Capítulo 195
Eu gritei alto, levando a mão ao peito, no meu coração a mil.
"Uau, o que te deixou tão assustada?" A Case perguntou, enquanto ela jogava a luz da tela do celular dela em mim.
Eu fechei meus olhos, minhas sobrancelhas franzindo juntas enquanto eu forçava meu coração a parar de bater contra a minha caixa torácica, já estava começando a doer.
"Merda, Case. Por que você ainda tá acordada?" Eu perguntei pra ela, finalmente abrindo meus olhos pra olhar pra ela.
Ela levantou o celular pra mim e eu vi uma tela cheia de palavras.
"Ah, lendo, duh?" Ela respondeu. Ela olhou pro celular dela, passando o dedo na tela. "Ué, você acabou de voltar?"
Eu suspirei, endireitando as costas e limpando a garganta, como se eu não tivesse acabado de gritar como uma mauricinha. "Sim, se você precisa saber, eu acabei de voltar."
Silêncio tomou conta do quarto por alguns segundos antes da Case levantar as sobrancelhas quando eu não falei mais nada. "De onde?" Ela fez um movimento circular com a mão pra me fazer continuar explicando.
Eu dei de ombros. "Aqui e ali," eu respondi casualmente, me jogando no lugar vazio do lado dela, pegando alguns biscoitos de plástico do lado da perna dela e colocando na boca antes de pegar o livro dela e tirar da mão dela.
"Ei!" Ela protestou, a mão dela indo pegar o livro de volta, mas eu rolei mais rápido pra manter fora do alcance dela.
Nada faz ela esquecer do assunto que a gente tava falando mais rápido do que colocar os livros dela no meio.
"Eu só quero saber o que você tá lendo o tempo todo!" Eu rolei pra longe dela, com os braços esticados pra longe dela.
"Você vai detonar meu livro!" Ela gritou.
"Eu não sou -" Eu me interrompi com um grito quando eu caí da cama e no chão.
Eu mencionei que tem um buraco enorme entre minha cama e a da Case?
"Ai," Eu me levantei do chão quando a Case mergulhou na beira da cama, a parte de cima do corpo dela balançando fora da cama.
"Você tá bem?"
"Sim, eu tô -" Eu parei na hora quando eu percebi que ela não tava falando comigo.
A Case pegou o livro dela do chão e tava inspecionando ele de perto, checando se tinha amassados e a lombada.
Eu olhei pra ela, magoada.
"Você não vai me checar?" Eu apontei pra mim, só pra receber um olhar furioso da minha irmã querida.
"Eu te falei que você vai machucar meu bebê!" Se ela tivesse mais perto de mim, eu não duvidaria que ela ia me morder.
Eu revirei os olhos, "Seu livro tá bem, Case."
"Não, não tá. Olha essa dobra! Você fez isso!" Ela choramingou, apontando pra um dos cantos da capa do livro dela.
Eu fiz uma cara, tentando ver o que ela tava falando, mas ainda não consegui ver nada. Eu finalmente desisti depois de alguns segundos.
"Você devia ser grata por eu não ter queimado sua coleção de livros por ocupar tanto espaço nessa casa." Eu murmurei baixinho enquanto eu me limpava.
Eu juro que nunca vi a cabeça de alguém virar tão rápido na minha vida. Era tipo aquelas cenas de filme de terror onde a pessoa possuída vira a cabeça numa velocidade anormal pra um ângulo super assustador que faz o cabelo na sua nuca se levantar.
Eu fiquei surpresa por não ter ouvido um estalo alto dela.
Eu levantei as mãos em rendição tão rápido quanto ela virou a cabeça pra me dar uma encarada antes que ela realmente me matasse.
Qualquer um que conhece a Case sabe pra não mexer com a coleção de livros dela, a menos que eles queiram acabar mortos numa vala no meio do nada.
Aquela garota não brinca com os livros dela.
Quando ela finalmente pegou o livro dela e redirecionou o foco de volta pra ele em vez de mim, eu sabia que não precisaria me preocupar com perguntas caindo em cima de mim.
Eu deitei na minha cama, suspirando baixinho enquanto eu desdobrava o edredom e colocava sobre o meu corpo. Eu me acomodei e virei pro lado pra olhar pra Case.
A exaustão tava chegando rápido em mim e eu podia sentir a fadiga me dominando enquanto meus olhos começavam a cair. Antes de eu me deixar cair no sono, eu chamei a Case com um bocejo.
"Eu vou tirar uma soneca, me acorda pra janta."
A Case levantou a cabeça, parou a leitura e olhou pra mim por cima do livro dela. "Eu esqueci de te falar. Mamãe ligou mais cedo. Ela falou que ela e Papai estão a caminho de casa e nós vamos sair pra jantar juntos. Ela falou algo sobre se vestir bem porque nós vamos conhecer convidados."
Eu balancei a cabeça sem dizer nada, com o lado do meu rosto esfregando na fronha macia, me embalando mais no sono.
Antes que eu percebesse, eu já tinha apagado.
Eu acordei com alguém me sacudindo. "Acorda, seu babaca. Nós vamos nos atrasar."
Eu franzi os olhos, ainda me sentindo pesado de sono. Eu bati na mesa de cabeceira, procurando meu celular. Eu levei no meu rosto quando minhas mãos finalmente encontraram ele e cheguei a hora, fazendo uma careta quando o brilho da tela machucou meus olhos.
"Que horas é o jantar?" Eu perguntei pra Case, deixando o celular cair no espaço na minha cama do lado da minha cabeça enquanto meus olhos fechavam no meio do piscar.
"7," ela respondeu antes de eu sentir algo bater no meu rosto.
"Ai." Eu murmurei, com os olhos ainda grudados.
"Levanta, seu vagabundo!"
Eu resmunguei com irritação enquanto eu me forçava a sentar, esfregando meus olhos e olhando pra a almofada sentada no chão. Então era isso que tinha me batido.
"Ainda são 6, Case." Eu reclamei. "Você não precisava me acordar tão cedo!"
Eu conseguia sentir a minha irmã revirando os olhos. Ela tava sentada na frente da penteadeira, tentando colocar os brincos.
"Você leva 30 minutos sozinha pra arrumar o cabelo, você ainda precisa cagar e tomar banho."
Isso me calou. Mas eu não posso deixar ela ganhar a discussão, então eu murmurei um fraco, "Eu não levo tanto tempo," pra qual ela bufou como se fosse a mentira mais ridícula que ela já tinha ouvido.
"Mamãe e Papai já voltaram, eu falei pra eles que você ainda tava dormindo porque você ficou estudando ontem à noite." Ela me falou, sorrindo pra sua reflexão quando ela finalmente conseguiu colocar os brincos.
Eu olhei pra ela de volta enquanto eu me levantava da cama e me esticava, ouvindo alguns estalos satisfatórios das minhas costas. Eu nem posso odiar ela mesmo se eu quisesse, ela sempre faz alguma coisa pra ganhar alguns pontos de biscoito só quando eu acho que ela tá ficando chata.
Eu saí do quarto pra escolher umas roupas do meu quarto e comecei a me arrumar.
Algo que você provavelmente deveria saber sobre a Case, ela quase sempre tá certa, assim como qualquer outra mulher.
Quando eu terminei de me arrumar, o relógio tinha acabado de dar 7 e meus pais ligaram pra gente descer pra sair.
Eu peguei meu relógio, carteira e celular antes de correr pra baixo com a minha irmã na cola.
A minha mãe sorriu pra mim quando ela me viu descendo. "Eu senti tanto a sua falta!" Ela fez um carinho, pegando meu rosto entre as mãos dela e começou a cobrir meu rosto de beijos.
Eu ri, "Mãe.." Eu me afastei dela antes que ela pudesse cobrir meu rosto com rastros de batom vermelho e a abracei em vez disso. "Eu também senti a sua falta." Eu sorri enquanto eu abraçava ela.
A mãe passou a mão pelas minhas costas enquanto ela retribuía meu abraço. Ela se afastou e eu pude ver as lágrimas nos olhos dela já. Eu não consegui segurar a risada que borbulhou no meu peito quando eu vi os olhos dela marejados. "Mãe, por que você tá chorando?"
Mãe me olhou, pegando um pedaço de papel de seda da bolsa e enxugando as bordas dos olhos com ele. "Não ria, isso tudo é culpa sua!"
Eu arregalei os olhos, "Como é culpa minha? O que eu fiz?"
Mãe franziu a testa, "Você tá certo. Não é culpa sua." Ela virando pro Papai com os olhos apertados. "É culpa sua!"
Os olhos do Papai aumentaram de tamanho enquanto ele olhava entre a Mãe e eu como se ele estivesse tentando entender o que tava acontecendo. Eu dei de ombros pra ele, Deus sabe o que tá acontecendo na cabeça da Mãe. Ela pode ser tão aleatória às vezes. Mas o Papai devia saber disso. Ele casou com a mulher, afinal.
Papai balançou a cabeça num movimento de "Eu desisto de tentar te entender".
Mãe fez uma cara exasperada antes de apontar o dedo pro Papai. "Você e seu trabalho me privaram dos meus filhos!"
Eu levantei uma sobrancelha pra ela antes de olhar pro Papai. Papai parecia que tava enfrentando uma injustiça cruel.
"Eu não te forcei a vir!" Ele se defendeu.
Mãe bufou, cruzando os braços no peito teimosamente, "Eu não me importo. Porque você viaja tanto, eu me senti obrigada a ir junto e ajudar!"
Ela tava determinada a colocar toda a culpa no Papai mesmo que isso significasse se mostrar irrazoável.
Papai revirou os olhos quando a Mãe não tava olhando, sabendo que ele não ia ganhar essa discussão.
"Vamos, Mãe." Eu a convenci, pegando os ombros dela e cutucando ela pra começar a andar pro carro pra que nós possamos ir.
Papai pegou o volante, Mãe sentou no banco da frente enquanto a Case e eu sentamos atrás.
"Então, como tão as coisas enquanto nós estávamos fora, filhos?" Mãe perguntou, virando a cabeça pra olhar pra gente.
Eu sei que a Mãe só sente nossa falta e por isso ela teve aquela birra e não vai parar de roubar olhares do banco do passageiro pro banco de trás do carro. Papai, por outro lado, tava mais discreto com as olhadas ocasionais pelo espelho retrovisor.
Eu sorri, tentando tranquilizar ela que tá tudo bem pra que ela não se preocupe tanto em nos deixar em casa o tempo todo. "Tá tudo bem, Mãe."
Eu olhei pra Case que tá mandando mensagem no celular dela antes de fazer minha observação adicional. "Eu tenho mantido a Case longe da cozinha então nós ainda não tivemos nenhum desastre culinário."
A Case imediatamente levantou do celular pra me dar uma encarada com a menção do nome dela na mesma frase com a palavra "cozinha". Ela sabe que eu nunca ia dizer nada bom com essas duas coisas numa frase até o dia que eu morrer.
Ela olhou pro celular de novo e começou a digitar furiosamente antes de eu sentir meu próprio celular vibrar no meu bolso. Eu me mexi no banco e tirei ele pra checar.
"Seja legal ou eu vou contar pra eles que você não ficou acordado fazendo sua lição de casa ontem à noite." A mensagem dizia.
Eu virei a cabeça pra olhar pra Case e dei a ela o olhar fulminante, digitando minha resposta enquanto eu mantinha meus olhos nela, sem olhar pro teclado do meu celular de jeito nenhum.
"Você não faria isso."
A Case leu a mensagem e olhou pra mim, dando um sorriso, antes de fazer a mesma coisa.
Os dedos dela se moveram pela superfície da tela do celular enquanto os olhos dela ainda estavam grudados nos meus.
Meu celular vibrou de novo e eu tirei meus olhos da Case pra ler a resposta dela.
"Aposto."
Eu apertei os olhos na mensagem antes de encarar ela.
Eu sabia que se ela estivesse ciente de onde eu realmente tava ontem à noite, ela nunca ia contar pros meus pais, mas ela provavelmente achou que eu tava numa festa ou na casa do Dom então eu não duvidei que ela ia me dedurar e me colocar na fogueira se ela quisesse.
A minha mão foi mais rápida que um raio e deu um peteleco no braço dela que tava exposto pela blusa sem mangas.
Eu acho que o movimento foi tão rápido que a picada de dor que ela sentiu do peteleco se registrou um segundo depois.
A boca dela se abriu em choque enquanto ela murmurava "ai!"
Eu dei um sorriso malicioso pra ela, sabendo que eu tinha acabado de começar uma guerra.
Não tinha nenhuma luz no carro já que já tava escuro lá fora, então eu não consegui ver o rosto da Case mesmo que ela estivesse sentada a poucos metros de mim. Mas eu sabia que ela tava fazendo uma careta antes de finalmente alcançar e me dar um peteleco como retribuição.
Mas nós dois sabíamos que o peteleco dela era fraco.
Meu sorriso aumentou e um risinho até escapou dos meus lábios de como o peteleco dela era patético.
Eu conseguia imaginar a Case rangendo os dentes antes de ela finalmente perder o controle das frustrações e deixar a mão dela voar, batendo no meu braço tão alto que todo o carro ouviu.
Eu consegui ouvir o grito alto da minha mãe com o som antes da cabeça dela virar pra olhar de onde o som veio. Mas até lá, já era tarde demais, todo o inferno tinha começado.
E isso, damas e cavalheiros, foi o começo da épica luta livre entre os irmãos Johnson que aconteceu na parte de trás do carro do Papai Johnson.
A luta livre acabou com a Mamãe Johnson gritando com toda a força dos pulmões pra gente parar e uma palestra de 30 minutos da Mamãe Johnson que só foi cortada porque nós chegamos no restaurante que nós vamos jantar.
Mãe beliscou a ponte do nariz enquanto ela inclinava a cabeça pra cima pra encarar o teto do carro, parecendo a mais exasperada que ela já tinha sido na vida dela.
Algo que você vê com frequência ao conhecer pessoas que lidaram com a merda minha e da minha irmã.
"Vocês são adolescentes, pelo amor de Deus! Vocês não têm mais 6 anos! Você tem 18, Bryant! Você é legalmente um adulto. Pode agir como um e não provocar sua irmã?" A Case parou de tentar arrumar o cabelo pra mostrar a língua pra mim antes da Mãe finalmente colocar ela no holofote também. "E você! Cassandra Riley Johnson! Seu pai e eu te ensinamos a abusar do seu irmão?!" Agora era minha vez de mostrar a língua pra ela.
Infelizmente, a minha mãe pegou isso e pareceu que ela se irritou. Ela jogou as mãos no ar num movimento de "Eu desisto!"
"Eu tenho criado macacos pelos últimos 18 anos." Ela murmurou pra si mesma.
Eu ri ouvindo essa última, levando meu celular no meu rosto pra usá-lo pra checar a minha aparência.
Enquanto eu dava uma olhada em mim, eu percebi como meus olhos estavam brilhando pela primeira vez em muito tempo e eu percebi o quanto eu senti falta de brincar assim com a minha família.
Eu sorri de novo enquanto eu olhava pro meu celular, prometendo pra mim mesmo que eu ia estar desse jeito mais vezes em breve, muito em breve. Eu vou dar um fim nas coisas que estão me estressando no último ano e ser despreocupado de novo.
"Vamos, Reeves deve estar esperando." Papai finalmente falou enquanto ele estacionava o carro e desligava o motor.
Nós todos desabotoamos e saímos do carro antes de ir pro restaurante.