Capítulo 84
Becca, uma supermodelo nascida no México, tinha acabado de anunciar a aposentadoria dela no ano passado. Ela tinha usado as asas gigantes da Victoria's Secret e deixou o nome dela nas passarelas de moda mais famosas do mundo. Ela era uma das lendas da moda da geração dela.
Quando Becca viu Winnie, ela instantaneamente sorriu ainda mais, a voz dela cheia de surpresa, "Meu Deus! É você! Eu vi o seu filme, The Love Letter, né?" Ela tava tão animada que quase tapou a boca.
Winnie fez uma pausa por um momento antes de perceber—a Becca tava falando do filme de estreia dela, The Love Letter, que tinha sido a primeira vez dela nos festivais de cinema internacionais.
"Você tá totalmente diferente de antes. Mas claro, você era só uma menininha naquela época", ela disse isso com um toque de nostalgia e zoação, o sorriso dela era quente e amigável.
Sério, quando ela entrou na indústria do cinema com 17 anos, ela ainda tinha bochechas de bebê, parecendo jovem e inocente.
A galera andou pelo deck em direção à cabine, e a conversa foi mudando aos poucos pra um tom mais relaxado. A cabine era espaçosa e luxuosa, com um tapete macio perto da escada em espiral que parecia que você estava andando nas nuvens. Umas luminárias penduravam, jogando uma luz quente. Apesar de já ser tarde da noite, a música não tinha parado, e a vibe da festa ainda tava bombando.
No centro da sala de estar tinha um piano de cauda Steinway preto, com vários convidados conversando quietos perto da área de apresentação. O segundo andar era a zona de entretenimento, com cinema, spa, academia, e também uma sala de cartas e um escritório. O terceiro andar do iate era onde ficavam os aposentos privados luxuosos, com cinco suítes master no total. Winnie e Sr. Marlowe foram colocados em uma delas.
Winnie seguiu o Sr. Marlowe para dentro do quarto, e ao ver a decoração extravagante, ela ficou sem palavras por um instante.
Ela não conseguiu esconder a surpresa e virou pro Sr. Marlowe, o tom dela com um pouco de insatisfação: "Esse iate é tão grande, não tem—"
"Não", o Sr. Marlowe interrompeu ela breve e diretamente.
Só iates com mais de 300 pés de comprimento podem ser chamados de "superiates", e esse barco era exatamente um deles. A estrutura massiva dele acomodava um heliponto, uma piscina, lanchas, jet skis, e até espaço pra 150 membros da tripulação, mas não tinha uma sexta suíte pra convidados. Pra esses donos ricos, iates privados não precisam de muitos convidados.
O Sr. Marlowe entrou na sala de estar, tirando a jaqueta do terno dele de um jeito casual e enrolando as mangas da camisa dele. Ele foi pra pia, ligou a torneira dourada, e deixou a água limpa escorrer suavemente pelos dedos longos dele.
'Vai ter outros convidados entrando mais tarde hoje à noite. As cinco suítes já estão reservadas", ele explicou.
Winnie franziu a testa. 'Eu não preciso ficar numa suíte."
O Sr. Marlowe olhou pra ela, um sorriso leve aparecendo nos lábios dele. 'O que você tá pensando? Se não for uma suíte, você podia ficar na cabine interna com Eric e a tripulação."
Winnie fez beicinho, claramente infeliz. Mas o Sr. Marlowe não pareceu ligar. Ele riu baixinho e continuou, 'Ou, eu podia ficar lá?"
Winnie ficou sem palavras na hora, mas ela pensou consigo mesma que mesmo com toda a coragem do mundo, ela não ia ousar sugerir que ele se mudasse pra aquela cabine interna minúscula.
"Do que você tá com medo? Eu te falei, não é como se eu pudesse fazer alguma coisa", o Sr. Marlowe disse com um ar de indiferença, um sorriso leve no rosto dele enquanto ele secava os dedos e afrouxava a gravata dele.
"Um homem pode usar outras ferramentas", Winnie rebateu, um sorriso de canto nos lábios.
O Sr. Marlowe não conseguiu evitar de olhar pra ela e pra o que ela falou. As mãos dele—normalmente reservadas pra escrever, virar páginas, ou dirigir um barco à vela—agora estavam descansando levemente numa toalha branca. Os dedos longos e finos tinham um certo charme.
Winnie se endireitou na hora, as bochechas dela rosadas. 'P-por que você tá olhando pras suas próprias mãos?"
'Eu não posso olhar pras minhas mãos?" O Sr. Marlowe levantou as sobrancelhas levemente, sorrindo enquanto ele lentamente começava a afrouxar a gravata preta dele. 'Qual o problema com as minhas mãos?"
'M-mãos…" Winnie gaguejou, o coração dela acelerado, o rosto dela totalmente vermelho.
O Sr. Marlowe assentiu elegantemente. 'Entendido. Valeu pelo lembrete." O tom dele continuou zombando, um brilho travesso nos olhos dele.
De repente, a batida alta de uma porta quebrou a tensão.
Winnie, frustrada, deu um tapa leve na própria boca. 'Por que eu não consigo ficar de boca fechada?!"
A última vez que ela bateu a porta de um carro com raiva, a decisão dela mal durou um segundo antes de ela ceder. Mas dessa vez, pareceu que o Sr. Marlowe não tinha a intenção de deixar ela escapar tão fácil.
Um momento depois, ele tava parado do lado de fora da porta, a expressão dele uma mistura de exasperação e diversão com um sorriso pequeno nos lábios.
Acendendo um cigarro com um clique suave, ele bateu na porta do quarto suavemente. 'Sabe, eu posso ter uma solução."
De dentro, a voz da Winnie veio com uma pitada de irritação nasal. 'Que solução?"
O Sr. Marlowe deu uma tragada lenta no cigarro, o sorriso dele desaparecendo em algo mais calmo. 'À noite, você podia me amarrar."
'Sr. Marlowe!" Winnie gritou, batendo na porta com fúria.
O Sr. Marlowe riu, soltando uma baforada de fumaça suavemente. 'Beleza, chega de piadas. Eu tô muito cansado. Me deixa entrar, tá?"