Prólogo
Já ouvi um monte de gente dizer que teu cérebro grava cada segundo da tua vida, desde o momento em que você nasce. Eu acredito nessa parada.
Pode ser difícil de acreditar, mas eu lembro vagamente de espiar pelas fendas da lateral do berço da minha irmã quando ela era um bebê. Eu devia ter uns 2 ou 3 anos na época. Ela estava dormindo profundamente, com as mãozinhas cobertas por luvas pequenas para mantê-las aquecidas. O tecido se movia levemente enquanto ela fechava e abria as mãos no sono. Quando ela levou o punho à boca, eu impedi, com um dedo.
"Não, bebê Casey, sujo. Você vai ficar doente." Sussurrei suavemente para a bebê sonolenta.
Os dedos pequenos dentro das luvas se mexeram como se estivessem tentando agarrar o dedo que estava afastando as mãos dela da boca.
Segurei a mãozinha enluvada dela entre dois dedos e ela, de alguma forma, conseguiu agarrar meu polegar com força, como se fosse sua tábua de salvação.
Meu coração derreteu com aquela sensação.
Fiz "shhh" para ela levemente, acariciando o dorso da mão dela sobre as luvas com o outro dedo.
"Não tenha medo, bebê Casey. 哥哥 (irmão mais velho) está aqui."
Lembro de ficar fascinado com a cena. Ela era tão pequena e vulnerável. Lembro de pensar que ela é o ser mais lindo.
Eu acho que foi assim desde o começo. Eu fiquei caidinho pela minha irmãzinha e me enrolei no dedinho dela no momento em que meus pais a trouxeram para casa.
Minha irmã sempre foi meu mundo inteiro e continuará sendo enquanto eu viver. Essa foi a promessa que fiz ao mundo; ser seu escudo contra o mundo e sua rocha contra as ondas cruéis.
Eu vou protegê-la, sempre.
Ninguém vai machucar minha irmãzinha.