Capítulo 39
Adele… Eu era nova e burra. Acontece que o cara que eu achava que amava… aquele que me disse que também me amava… bem… acontece que ele realmente não… e ele deixou isso bem claro quando sumiu depois de descobrir que eu estava grávida. E eu certamente não tinha nenhum apoio da minha mãe naquela época; então não tinha como eu ter contado pra ela que eu estava…” Corrine respira fundo. “Eu não estava pronta pra ter um filho… sozinha.” Corrine se vira e encara Adele. “Adele; eu não tive escolha. Eu… eu fiz um aborto, Adele.”
Adele fica em silêncio. Corrine espera um momento antes de perguntar…
“Você sabe o que é um aborto, Adele?”
Adele não tem certeza do que ela quis dizer com aborto; mas ela consegue perceber pela expressão no rosto de Corrine e pelo tom de voz que não era uma coisa boa. Não querendo chatear Corrine mais do que ela parece estar, Adele simplesmente balança a cabeça; fingindo entender o que ela estava dizendo. Corrine conseguiu perceber que Adele não tem a menor ideia do que ela estava falando; mas aprecia muito o fato de que Adele está tentando facilitar pra ela, não a fazendo explicar. Ela continua.
“Foi a decisão mais difícil que já tive que tomar, Adele… mas eu não podia ter o bebê. Eu não estava pronta. Eu não teria condições de cuidar dele. Eu não podia…”
Corrine começa a chorar. Adele imediatamente vai até Corrine e pega na mão dela. Quando Corrine olha pra ela, Adele dá um daqueles seus sorrisos típicos, ternos, calorosos e sinceros; o que Corrine acha um conforto instantâneo, e para de chorar. Ela enxuga as lágrimas do rosto com a mão livre; então, quando termina, pega na outra mão de Adele.
“Essa foi uma das coisas mais difíceis que eu já tive que lidar, Adele. Eu estava em pedaços. Não tinha como eu ter superado isso… sem Nadine.” Corrine tira um tempinho pra enxugar algumas lágrimas começando a se formar nos olhos novamente; então solta uma risada curta. “Lá estava eu… essa ‘mulher adulta’ de dezoito anos, cabeça-dura, que achava que sabia tudo… e precisei recorrer à minha irmãzinha de treze anos pra me ajudar.”
Corrine olha nos olhos arregalados, infantis e simpáticos de Adele e de repente reconhece uma semelhança incrivelmente parecida com os de Nadine quando ela contou pra ela sobre sua situação pela primeira vez. Mais lágrimas começam a se formar, e ela rapidamente solta as mãos de Adele para enxugá-las; enquanto também engole o nó começando a inchar em sua garganta. Ela explica…
“A questão é, Adele; Nadine estava lá por mim. Ela esteve lá por mim quando eu precisei dela… durante um dos momentos mais difíceis da minha vida. E eu agradeço a Deus por isso…” ela pega nas mãos de Adele, “porque, como eu disse antes, eu provavelmente não teria superado isso sem ela ao meu lado.”
Ela sorri carinhosamente para Adele e afaga suavemente o cabelo dela.
“Adele… eu quero que você me escute agora. Você sabe que Nadine está doente… e o remédio que ela está tomando… bem… está começando a fazê-la se sentir pior. Não vai ser fácil pra ela. Na verdade, as coisas vão ficar muito mais difíceis pra Nadine muito em breve.” Corrine coloca delicadamente as mãos nas bochechas de Adele, e lentamente posiciona sua cabeça para que ela possa olhar diretamente em seus olhos. “Adele… Nadine precisa de você. Ela precisa que você esteja lá por ela… assim como ela esteve lá por mim. Confie em mim, eu tenho toda a intenção de estar lá por ela também; mas eu sei que é você que ela realmente quer lá por ela. Eu sei disso; bem no fundo do meu coração.”
Adele tenta abaixar a cabeça, mas Corrine consegue direcioná-la de volta pra ela.
“Adele… eu sei que você ainda está triste por causa da Srta. Krinsky. Tudo bem; é natural ficar triste quando alguém que você ama morre. Eu entendo isso. Mas, por favor; Adele… você tem que ser forte agora… por favor… Nadine vai precisar de você lá por ela…” Ela faz uma pausa por um momento; respirando fundo antes de terminar, “Eu preciso que você esteja lá por ela. Por favor… por favor, esteja lá por ela… eu estou implorando.”