Capítulo 42
Wyatt tava no carro fumando, olhando pra Yulia de cima. "Bom dia."
Uma saudação tão casual deixou Yulia sem palavras por um momento. Ela perguntou rápido: "Cê tá procurando a Winnie?"
"Abre a porta primeiro", Wyatt mandou.
Yulia correu de volta pro carro, e assim que Winnie acordou, ela ouviu a Yulia dizer: "Como o Wyatt chegou aqui? Ele deve ter descoberto pela empresa."
O portão elétrico abriu devagar, e o SUV entrou. Yulia virou o volante e seguiu meio devagar.
O olhar da Winnie ficou fixo na parte de trás do carro do Wyatt por um tempão. Eventualmente, ela suspirou, os ombros caíram. "Deixa pra lá. Só liga pra ele e diz pra usar máscara."
Enquanto Yulia estacionava o carro, ela ligou pro Wyatt e contou. Do outro lado, ele só respondeu com um "ok". Um momento depois, quando ele saiu do carro, ele não só tava usando máscara, mas também um boné de baseball, todo vestido de um jeito bem pé no chão. Se ele ficasse do lado da Winnie, as pessoas provavelmente iam confundir ele com o segurança dela.
"Você tá tão cooperativa hoje", Yulia murmurou. "Normalmente você é bem exigente com as aparências, mas hoje tá tão discreta."
Wyatt chegou perto do carro, e vendo a Winnie sentada lá dentro com um travesseiro no pescoço, máscara e cabelo solto, ele não conseguiu segurar a risada. "É o equipamento completo, ou você simplesmente desistiu?"
Mas essa foi a primeira vez que ele viu esse lado pé no chão da Winnie. Toda vez que ela aparecia, ela tava sempre impecável, e mesmo sem maquiagem, ela ainda parecia limpa e elegante.
"Não sei se você já arranjou alguém pra tirar fotos de novo", Winnie disse devagar. "O carro é novo, a casa é nova. Se vazar, só posso suspeitar que você passou a informação para os paparazzi."
"Pra você ter um lugar tranquilo, depois de cada gravação, você tem que ir pro seu apartamento no centro, fazer um showzinho, trocar de carro, e depois vir pra cá. Você é tão metida, como eu ia ousar...?" Wyatt explicou.
"Você é alguém que ousa fazer qualquer coisa", Winnie rebateu, se recompondo e levantando o rosto pra sorrir pra ele, mostrando o lado gentil dela que o Wyatt conhecia.
Ela ainda não conseguia vencer o Wyatt. Não importa o quanto ela tentasse, com todo o charme e esforço, ela só conseguia se proteger por pouco. Se ele realmente a quisesse, o que ela faria? Ela ainda tinha coragem pra enfrentar tudo com todas as suas forças, mesmo que isso significasse uma cena sangrenta. Mas a segunda pergunta era muito mais difícil. E se ele não a quisesse e só quisesse arruiná-la?
A luz do sol entrava pela janela, criando sombras que se moviam, deixando o carro insuportavelmente quente. De repente, Winnie sentiu um arrepio. A equipe de mídia do Wyatt podia facilmente distorcer qualquer história, e como estrela e mulher, Winnie sabia que ia ficar completamente destruída. Um pensamento passou pela mente dela, como uma manchete: Crise no Casamento de Wyatt Provavelmente Causada pelo Caso de Winnie.
Uma mulher acusada de ser amante não consegue provar sua inocência. Ela não podia derramar sangue ali mesmo porque aquele tipo de destruição era silenciosa, mas tão avassaladora quanto um tsunami. Virava tudo de cabeça pra baixo, sem deixar escapatória.
Wyatt viu através dela. Sua clareza, sua resiliência, seu orgulho - tudo isso a tornava linda e frágil, e sua máscara parecia quase teatral.
Ele olhou pra ela como se estivesse vendo uma boneca dentro de uma caixa de música - constantemente sorrindo e girando, mesmo quando seu coração estava chorando. Ele admitiu, não havia nada mais satisfatório do que ver uma mulher como Winnie permanentemente congelada dentro de uma vitrine de vidro.
"Você ainda tem medo de mim", ele disse, seu olhar suavizando enquanto ele olhava pra ela com uma curiosidade fraca. "Se ele tá te protegendo, você não deveria ter medo de nada."
Os cílios da Winnie piscaram um pouco, tirando-a do breve momento de pânico. "Quem?"
Dessa vez, Wyatt não conseguiu dizer se a confusão dela era verdadeira ou não. Ele não respondeu. Em vez disso, ele abriu a porta do carro. "Eu quero conversar com você."
O motor ligou de novo, e só então ele falou. "Você não precisa ficar nervosa. Eu não quero me meter com o Sr. Marlowe."
Winnie congelou por um momento, e sua voz ficou fria e distante. "Eu não sei do que você tá falando. Eu só encontrei o Sr. Marlowe uma vez."
Wyatt sorriu fraco, então começou a contar pra ela uma história sobre uma amiga dele.
"Minha amiga era amante, mantida de lado por mais de dez anos. Uns dois anos atrás, eles terminaram. Ela teve um pouco de paz por alguns meses, então outro amigo meu pegou ela. Esse amigo tem sessenta e oito anos, e engravidou ela. Mas o bebê não sobreviveu - foi um aborto espontâneo."
Wyatt acendeu um cigarro, abaixou a janela do carro, e deixou a brisa fresca das montanhas à beira-mar entrar.
"A mansão dela vale mais de 60 milhões, e mesmo que ela vivesse como amante por toda a vida, ela não conseguiria pagar. Ela tem quatro empregados cuidando dela, e até o vaso sanitário tem que ser limpo com um cotonete todo dia. A comida e os produtos que ela usa nas refeições diárias são coisas que você não encontra no mercado. A menor despesa que ela tem é com os tratamentos estéticos. Uma vez, numa conversa casual, ela me disse que as despesas mensais dela são de cerca de cem mil dólares, sem contar as compras."
"Ela é muito exigente. Gastar mais de um milhão de dólares por mês é totalmente normal pra ela. Pode parecer muito, mas em um ano dá pouco mais de 10 milhões de dólares. Pra 99 por cento da população mundial, eles nunca vão ver esse tipo de dinheiro na vida. Mas para o um por cento do topo, gastar 10 milhões de dólares por ano é considerado frugal. Winnie, você já viu o mundo, então você deveria saber como funciona."
Winnie de repente sentiu um arrepio.
Ela perguntou sem emoção: "O que você tá querendo dizer?"
Wyatt encostou na janela, sacudindo a cinza do cigarro. "Quando uma pessoa se acostuma com um certo estilo de vida, é difícil mudar. Ela vive assim há mais de uma década. Você quer que ela pegue o próprio dinheiro e viva numa pequena vila que vale só um milhão ou pouco mais, contrate duas empregadas, compre um carro de cem mil, namore um cara da academia ou um ídolozinho. Esqueça a adaptação; quando ela encontra velhos amigos numa loja, ela tem que esperar do lado de fora enquanto eles limpam a cena. Na rua, ela nem consegue levantar a cabeça."
Winnie nem olhou pra ele. "Essa foi a escolha dela. Todo mundo tem suas próprias ambições. Você não precisa me ensinar."
Ele olhou pra ela, com os olhos frios, como se pudesse ver através dela. "Uma pessoa não precisa ser inútil pra sobreviver."
"Sr. Robinson", Winnie disse, com a voz fria. Ela respirou fundo algumas vezes, controlando o tremor na voz, e falou com decisão: "Eu já disse, não tenho nenhum relacionamento com o Sr. Marlowe."
"Ele mandou o relógio de bolso que você jogou fora de volta pra mim, junto com uma mensagem: O relógio de bolso deve ser devolvido ao dono. Quanto à mulher, ele vai protegê-la." Wyatt zombou: "Você não entende isso, né? Quando você quer manter uma borboleta, você não precisa se preocupar com os pensamentos dela. Uma borboleta linda e delicada - se você beliscar as asas dela, ela vai estar meio morta."
"O Sr. Marlowe não faria isso", Winnie disse com teimosia, o rosto pálido sob a luz do sol. "Ele não me contou porque achou que era uma bobagem. Ele não queria que eu me sentisse estranha ou que achasse que eu deveria agradecer a ele."
Wyatt pareceu achar engraçado e riu ainda mais. "Sinto que te levei pra conhecer a pessoa errada. Você sabe? Essa mulher, carregando o filho de um homem de sessenta anos, foi vista por ele como fingindo ser pura, planejando se tornar sua esposa. Agora, esse velho sumiu, levando a si mesmo e seu dinheiro, deixando tudo para trás."
Winnie ouviu quieta. Ela podia ouvir o sarcasmo, as insinuações, a zombaria de suas fantasias.
"Wyatt", ela o chamou sem emoção. "Eu vou dizer de novo: Eu só encontrei o Sr. Marlowe uma vez."
O sorriso de Wyatt desapareceu, e pela primeira vez, ele estava completamente sério. "Se você estiver disposta a ficar comigo, podemos nos casar amanhã. Quer tornar público, vamos tornar público. Se você quer um casamento secreto, podemos fazer isso também. Sem necessidade de um acordo pré-nupcial. Daquele momento em diante, ninguém da indústria do entretenimento vai poder tocar em você."
Winnie nem pensou nisso. Fria, robótica, ela perguntou: "E se eu não quiser?"
"Então, eu te desejo uma jornada tranquila como amante."
"Ele não vai fazer isso."
O sorriso de Wyatt era profundo e frio, mas havia um tom vitorioso, quase cruel, em suas palavras. Ele falou devagar, deliberadamente. "Ele vai."