Capítulo 111
A Winnie de repente sentiu que, naquele homem que normalmente era calmo, parecia haver uma emoção sutil, quase imperceptível, escondida nas suas palavras.
"Sr. Marlowe, você já teve um cavalo?" ela perguntou baixinho.
O Van sorriu de leve. "Tive. Chamava-se 'Sombra Negra', todo preto, com uma pequena mancha branca na testa. Foi um presente no meu sexto aniversário."
Não precisava perguntar mais nada. A Winnie baixou a cabeça, os olhos escurecendo. Sentiu a brisa da noite e o cheiro da relva, sentindo que o pônei já tinha se acostumado com o ambiente ali - como se estivesse em casa, na Inglaterra.
O Van inclinou-se um pouco para a frente e puxou-a para os seus braços. "Estou te dando um presente, por que está sentimental?"
A Winnie sentiu uma onda de calor perto da orelha quando ele gentilmente esfregou a orelha dela.
"Quer voltar, ou ficar?" ele perguntou.
Para ela, essa pergunta parecia quase impossível de responder.
"Voltar," a Winnie respondeu baixinho.
"O carro e o motorista já foram. Parece que vai ter que ficar," disse o Van com uma risada leve.
Assustada, a Winnie olhou para cima, como se entendesse alguma coisa.
O Van baixou a cabeça e beijou os cílios dela levemente. "Fique."
O Eric já tinha preparado um quarto de hóspedes lá em cima.
O Van graciosamente acompanhou-a até o quarto. "Descanse um pouco."
No entanto, apesar de dizer isso, ele não saiu imediatamente. Continuou segurando a mão dela, esfregando gentilmente as pontas dos dedos frios dela, depois sentou-se na beira da cama e puxou-a para um abraço.
A Winnie aninhou-se contra ele, sentindo o calor e a profundidade do olhar dele.
O Van estendeu a mão, desabotoando suavemente o colar de diamante rosa em volta do pescoço dela. Quando o colar caiu, os diamantes deslizaram como estrelas, desaparecendo silenciosamente na saia dela.
Ele habilmente desfez os botões nas costas dela. O vestido tinha sido meticulosamente desenhado, com botões tão numerosos que cada um, ao ser desfeito, parecia aliviar a pressão no peito dela.
A Winnie fechou os olhos e respirou fundo, sentindo como se fosse uma pérola frágil nos braços dele.
O Van notou o humor dela e apertou suavemente o abraço dela. "Não se force."
"Eu não estou..." a Winnie murmurou baixinho.
"Está tudo bem," o Van interrompeu-a, falando gentilmente. "Se não estiver bem, podemos conversar sobre isso na próxima vez."
A Winnie agarrou o cobertor com força, levantou-se e olhou para o Van, que tinha recuado um pouco. As dúvidas ainda pairavam no coração dela.
"Sr. Marlowe..." ela chamou o nome dele baixinho.
O Van virou-se um pouco, a voz gentil. "Descanse um pouco. Dê o colar para o Eric; ele vai cuidar disso."
"Eu te incomodei?" a Winnie não pôde deixar de perguntar. Vendo-o parar, ela lentamente perguntou: "É o caso?"
O Van não respondeu imediatamente. Em vez disso, pegou o último cigarro do bolso, bateu suavemente nele e depois baixou a cabeça lentamente. "Eu te disse antes, a felicidade exige talento e compreensão mútua. Conversaremos quando você estiver pronta."
"Estou pronta, mas não hoje," a Winnie sussurrou.
O Van acendeu o cigarro, tragou, fez uma careta e perguntou: "Não está se sentindo bem?"
"Não," a Winnie balançou a cabeça e hesitou. "Eu... Eu quero te pedir dinheiro emprestado. Mas não sei se peço emprestado primeiro ou se resolvo outra coisa primeiro." O rosto dela corou de constrangimento ao falar.
O Van ficou ligeiramente atordoado, um brilho de surpresa nos olhos dele.
"Quanto?" ele perguntou.
"Cem milhões," ela fez uma pausa brevemente, "Quero pedir 70 milhões adiantado e mais 30 milhões depois."
O Van levantou uma sobrancelha e foi até ela. "Para que você precisa de tanto dinheiro?"
"Para comprar minha liberdade."
O Eric tinha acabado de esboçar as tarefas da manhã seguinte e estava se preparando para subir. Como era a primeira vez que a Winnie ficava na vila, ele fez questão de dar instruções especiais. Estas incluíam garantir que ela usasse roupas de seda, fornecer vinho doce e vinho quente, servir refeições leves com baixo teor de carboidratos, mas ricas em proteínas de alta qualidade e gorduras saudáveis, e ajustar o equipamento de ginástica para se adequar à altura e peso dela - caso ela quisesse malhar pela manhã.
No entanto, ao chegar às escadas, o Eric viu o Van saindo do quarto de hóspedes, segurando a Winnie nos braços. Uma expressão de surpresa cruzou o rosto do Eric.
"O que aconteceu?" Eric perguntou. Ele ficou momentaneamente chocado, sua mente acelerando: "A Winnie fica no quarto principal na primeira noite aqui? Isso não combina com o que eu sei sobre o Van ou a etiqueta que ele sempre manteve."
A expressão do Van permaneceu calma quando ele casualmente respondeu: "Eu fumei lá dentro, o ar não estava bom."
O Eric quase engasgou. Com o sistema central de purificação do ar e as portas da varanda que podiam ser abertas a qualquer momento para melhorar o fluxo de ar, como o Van podia dizer uma coisa dessas?
"Para evitar poluir o ar do seu quarto, sugiro que termine o cigarro primeiro," o Eric disse educadamente, tentando brincar, mas era claro que o Van não se importou com o comentário.
O Van olhou para ele, respondendo friamente: "Cuide da sua vida."
Os dois subiram a escada em espiral de mármore branco-cremoso, e o Van pareceu se lembrar de algo, virando-se para o Eric e dizendo: "Boas escolhas de pijamas."
O Eric ficou um pouco confuso, sem entender por que o Van de repente comentou sobre isso, mas a visão à sua frente mexeu com alguma coisa no seu coração. Os pijamas de seda verde abacate, com alças delicadas e um ajuste gracioso, estavam definitivamente de acordo com o estilo da Winnie. Era claro que o Van conhecia bem as preferências dela.