Capítulo 168
A gente ficou por ali, no pátio aberto do campus, indo até as barraquinhas onde tinham comidas e bebidas. Quando começou a escurecer, decidimos voltar pra casa e começar a nos preparar pra noite.
A galera dos Jones e dos Johnson tava fazendo um churrasco hoje na nossa casa e o Jerry já devia estar a caminho com as crianças.
Quando o Jerry e as crianças chegaram, o cheiro de comida grelhada já tava no ar. Estávamos sentados em volta de uma mesa de piquenique de madeira que o meu pai construiu um ano atrás, enquanto os adultos estavam ocupados grelhando a comida.
"E aí!" Jerry cumprimentou quando a minha mãe deixou ele passar pela porta de vidro que levava para o quintal.
A Cali nos viu e o rosto dela se iluminou como uma árvore de Natal antes dela gritar e correr até nós. O Pio, vendo a irmã correr, foi na onda e tentou acompanhar. Ele cresceu tão rápido, sinto falta do menininho que nem conseguia falar direito e andava cambaleando por todo lugar.
A Cali mergulhou direto nos meus braços e eu sentei ela no meu colo, abraçando ela forte, enquanto o Adam pegou o Pio, que tava quase tropeçando, antes que ele pudesse cair de cara no chão.
Eu ri da trapalhada do Pio. Aquele garoto nunca vai parar de ser fofo.
"Parabéns pela formatura, Case. Tenho uma coisa pra você." Jerry falou de trás de mim.
Uma caixa de presente embrulhada apareceu na minha frente e eu peguei ela do Jerry.
"Obrigada Jer, não precisava." Eu murmurei baixinho, oferecendo a ele um sorriso, que ele retribuiu.
O Jerry assentiu, apontando para o presente, "Abre aí."
Deixei minha atenção voltar pra caixa e tentei abrir sem rasgar o papel de presente, já que foi feito com tanto capricho.
Quando finalmente me livrei do papel de presente, abri o que parecia uma caixinha de joias e fiquei boquiaberta com o que eu vi.
Era uma pulseira de berloques com 5 berloques. Tinha uma asa, um coração, uma luva de boxe e dois círculos com as letras "B" e "C" gravadas.
"É de todos nós," Cali disse e eu sorri pra ela, beijando o topo da cabeça dela antes de olhar pra pulseira de novo.
"B de Bryant e C de Carla," Maddison explicou.
Meus dedos traçaram as letras e sorri para os Jones e pra Maddison.
"É linda, obrigada."
Enquanto a noite passava e todo mundo terminou de comer, todo mundo foi pra sala assistir TV.
Eu sentei na grama, ainda querendo ficar do lado de fora por mais um pouco.
O Adam se jogou do meu lado e acabamos deitados pra olhar pro céu.
"No que você tá pensando?" Adam perguntou enquanto juntava nossas mãos, enquanto olhávamos pro céu escuro.
"Em nada." Eu respondi pra ele baixinho antes de murmurar, "Em tudo."
Eu suspirei, provavelmente deixando o Adam confuso pra caramba.
"Ei, não estressa," Adam riu enquanto me puxava pra perto e beijava minha testa numa tentativa de me confortar. Minha cabeça descansou no peito dele e eu joguei meu braço sobre a cintura dele enquanto eu me acomodava.
"Já se perguntou como seria se a gente nunca tivesse exposto o Dom como o psicopata que ele é?" Eu perguntei pro Adam quieta.
"Os pais dele não estariam passando por toda essa merda de sentimentos que eles provavelmente estão sentindo," eu murmurei, sentindo que talvez eu devesse ter encontrado outra alternativa pra resolver as coisas com o Dom.
"Case, aquele cara é um maluco. Ele precisava de ajuda profissional e era ou trancá-lo numa cela ou num hospício. Você fez a coisa certa, amor." Adam me tranquilizou, acariciando minha cabeça enquanto ele me puxava pra mais perto dele.
Depois que eu desisti de lutar, eu expus o Dom pra família dele e pra minha pelo que ele tinha feito. Demorou muito pra convencer eles antes que eles finalmente acreditassem em mim. Eu sabia que ia ser difícil pra ambas as famílias processarem, mas eu não vi outra maneira de fazer as coisas civilizadamente. No que me dizia respeito, o Dom era um psicopata solto.
Eu recorri a irritar o Dom na frente das nossas famílias, sabendo que ele estava longe de ser emocionalmente ou mentalmente estável.
Ele surtou depois de meia hora de batalha de gritaria sem fim e jogou um vaso de vidro na minha direção, errando por poucos centímetros. Depois que o vaso de vidro quebrou, ele finalmente confessou ter assassinado o Bryant num ataque de raiva porque, e eu cito, 'ele não ia deixar a gente ser feliz juntos, então ele precisava ir embora'.
Eu gravei tudo em vídeo pra evidência legal e meus pais fizeram com que o Dom fosse ou pra trás das grades ou pra um hospício.
O homem era perigoso pras pessoas ao redor dele.
Depois que o Dom foi trancafiado, acho que a polícia começou a farejar por perto e as gangues que estavam envolvidas não ficaram por perto por muito tempo depois disso. Era como se elas tivessem sumido no ar.
Alguns dias, eu tinha a sensação paranoica de estar sendo observada por uma das gangues, mas eu sabia que era só coisa da minha cabeça. Eu era uma garota normal que não tinha nenhuma importância no mundo. Simplesmente não faria sentido se as gangues arriscassem o império delas por alguém como eu.
Tentando afastar os pensamentos deprimentes, eu decidi pensar em coisas mais felizes.