Capítulo 16
Nadine continua quieta, tipo surda, sem mostrar nenhuma reação emocional na cara. Ela parece quase uma veada hipnotizada pelos faróis de um carro chegando, pronta pra ser atropelada. Enquanto isso, Cheryl, que ainda se recusa a aceitar o resultado inevitável, toma uma atitude firme na hora.
Ela olha pra Nadine, "Beleza… a gente venceu essa parada duas vezes antes; e vai vencer de novo…" então vira pro Dr. Minoit, "Quando a gente pode começar a quimio?"
Ele tenta explicar a gravidade da situação, "Cheryl; você precisa entender… essa é a terceira vez da Nadine com leucemia. Os exames de sangue já indicam…"
Uma Cheryl teimosa rebate na lata, "Mas a quimio funcionou antes… e pode funcionar de novo; certo?"
Não tem resposta imediata dele; e Cheryl exige mais uma vez uma confirmação do médico.
"Certo?"
Ele enrola, "Suponho que sim. De novo; não existem regras fixas quando…"
Cheryl o interrompe bruscamente. "Tanto faz… quando a gente começa?"
Ele abaixa a cabeça e olha a agenda na sua mesa antes de sugerir, "Que tal na próxima terça-feira?"
"Terça… a gente se vê então." Cheryl levanta e olha primeiro pra filha, "Vamos, Nadine, querida; bora," então pro Dr. Minoit, "Tchau."
"Tchau."
Nadine se levanta devagar, deixando de propósito a bolsa no chão do lado da cadeira; e então segue Cheryl, toda cabisbaixa. Já na recepção, ela fala pra mãe…
"Ai, Mãe… esqueci minha bolsa no consultório do Dr. Minoit. Tenho que voltar lá buscar."
"Ok; vou esperar…"
"Só vou demorar um minuto. Te encontro no carro; beleza?"
"Beleza."
Cheryl vai embora. Nadine volta e bate na porta do consultório. Dr. Minoit abre a porta; segurando a bolsa da Nadine.
"Acho que você esquecer a bolsa não foi sem querer?"
Enquanto pega a bolsa, "Não." Tem um silêncio breve antes dela perguntar, "Dr. Minoit… minha mãe… ela tá convencida na cabeça dela que eu posso vencer de novo com a quimio. O que você acha?"
Ele responde sem convicção, "Bem, Nadine… como sua mãe disse; você venceu duas vezes antes… então sempre tem a possibilidade…"
Nadine quer a verdade; não falsas esperanças.
"Dr. Minoit… por favor… fala na lata. Quais são minhas chances de vencer de novo?"
Ele olha pra ela com desespero e confessa, "Não parece bom, querida. Desculpa."
Nadine balança a cabeça suavemente; aceitando imediatamente e com graça o seu destino. "Tudo bem. Obrigada."
Dr. Minoit observa Nadine com tristeza enquanto ela vai embora.
Adele pula alegremente na calçada da frente dos Martin, balançando uma cesta de piquenique de um lado, e então bate animadamente na porta da frente; mandando uma sequência rápida de batidas… tipo o Bambi tremendo a patinha quando fica feliz. Cheryl abre a porta e é recebida com entusiasmo por Adele.
"Oi, Sra. Martin;" ela mostra a cesta, "aqui tem comida que a minha Vovó fez pra você."
Ainda abalada com as notícias recentes sobre a situação da filha, uma Cheryl meio distraída pega a cesta e responde monotonicamente, "Que bom da parte dela… não deixe de agradecer por mim, Adele."
"Vou.", Adele inclina a cabeça um pouco pro lado pra ver atrás da Cheryl, e espreita pra dentro. "A Nadine tá em casa, Sra. Martin?"
Parece que Cheryl de repente fica ciente da presença de Adele. "Desculpa; onde estão meus modos… entra, querida." Adele entra, e Cheryl fecha a porta enquanto anuncia, "Nadine; a Adele tá aqui."
Enquanto entram na sala de estar, Nadine levanta e vai pra Adele. "Oi, Adele;" ela aponta pro David; que tá sentado estoicamente no sofá, "esse é meu pai. Pai; essa é a Adele."
Também muito chateado com as notícias sobre a filha, ele responde distante, "Olá."
"Oi, Sr. Martin; é um prazer te conhecer, senhor." Adele vira pra Nadine. "Eu trouxe um pouco de comida. Tem peixe-gato frito, couve e pão de milho. Lembra da outra semana… você disse que tava com cheiro bom… então a minha Vovó fez pra você e pros seus pais…"
Adele percebe que Nadine e seus pais parecem distraídos, e começa a achar que algo tá preocupando eles. E agora, a Adele sente que algo não tá certo na casa dos Martin.