Capítulo 106
Ele se esforçou pra manter a pose, mas quando a voz dela chegou nos ouvidos dele, a expressão dele mudou. O olhar dele, que antes era fixo, ficou mais sombrio a cada segundo que passava. A pegada no queixo dela apertou, puxando ela pra perto. Por um momento, o tempo pareceu parar enquanto os olhos deles se encontravam, o ar carregado de tensão. Daí, sem avisar, ele beijou ela—forte e faminto, como se não pudesse esperar mais. O beijo era urgente, as emoções dele finalmente explodindo, jorrando no contato entre eles.
Cada vez que eles se beijavam, ele sentia o corpo dela amolecer, e a respiração dela ficava mais rápida. Foi aí que a Winnie perguntou baixinho, "Sr. Marlowe... você se sente torturado?"
O Sr. Marlowe respondeu com uma pergunta, a respiração pesada, "Como você se sente?"
"Você não é... daquele tipo?" Ela hesitou, percebendo que tinha perguntado algo inapropriado, o tom dela ficou incerto.
O Sr. Marlowe franziu a testa, um traço de diversão estranha brilhando nos olhos dele. "E daí?"
"Então..." Ela mordeu o lábio, "Toda vez que a gente... assim... você se sente torturado?"
O Sr. Marlowe ficou momentaneamente chocado, um sorriso indefeso curvando os lábios dele.
"Eu quero ver," a Winnie falou de repente, a voz dela leve.
"Ver o quê?" A voz do Sr. Marlowe era baixa, parecendo confusa com as intenções dela.
Ela reuniu coragem, falando baixinho, "Eu quero tentar ver se consigo te ajudar."
O coração dele apertou, mas o rosto dele continuou calmo, embora o fogo nos olhos dele quase o consumisse. Se esforçando pra se controlar, ele disse friamente, "Vá dormir. Não se preocupe com isso."
A Winnie inclinou a cabeça, a voz dela suave. "Então eu quero ver sua tatuagem."
"Não vale a pena ver," o Sr. Marlowe murmurou, a voz dele ainda calma.
"Por que você não me deixa ver? É porque é feia?" A Winnie fez beicinho, parecendo estar zoando com ele.
O Sr. Marlowe franziu a testa levemente. "Não é."
"Então o que é? É algum desenho estranho?" A Winnie insistiu, a curiosidade aguçada. "Tipo... palavras?"
O Sr. Marlowe olhou pra ela, um sorriso zombeteiro se formando no canto da boca dele. "Não, você tá pensando demais nisso."
A Winnie saiu de baixo das cobertas, começando a procurar pelos objetos pequenos na mesa. "Eu definitivamente vi isso mais cedo..."
O Sr. Marlowe levantou uma sobrancelha. "O que você tá procurando?"
"Achei!" ela exclamou animada, seguida por um som suave.
"O que você tá fazendo?" O Sr. Marlowe perguntou friamente.
A Winnie riu e balançou a cabeça. "Não precisa acender a luz, é muito brilhante. Tô com medo de ver algo que você não quer que eu veja."
A barraca imediatamente mergulhou na escuridão, deixando apenas os sons ocasionais do vento e os rosnados distantes de animais lá fora. O coração do Sr. Marlowe se agitou um pouco, mas ele ainda tentou permanecer calmo, um sorriso fraco e indefeso aparecendo no canto dos lábios dele. "Brincar com fogo não é seguro."
A Winnie fingiu agir inocente, perguntando, "Você tá com medo?"
O Sr. Marlowe só conseguiu responder sem jeito, "Para de palhaçada."
Aproveitando a oportunidade, ela se aproximou com cuidado, os dedos dela tocando o isqueiro pra produzir uma pequena faísca, o som fraco cortando a quietude. A chama iluminou o rosto dela levemente virado.
O Sr. Marlowe respirou fundo, alcançou, e pegou o isqueiro da mão dela, acendendo gentilmente. Ele disse calmamente, "Deixa que eu cuido disso."
A Winnie observou ele em silêncio, o coração dela cheio de expectativa. A luz bruxuleante projetava sombras nos rostos deles, mas todo o silêncio e calma pareciam ser engolidos por aquele brilho fraco em um instante.
A Winnie, com dedos delicados e finos como caules translúcidos, pressionou a linha da cintura dele ainda mais, seguindo a orientação do polegar dele.
Ambos fingiram se ignorar.
Eles estavam deliberadamente ignorando.
Ignorando a sombra erguida e firme sob o pequeno script.
O Sr. Marlowe sempre acreditou com confiança que era uma pessoa com forte autocontrole.
A ex-namorada dele, Ada, era uma mulher chinesa nascida na Grã-Bretanha que, mais devotamente do que muitos europeus, aderiu ao catolicismo. Ela se recusava firmemente a qualquer forma de intimidade antes do casamento. Isso não se limitava apenas ao ato final, mas incluía quaisquer ações que pudessem levar a isso. Eles namoraram por dois anos, e o Sr. Marlowe sempre a respeitou, nunca cruzando nenhuma barreira. Um pequeno jornal em Las Vegas se referiu a ela como "pura e impecável, perfeitamente pronta para o casamento". Embora essa descrição carregasse uma implicação um tanto vulgar, não era totalmente infundada.
Pra ser sincero, a figura da Ada talvez não tivesse as mesmas curvas que a da Winnie, mas de forma alguma era inferior; ela só era mais magra. Aquele corpo esguio tinha seu próprio encanto único, dando a ela um charme distinto. O Sr. Marlowe acreditava firmemente que não era o tipo de homem que perderia o controle sobre a aparência de uma mulher.
Na verdade, a Ada usava olhares provocadores ou pequenos gestos brincalhões às vezes, insinuando que ele poderia afrouxar sua resolução e ultrapassar algumas barreiras aparentemente inofensivas. Mas toda vez, o Sr. Marlowe a rejeitou firmemente.
Não era que ele tivesse uma forte restrição moral, mas quando ele olhava nos olhos da Winnie, ele via uma tentação que tornava difícil resistir. Especialmente quando ela se inclinava um pouco, a respiração dela roçando o rosto dele, isso despertava uma onda repentina de desejo dentro dele.
Aquele desejo era como um raio, incontrolável e implacável, varrendo-o sem aviso.
A chama do isqueiro tremeluzia fracamente, produzindo um som suave de crepitação.
O pequeno brilho iluminava apenas um espaço estreito, projetando uma luz fraca no abdômen do Sr. Marlowe. O brilho alaranjado dançava sobre a pele dele, lançando seu reflexo no rosto ligeiramente inclinado da Winnie, delineando suas sobrancelhas e olhos macios, o nariz delicado e a curva tenra dos lábios dela. Naquele instante, o rosto dela parecia estar envolvido em um calor suave e purificador.
A escuridão na barraca era misturada com uma pitada de frio, um arrepio que parecia vir das planícies distantes e congelantes. Mas o que a Winnie sentiu foi o calor da respiração contra o rosto dela, espessa e intensa. Cada uma de suas respirações parecia ser atraída por alguma força invisível, cheia da tensão dos hormônios.
"Qual é a sua tatuagem?" A Winnie engoliu em seco, perguntando casualmente, tentando mascarar o leve desconforto que sentia, fingindo estar calma. A leve engolida dela, no entanto, soou como uma provocação profunda nos ouvidos do Sr. Marlowe, impossível de ignorar.
O tecido esticou com força, e a Winnie sentiu uma dor aguda.
O Sr. Marlowe abaixou a cabeça, mal segurando a respiração instável. "É grego antigo. Vou te mostrar amanhã."
"Dói?" A Winnie inclinou a cabeça para trás, a luz do fogo tremeluzindo nos olhos dela.
O Sr. Marlowe abaixou o olhar ligeiramente, os olhos dele profundos. "Tá tudo bem."
Os dedos da Winnie roçaram o cinto de couro preto escuro, puxando-o habilmente.
Ela prendeu a respiração, o coração dela pulando uma batida, e uma luz confusa brilhou em seus olhos.
O Sr. Marlowe soltou o interruptor do isqueiro, e a pequena luz piscou uma vez antes de desaparecer na escuridão crescente.
Tudo caiu em silêncio, e o espaço ao redor foi engolido pela escuridão.