Capítulo 104
Winnie murmurou baixinho, "Meus joelhos estão doendo um pouco..."
Van riu levemente, a soltando e ajeitando a gola da camisa dela. "Vai dormir."
O colchão de ar fazia uns barulhinhos com os movimentos dela, e o frio da noite foi entrando aos poucos, contrastando bruscamente com o calor dentro da barraca. Winnie se embrulhou na coberta de penas, com as bochechas coradas, traindo o nervosismo dela. Com uma voz baixa, ela perguntou, "Posso pegar seu celular emprestado? Queria ligar pra minha Mãe."
Van não fez objeção e entregou o celular pra ela casualmente.
Enquanto ela pegava o celular, uma pontinha de hesitação passou pela mente dela. Era o aniversário dela, mas ela não tinha conseguido voltar pra casa por causa de várias coisas. Pelo menos, ela sentia que devia avisar à Mãe dela que ela estava bem. Ela discou o número da Ruby.
Quando Ruby viu uma ligação de Las Vegas, ela achou que era golpe e atendeu com um tom desconfiado. Mas ao ouvir a voz da Winnie, a preocupação dela ficou evidente. "Por que seu celular está desligado? Você está viajando pra fora?"
Winnie respondeu honestamente, "Perdi meu celular. É de um amigo."
Ruby suspirou, "É o seu dia, e depois de levar aquela bronca, eu nem consegui falar com você. Esquece de mim—a Yulia está morrendo de preocupação."
Winnie franziu a testa um pouco e perguntou, "Quem está me dando bronca? Não faço ideia."
Ruby suspirou de novo, "Você entrou na internet? Explodiu—um monte de gente te criticando."
Tentando entender tudo, Winnie navegou pelo celular do Van e abriu alguns posts. Ela foi bombardeada por um monte de artigos de fofoca acusando a Mia de roubar um papel dela. Mas, estranhamente, ninguém estava culpando a Mia. A expressão dela ficou sombria quando ela começou a juntar as peças. Os artigos miravam nela, mas a origem da tempestade não parecia simples. Os comentários eram cruéis, acusando-a de ter conluio com o David e de usar táticas sujas. Alguns até diziam que os métodos dela eram tão desonrosos que não tinham salvação.
A cara da Winnie congelou por um momento. Van percebeu e franziu a testa um pouco, com a voz grave de preocupação. "O que aconteceu?"
"Eu..." Winnie franziu a testa profundamente, com um tom cheio de desamparo. "É uma longa história, Sr. Marlowe. Deixe-me fazer essa ligação primeiro."
David tinha acabado de ter uma discussão acalorada com a Mia e estava surtando furiosamente com o Wyatt quando a ligação chegou. Sem hesitar, ele recusou.
Depois da terceira tentativa, ele finalmente atendeu com frustração. "O que você quer?"
"Sou eu." A voz da Winnie estava calma, mas carregava uma firmeza inabalável.
David congelou por um momento, com o tom suavizando imediatamente. "Winnie?"
"Explica," a voz dela era firme, quase sem emoção.
"Você viu?" David perguntou ansioso.
"Perdi meu celular e acabei de ter a chance de olhar. Agora eu sei," Winnie respondeu, com as palavras tingidas com uma pitada de sarcasmo. "Você tem algo a dizer pra si mesmo?"
"Não fui eu. Você acredita nisso?" David respirou fundo, falando apressadamente. "Foi o Wyatt. Acabei de detonar a Mia por isso. Ela tem uns contatos com o Wyatt, e eu nunca esperava que ele usasse o nome dela pra fazer essa palhaçada."
Winnie ficou em silêncio por um bom tempo.
"Me escuta," David continuou, "já paguei pra tirarem isso do ar. Não se preocupe com isso. Aproveite seu aniversário."
"Você se lembrou do meu aniversário?" Winnie riu suavemente, com o tom leve, mas carregando um traço de amargura.
"Feliz aniversário, Winnie. Não importa o quê, eu nunca faria isso com você."
"Não faria?" A voz dela permaneceu calma, mas cada palavra era afiada como uma lâmina. "Isso não foi orquestrado há muito tempo? Jogar isso no meu aniversário—é eficaz, não é? Os fãs da Mia devem estar radiantes."
"Winnie, não adianta falar isso. A empresa tem sua estratégia. E nosso relacionamento..."
Winnie soltou uma risada suave, interrompendo-o. "O relacionamento de que você está falando—doze anos—é o suficiente pra te comprar alguns carros de luxo?"
"Não se esqueça," David disse depois de uma pausa, com o tom grave e pesado, "quando seu transtorno bipolar estava no pior, quem ficou do seu lado? Quem continuou lutando por você, consertando suas relações com as marcas? Por dois anos, eu estive lá, mesmo quando você tentou acabar com sua vida—eu não desisti de você."
"David, você está falando muito alto," Winnie piscou lentamente, com os lábios curvando-se em um sorriso fraco e frio. "Se eu não me lembrasse de tudo isso, você acha que eu teria feito aqueles filmes terríveis de novo e de novo? Ou te ajudado a contratar novos atores e aparecer naqueles programas de variedades sem sentido que você criou?"
David pareceu sentir o tremor no tom dela, embora a voz dela permanecesse firme e calma, como água parada.
Ele finalmente suspirou, "Não vamos tocar nisso, ok? Eu não vou te machucar. Faça o que você quiser—siga a arte enquanto você é jovem. Não deixe seus fãs te esquecerem."
Winnie abaixou a cabeça, uma lágrima escorrendo pela bochecha. Mas ela continuou sorrindo, controlando suas emoções. "Estou bem, como sempre." A voz dela era composta e precisa, mas carregava um tom de dor indizível.
David não disse mais nada, mas enquanto Winnie falava, ele não conseguia se livrar de uma vaga sensação de desconforto. Ele sentiu que tinha perdido algo—perdido um ponto crucial na vida dela, embora não conseguisse identificar o que era.
A penalidade de 130 milhões por quebrar o contrato pairava na mente da Winnie. Ela disse que estava bem, e David acreditou nela.
Depois de desligar, lágrimas caíram silenciosamente dos olhos dela. Ela respirou fundo, então entregou o celular de volta ao Van. "Desculpa por você ter que presenciar isso."
"Então você também consegue ficar com raiva," Van disse, sentado perto da janela. Ele se aproximou para enxugar gentilmente as lágrimas do canto dos olhos dela. "Mas chorar quando você está com raiva? Você só está se machucando no final."
Winnie não conseguiu evitar a risada. "Meu agente... aquele homem."
Ela soltou um suspiro, com os olhos tingidos com uma leve tristeza. "Ele ama dinheiro mais do que eu. Nos conhecemos há tanto tempo—ele era só um assistente pequeno, e eu era uma atriz novata. Na época, a gente contava as taxas de lançamento em seu pequeno apartamento alugado, pensando que o futuro estava cheio de esperança."
Ela engasgou com um pequeno soluço e continuou, "Sr. Marlowe, as pessoas sempre mudam, não é?"
Van não respondeu imediatamente. Ele entendeu que a Winnie não estava procurando uma resposta agora.
Depois que ela enxugou as lágrimas, ele perguntou gentilmente, "Ouvi o nome do Wyatt antes. Ele ainda está te dando problemas?"
"Ele... pegou um carinho por uma garota com quem você dançou uma vez. Não tenho certeza se é ele causando os problemas ou se é só que eu e aquela garota não nos damos bem."
"Entendi," Van respondeu nonchalantemente. "Ele enviou algumas propostas comerciais pra mim, esperando colaborar. Vou pensar sobre isso."
"Você é tão mesquinho," Winnie disse com uma risada, enxugando as últimas lágrimas.
Van sorriu fracamente e bateu na testa dela levemente com a ponta do dedo. "Você já ouviu falar do povo Maasai? O rito de passagem deles para a idade adulta envolve caçar um leão sozinho, encerrando decisivamente a vida do animal. Se um bando de leões caça sua presa da mesma maneira, eles também ganham respeito. É chamado de—uma morte honrosa."
"Uma morte honrosa," Winnie repetiu, com um pequeno sorriso se formando em seus lábios. "Hoje à noite, sou sua aluna."
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Eram 3 da manhã em casa.
O jornalista recebeu uma ligação de Las Vegas.
"A casa do Wyatt fica na Ninth Avenue, no complexo Aurora Gardens, segundo prédio. É provável que a Mia esteja ficando lá recentemente."
"Quem é?" O jornalista não conseguiu identificar a voz.