pela nerd da escola.
Hoje só tá ficando melhor e melhor, eu pensei em silêncio, assistindo as costas da Sonia indo embora.