Capítulo 17
Eu estava ali, ao lado dos outros, vendo a luta do Adam, com a cara encoberta e uma expressão fechada.
Ele era bom, pra caramba. Em 15 segundos, o Adam conseguiu botar o oponente no chão, com o beiço arrebentado, e como eu não sou como as outras meninas, eu tava prestando atenção no que tava rolando, em vez de ficar babando no corpo sarado dele que, a propósito, tinha um tanquinho definido e uma linha em V óbvia. Porra, o cara tinha uma bunda. *tosse envergonhada* É, não tô olhando pra ele. Não, de jeito nenhum.
Voltei a focar nos movimentos dele e o sino tocou depois de um minuto, sinalizando a vitória, enquanto ele descia do palco, depois de mostrar o sorriso branco e flexionar os braços, exibindo os bíceps antes de vir pra gente.
Ele passou o braço pelo meu ombro depois de colocar uma camisa em V, sabendo que eu tinha visto tudo. "E aí, o que você achou das minhas habilidades de luta?" Ele perguntou, todo convencido.
Eu fingi que não tava nem aí e dei de ombros, com desdém. "Já vi coisa melhor."
Ouvi um bufo e um fungado em seguida. Sorri por dentro, sabendo que a minha resposta tinha abalado o ego dele.
Voltei a atenção pros caras e vi um par de olhos me encarando atrás do meu grupo de amigos. Na hora, soube que era o bêbado que tinha me agarrado pelo pulso, mas agora ele não parecia bêbado. Era como se ele não tivesse bebido uma gota de álcool. Os olhos dele pareciam perfurar a gente e ele tava em pé, ereto, sem cambalear, e a postura dele tava perfeita. O problema é que só tinha se passado meia hora. Ninguém conseguiria ficar tão sóbrio em meia hora, nem que vomitasse tudo, no mínimo pareceria que ia passar mal de novo. Senti a pele arrepiar e disparei com todo mundo pra fora do prédio e pros carros, principalmente a Monic.
"Jake, dirige. Dirige rápido e pra longe, leva a Monic pra um lugar seguro e garante que ela chegue lá inteira, se não, que Deus me livre, eu corto seus bagos e enfio no teu cu, entendeu?"
Ele ficou confuso, mas obedeceu, botando os dois no carro e botando o cinto.
"Case? O que tá rolando? E você?" Ela perguntou, desesperada.
"Eu vou ficar bem, Mo. Te ligo mais tarde, mas se você não tiver notícias minhas nas próximas 24 horas, fica com o Jake e se cuida, some do mapa. Lembra do plano, mana. Te amo." Beijei a testa dela, botando a cabeça na janela do carro que eles trouxeram. Se ia rolar alguma coisa hoje à noite, de jeito nenhum a minha priminha ia presenciar.
Ela balançou a cabeça e sussurrou 'Também te amo, se cuida', antes do Jake sair e me deixar com o Dominic, o Adam e o Zac. Virei pra eles e os dois tinham a mesma cara de confusão.
"Case, o que tá acontecendo?" O Dom perguntou, cauteloso, e se aproximou de mim, como se eu fosse uma bomba prestes a explodir.
"Dom, fica com a Monic e garante que ela esteja segura. Segue o carro deles." Ordenei.
Ele balançou a cabeça, negando, e deu mais um passo na minha direção. "Eu não vou te deixar, Case."
Olhei pro Adam, implorando pra ele ir embora e não se meter caso acontecesse alguma coisa, mas ele ficou firme e balançou a cabeça, teimoso.
Ouvi a porta bater com um estrondo e meu corpo todo pulou de susto. Virei a cabeça pro som, mas virei rápido demais e o moletom caiu da minha cabeça, revelando meu rosto meio escondido.
Ouvi um som sem sentido vindo da minha direita e tinha certeza que era o Zac e quase bufei de frustração, mas tentei me controlar, não era hora pra isso.
"V-você é ela!" O Zac exclamou, sem acreditar.
Não me diga, Sherlock.
Repreendi a minha mente. Não é hora, parça. Tem um possível serial killer na nossa frente agora, então tira a cabeça da piscina de ironia.
Analisei o cara de cima a baixo pra calcular o perigo que ele podia causar. Ele era grande e os olhos pareciam afiados e experientes, o que só aumentou a minha ansiedade. Deus, por que não me deu um oponente machista e metido que subestimasse as meninas, pra eu nocautear ele e ir pra casa comer um balde de sorvete?
"Ora, se não é a famosa Pixie. O quê? Não é pra você ser a melhor lutadora de rua da cidade? Vem lutar comigo, pequenininha." Ele provocou, fazendo sinal pra eu chegar mais perto.
Nem que a vaca tussa, sua vagabunda pedófila.
Estreitei os olhos pra ele. "O que você quer?" Cuspi.
"É simples. Só quero que você lute comigo."
Meus olhos viraram fendas e minhas sobrancelhas franziram. É fácil demais. Tinha alguma coisa errada nisso e qualquer um consegue sentir o cheiro de peixe nessa merda.
"De novo, o que você quer?" Perguntei devagar, mas dessa vez não era com a minha voz quieta e indiferente de sempre. O tom perigoso por baixo da minha voz deixou todo mundo calado.
Literalmente, senti os olhos do Adam queimando na minha nuca e senti a tensão no ar ao redor dele.
Me forcei a não olhar pra trás e focar na ameaça. Eu resolvo isso mais tarde.
Quando o cara continuou em silêncio, parado ali com um sorriso divertido, e não parecia que ia responder a minha pergunta tão cedo, rosnei de irritação e finalmente explodi.
"Beleza, você quer briga? Então vamos ter briga." Endireitei e levantei os braços em forma de cruz e peguei na barra do moletom cinza do Adam. Tirei ele do meu corpo e joguei pra trás, sabendo que o Adam ia pegar.
Arregacei as mangas e amarrei a barra da camisa, minha fachada de nerd caiu e todas as características nerds foram eliminadas do meu ser.
Era como se eu estivesse tirando uma roupa que eu tava usando a vida toda e agora que eu tava mostrando pro mundo quem eu realmente sou, era como se eu estivesse tirando uma armadura e me deixando nua, sem nada pra me proteger das facas do universo.
Não tinha como fazer nada com a calça, então deixei do jeito que tava e prendi o cabelo num rabo de cavalo alto.
Quando terminei de me preparar, levantei o olhar pra encarar o meu oponente e estendi a mão e fiz sinal pra ele com o dedo indicador e o do meio.
Começou o jogo, vadia.