Capítulo 30
Eu fiquei encarando no fundo profundo daqueles olhos azuis chocantes, totalmente ciente de que ele estava chegando mais perto.
Inconscientemente, eu desci da minha bicicleta e encostei nela, tentando me acalmar enquanto tirava o capacete.
Ele causou uma baita impressão em mim da última vez que eu o vi. Confia em mim quando eu digo que não foi do tipo bom.
"O que você tá fazendo aqui, Case?" Ele me perguntou suavemente e, sem perceber, a raiva estava borbulhando em mim e eu senti minhas entranhas fervendo de fúria.
"O que eu estou fazendo aqui não é da sua conta. O que você está fazendo aqui?" Eu rosnei. Eu não sabia por que eu estava tão enfurecida, mas eu não tinha saco pra ligar.
Ele balançou a cabeça. "Você está pisando em um terreno perigoso agora, Case. Você tá louca? Tá tentando se matar?" Ele zombou de mim e eu encarei sua provocação com uma carranca. Ele tá sendo irracional agora. Ele sabe que eu consigo dar uma surra.
"O que você tá insinuando aqui, Dom?" Eu fervi. Ninguém insulta minhas habilidades de luta e sai impune. Isso me enfurece quase tanto quanto quando o Bryant decidiu que era engraçado pegar uma colherada do meu sorvete do pote na minha frente.
Mas dessa vez foi diferente. Os olhos do Dom brilharam com algo estranho quando ele olhou para além de mim. Seus olhos agora focaram na pessoa respirando no meu pescoço.
Meus músculos ficaram tensos quando eu senti uma respiração quente soprando na nuca.
"Ah, Casey... Que surpresa agradável." Eu apertei meus olhos. Você só pode estar de sacanagem comigo. Quem diabos é dessa vez, um palhaço demônio?
Eu dei um passo à frente, em direção ao Dom. Depois de vários passos para longe, eu me virei e encarei o que eu espero que fosse um homem que eu nunca tenha conhecido antes.
"Eu te conheço?" Eu tentei manter minha voz firme, mas tudo o que eu recebi em troca foi um sorriso torto. Eu franzi a testa.
Por favor, não seja algum cara psicopata que costumava ser meu amigo e está reaparecendo para se vingar de mim. Eu rezei em silêncio e, como se Deus estivesse ouvindo, ele me concedeu meu desejo; O cara parado na minha frente me recompensou com um balançar lento da cabeça, suas madeixas castanhas escuras que estavam com gel para o lado não vacilaram.
Eu soltei um suspiro de alívio pelo nariz, ah, graças às minhas estrelas da sorte.
"Não, mas eu te conheço."
O suspiro de alívio foi interrompido quando eu fiquei tensa mais uma vez, tudo em mim gritando para eu bater nesse cara até virar purê.
Eu o observei com cautela antes de fazer a pergunta que causou um sorriso irônico em seu rosto irritante, mostrando as covinhas laterais que ele tinha.
"Eu conhecia o Bryant. Eu era amigo dele uma vez", ele suspirou, como se revivesse a memória mais uma vez e eu estremeci. O cara estava me dando arrepios.
"Ele me contou algumas coisas sobre você, Casey; e eu fiquei, para dizer o mínimo, intrigado. Se você for alguma coisa parecida com a garota que ele te descreveu, você é um espécime muito interessante, não é mesmo."
Eu bufei para ele. Se é isso que a paquera se resumiu, eu passo.
"Você me diz", eu murmurei bruscamente, mas fui interrompida por ele, aparentemente não tendo terminado seu discurso e momento de verdade.
"O Bryant mencionou ter uma irmã e, depois de um ano de amizade com ele tagarelando sobre como sua irmãzinha é incrível, a fascinação fica meio que, influente."
Eu estremeci. O cara é um pedófilo. Eu não me importo quem você é, nem ouse puxar a merda de 'tecnicamente, ele não é 10 anos mais velho que você' pra mim.
Ele é um pedófilo. Fim da discussão.
É claro, as coisas que ele estava dizendo não faziam sentido.
Por que o Bryant esconderia algo assim de mim? Por que eu nunca conheci o cara?
"Não pareça tão confiante, agora, Casey."
Eu cerrei os dentes. Eu não sabia o que era mais irritante; seu sarcasmo pesado ou o fato de ele estar me chamando de Casey.
"É Cassandra. Coloca isso nessa sua cabeça do tamanho de uma ervilha!" Eu rosnei para ele.
"Tanto faz. Você pode perguntar para o Dom aqui. Ele sabe tudo sobre isso."
Eu fiquei atordoada em silêncio.
Durante nosso momento de discussão, eu momentaneamente esqueci que meu quase ex-melhor amigo estava parado a poucos metros de distância. Eu me virei sobre o calcanhar para encarar o Dom. Eu tinha certeza de que a traição estava claramente escrita no meu rosto.
Eu estava torcendo para ver algo, qualquer coisa que fosse contra aquela afirmação, mas fui confrontada pela culpa. Eu estava desesperada naquela hora.
Eu sabia que não se deve virar as costas para o inimigo; era uma das regras mais básicas de luta de rua. Você não pode saber quando eles vão começar a te esfaquear pelas costas, mas agora, eu não sabia quem era meu inimigo e quem era meu amigo.
Porque o Dom com certeza não é um amigo. Ele nem vai se defender. Ele é patético pra caramba.
"Que porra ele tá falando, Dom?" Eu sussurrei, minha voz estava sendo levada pelo vento, mas eu sabia que ele me ouviu.
"O Bryant não queria que eu te contasse, Case, me desculpa. Ele tava tentando te proteger. As pessoas estavam indo atrás dele e ele achou que essa seria a melhor forma de te proteger", sussurrou o Dom.
Eu estava além do ponto de ouvir suas razões. Foda-se ele.
Eu marchei até ele, murmurando maldições e merdas não dignas de uma dama que os idosos desaprovariam. Se o Bryant estivesse aqui agora, ele teria limpado minha boca com sabão sagrado.
"Que porra é essa?" Eu murmurei. Eu olhei para o Dom em descrença e traição.