Capítulo 9
A Winnie ficou super sem graça e explicou, "Ele é um pegador, e eu achei que ele tava só usando a roupa na zoeira, ou... sei lá, tipo, num lance aberto."
Ela não tava entendendo por que o Wyatt precisava trazer à tona essa parada antiga e sem graça. Tipo, ela não tinha experiência com isso – como ela ia ter ficado com ele, de repente?
O Wyatt abaixou a cabeça e olhou pra ela: "Quando eu tava casado, por que eu não te vi dando em cima de mim?"
O coração da Winnie disparou, em choque, quando ela ouviu aquele meio sorriso na voz do Wyatt, fazendo a próxima pergunta, "Aê, você acha que eu não sou tão gato quanto ele, ou você se acha a moralista comigo?"
Até um idiota ia sacar a inveja e a raiva do Wyatt.
Convidando ela pra ser a acompanhante dele sem avisar, obrigando ela a trocar de roupa na última hora, e a estreia global exclusiva do vestido de alta costura – tudo isso foi pra mostrar quem manda na frente do Edison. A Winnie de repente entendeu, e o coração dela afundou – o Wyatt tinha pirado de vez. Ele achava MESMO que ela era dele!
O Wyatt gostava da inteligência dela, mas detestava a inquietação e a arrogância. Ele olhou frio pro cara do lado do Edison, e então sorriu amargamente. Ele não esperava que, depois da pequena punição de deixá-la na chuva, ela fosse encontrar uma brecha e ficar grudadinha em outro cara poderoso.
"Como você veio com ele?" O Wyatt não falou o nome de ninguém direto, mas os dois sabiam de quem ele tava falando.
A Winnie falou a real, "Eu sei que você não vai acreditar em mim, mas você me deixou sozinha, e eu esbarrei com ele. Ele disse que tava perdido, aí eu trouxe ele pra dentro."
O encontro deles na chuva, o gesto de oferecer o guarda-chuva, e o toque da mão dele roçando o perfume delicado do xale dela – a Winnie não falou nada sobre isso.
O Wyatt ficou quieto enquanto eles andavam, parecendo estar pensando na credibilidade das palavras da Winnie.
Quanto mais perto eles chegavam do apresentador, mais forte o coração da Winnie batia, sei lá porquê. O pé da taça de champanhe dela tinha esquentado, e as palmas das mãos e os dedos dela estavam tão suados que ela quase não conseguiu segurar a taça de cristal delicada.
Quando eles finalmente pararam, o Van terminou a conversa com a pessoa do lado dele, virou a cabeça, e o olhar dele encontrou o da Winnie rapidamente, seus olhos baixando suavemente pra ela.
O Wyatt primeiro brindou com o Edison e trocou umas gentilezas, "Quanto tempo."
Depois de um toque de ombro rápido, ele naturalmente virou pro outro lado e levantou a taça pro Van, perguntando, "E esse é...?"
Ele, claro, sacou quem era, só tava esperando o Edison fazer a apresentação. O Edison tava quase falando, mas o Van foi mais rápido, com um sorriso casual no canto dos lábios: "Primeiro as damas, que tal você apresentar a única dama aqui?"
O Wyatt hesitou por um momento, então colocou o braço nos ombros da Winnie. "Essa é a Srta. Winnie Loxley," ele disse, então, brincando, perguntou, "Vocês dois vieram juntos, mas parece que nem se conhecem?"
Só então o Van realmente se dirigiu a ela, falando, "Oi, Srta. Loxley."
Que falta de educação – ele sabia o nome dela o tempo todo, mas esperou a apresentação formal antes de se dignar a falar com ela direito.
A Winnie assumiu que a fama dela não era tão grande assim, por isso que o cara não a reconheceu. Ela forçou um sorriso falso e bonitinho, pronta pra trocar umas palavras, mas antes que ela pudesse falar, ela ouviu uma voz grave e profunda do outro lado da sala, elogiando friamente, mas calmamente, ela, "Você tá incrível hoje à noite."
Ouvir elogios sobre a aparência dela era algo que a Winnie ouvia cem vezes por dia, e não tinha por que ela corar só por causa das palavras "incrível."
Mas o rosto dela realmente esquentou, e ela se sentiu meio perdida, como se fosse a primeira vez que alguém a elogiava.
O Wyatt olhou pra ela com olhos carinhosos, e, querendo ou não, ele gentilmente colocou a mão na curva da cintura da Winnie, sussurrando, "Você não vai agradecer a ele?"
A Winnie congelou, a respiração instável, fazendo o champanhe na taça dela tremer.
"Obrigada..." ela gaguejou, "...você realmente tem um bom olho."
Foi a primeira vez que o Van riu durante a noite. Ele sorriu levemente, abaixou o olhar e estendeu a mão. Seus olhos passaram pelos outros, fixando-se nos dela com um olhar significativo. "Prazer em conhecê-la, eu sou o Van Marlowe."
O sorriso forçado da Winnie sumiu na hora, e ela congelou no lugar.
Sr. Marlowe?
Pode ter um monte de gente chamada Van Marlowe no mundo, mas não tinha outro Van Marlowe que pudesse fazer uma entrada dessas – sempre o último a chegar, guarda de segurança abrindo caminho, e todo mundo babando por ele.
Foi só quando o Van fez um gesto sutil com o queixo que ela acordou do transe, igual uma idiota, e pegou na mão dele.
A mão dele era larga e seca, só fazendo ela se sentir mais constrangida, pois sua palma ficou ligeiramente úmida, como se houvesse algo culpado em seu coração.
Mas do que ela era culpada? Espalhar boatos de que esse jovem mestre era "feio"? Aquilo provavelmente não era um crime que valesse a morte, né?