Capítulo 49
A Winnie manteve a pose, sorrindo numa boa enquanto olhava pro Van, esperando a resposta dele.
A expressão do Van não entregou nada, e ele respondeu de boas: "Como você soube que eu fui num encontro às cegas?"
A Wendy aproveitou pra se meter e confessar com um tom de brincadeira: "A culpa é minha, Sr. Marlowe. Seu encontro às cegas foi com uma pessoa com quem eu trabalhei antes num evento. Ela tirou uma foto."
Depois de falar, ela fez um sinal de "OK" discreto pra ele, com a cara cheia de travessura e triunfo.
O Van assentiu de leve, os lábios se curvando um pouquinho. "Encontros às cegas são sobre escolhas mútuas. Não importa se eu gosto de alguém; tem que ser recíproco."
"Ela gosta de você", a Wendy disse, "Ela até tá postando no Instagram, pedindo apoio pra todo mundo."
A Yulia entrou na conversa, como se estivesse botando mais lenha na fogueira: "Então é mútuo, né?"
A Winnie deu de ombros, com os lábios formando um sorriso enorme. Inclinando a cabeça, ela falou com uma animação exagerada: "Parabéns, Sr. Marlowe."
O Van deixou a xícara de lado, o olhar descendo junto com os cílios. Depois de uma pausa rápida, ele finalmente falou: "É cedo demais pra parabéns. Ela é muito nova — não combina muito comigo."
A Wendy achou que podia estar imaginando coisas, mas ela sentiu uma pressão pesada e fria no ar. Era profundo e gelado, e só tinha uma pessoa na mesa capaz de emitir essa vibe.
O Eric, sentado do lado dela, deu um toquezinho de leve com o pé embaixo da mesa. A Wendy endireitou na hora na cadeira, com a mente a mil. "Ah, bom..." Ela olhou nervosa pra expressão do Eric, tropeçando nas palavras enquanto meio que adivinhava, meio que especulava, "Sr. Marlowe, você tá indo em encontros às cegas porque tá solteiro há muito tempo ou porque sua família tá te pressionando?"
O Eric tomou um gole do chá e fez um joinha pra Wendy.
A Wendy sorriu e piscou de volta, mas na cabeça dela, ela xingou: Droga.
A troca sutil de microexpressões deles foi interrompida na hora quando o Van olhou pra eles com uma expressão vazia, e os dois pararam de atuar na hora.
O Van então respondeu numa boa: "É porque minha família está me pressionando."
A Winnie continuou tomando sua sopa de mariscos sem levantar a cabeça, a colher de prata tilintando de leve contra a tigela de vidro.
A refeição não dava pra dizer que foi ruim, mas quando acabou, todo mundo inexplicavelmente se sentiu exausto — exceto a Yulia, que simplesmente comentou: "Tô muito cheia."
Não tinha como sair de forma educada logo depois da refeição, nem era apropriado mandar os convidados embora, então todo mundo subiu pra tomar chá.
A essa altura, a Wendy já tinha recuperado a compostura depois de uma noite de caos e rapidamente arrumou uma desculpa pra levar a Yulia e o Eric pro home theater pra assistir um filme.
Todo mundo, exceto a Yulia, sabia que o Van não era chegado em filmes. A Yulia fez um convite: "Sr. Marlowe, não vai com a gente?"
O Eric tomou a iniciativa de explicar: "Ele raramente assiste filmes. Não se preocupa com ele."
Não parecia certo deixar o Van sozinho, então a Winnie se manifestou: "Eu vou ficar com o Sr. Marlowe. Podem ir na frente."
Enquanto a Wendy ia embora, ela trocou um olhar intenso com o Eric, com a expressão quase gritando: Não faço ideia por que tô fazendo isso, mesmo parecendo a coisa certa a se fazer.
O Eric respondeu com um encolher de ombros charmoso, como se dissesse: Não me pergunta.
O home theater tinha sido um investimento caro durante as reformas, com isolamento acústico de primeira. Depois que a porta fechou, era como se eles estivessem isolados em um mundo completamente diferente.
Os dois ficaram na sala de estar enquanto uma corrente de ar passava, com a quietude tão completa que dava pra ouvir o canto dos pássaros.
A Winnie ajeitou o cardigã e convidou o Van pra descansar no escritório. "Vou preparar um chá fresco pra você. Que tal um pouco de Dragon Well chinês?"
O Van assentiu. A Winnie foi pro primeiro andar pra ferver água da fonte. Enquanto esperava a água ferver, ela se encostou no balcão, desejando silenciosamente que a água demorasse.
Ela realmente não fazia ideia de qual era o propósito ou o significado da visita do Van naquela noite. Tudo que ela sabia era que depois de cinco dias sem vê-lo, o rosto dele, a voz dele e a própria presença dele a faziam sentir uma sensação avassaladora de perigo.
Vapor branco subia da torneira, enchendo a pequena área do chá com uma névoa nebulosa. Olhando pro seu reflexo, a Winnie de repente pensou no rosto da mãe dela. A Ruby também tinha sido incrivelmente bonita, mas agora o tempo tinha esculpido suas marcas em seus traços.
A Ruby sempre esperava que a Winnie se ajeitasse com alguém comum, mas rico, alguém como o Wyatt. Mas os olhos da Ruby traíam sua natureza complexa e mundana — calculista, lisonjeira, afiada, cheia de anseios, invejosa. Cada ruga em seu rosto falava das lutas áridas do passado. Talvez ela temesse que, se a Winnie perdesse a carreira, ela também seria manchada pela poeira da sociedade. Mas ela não entendia — a filha dela, a Winnie, não era como ela. A Winnie não compartilhava sua obsessão por materialismo.
A Winnie riu baixinho, sem saber se era pela ironia da vida ou pelo absurdo da verdade.
A água já fervia há um tempão quando uma ligação do David chegou. O David tentou persuadi-la a aceitar um novo projeto, um que daria uma visibilidade pra Mia. A Winnie não atuava em novelas e podia ter recusado de cara, mas, em vez disso, ela fingiu hesitação, fazendo o David continuar falando e se esforçar pra convencê-la, qualquer coisa pra impedi-la de desligar.
No fim, a conversa se arrastou por vinte minutos.
Talvez o Van tenha ficado entediado e relutantemente ido assistir ao filme, ou talvez ele tenha descido procurando por ela, mas optou por não interromper ao vê-la no telefone.
O que a Winnie não esperava era que o Van tivesse dormido.
O ar estava levemente perfumado com flores, e a luminária de chão de latão emitia apenas o brilho mais suave e fraco. Ele estava sentado na cadeira de charuto verde escuro, com a figura afundando em sua estrutura larga. Uma mão descansava frouxamente no apoio de braço, enquanto a outra apoiava a têmpora com o cotovelo.
A Winnie colocou cuidadosamente a chaleira no tapete grosso perto da porta, instintivamente suavizando seus passos.
Quando ela se aproximou, conseguiu ouvir sua respiração lenta e constante. Seus olhos estavam naturalmente fechados, e as sobrancelhas franziam um pouco, como se ele tivesse carregado alguns pensamentos perturbadores para seu sono. As fracas olheiras sob seus olhos indicavam noites inquietas.
Na penumbra das sombras oscilantes, seu rosto estava meio iluminado, meio obscurecido, a interação de sombras profundas e reflexos fracos formando uma silhueta marcante.
Uma corrente de ar entrava de vez em quando, levando a Winnie a pegar uma coberta. Suavemente, ela a desdobrou, com a intenção de jogá-la sobre ele. Ela não esperava o quão alerta ele estava, mesmo dormindo. No momento em que a coberta tocou suas pernas, ele agarrou o braço dela com uma velocidade surpreendente.