Capítulo 14
Winnie parou no meio do caminho e olhou pra trás. A mão do Sr. Marlowe já tinha saído do lugar. "Desculpa", ele pediu desculpas por ter tocado nela, e depois adicionou, "Já vai passar. Eu te levo de volta."
Relutante, Winnie voltou pra debaixo do guarda-chuva dele, olhando pra luz da chuva que caía pelas bordas do guarda-chuva.
O homem cumpriu a promessa. Já que ele tinha prometido, não a fez esperar muito.
Depois de umas palavrinhas rápidas no telefone, ele desligou, guardou o telefone e tirou o casaco do terno, entregando pra Winnie.
Segurando o guarda-chuva com uma mão, ele conseguiu tirar o casaco de alguma forma, só com uma mão. Parecia difícil, mas Winnie não conseguia entender como alguém conseguia fazer isso com tanta elegância, tão devagar, como se cada movimento fosse intencional e quase bom de ver. Mas no meio do caminho, o homem parou, dobrando o casaco do terno sobre o antebraço. Depois tirou o cardigã cinza escuro de cashmere que estava por baixo e entregou pra Winnie.
"Se não se importar, pode usar isso", disse Sr. Marlowe, com os olhos baixos enquanto olhava pra ela, o olhar profundo.
Winnie, confusa, perguntou, "Por que não me dá só o casaco do terno?"
Sr. Marlowe franziu a testa um pouco, pensando por um momento antes de responder, "O casaco tá com um cheiro meio estranho. Não é bom pra uma garota."
Winnie não estava sentindo frio, mas por algum motivo, ela ouviu o que ele disse e levantou a mão pra pegar o cardigã, envolvendo-se nele.
O cardigã de cashmere encostou gentilmente no pescoço dela, seco e quente, mas macio na pele. A gola fechou levemente, e uma sensação sutil de conforto encheu o nariz dela, o cheiro fraco de segurança.
Na real, se ela espirrasse, um monte de homens iam correr pra oferecer um casaco ou protegê-la do vento. Mas eles sempre estavam tão desesperados, tão apressados, como se tivessem medo de que o casaco deles chegasse um segundo tarde demais.
Ninguém nunca se preocupou em perguntar se ela se importava com os vários cheiros nos casacos deles. Winnie pensou consigo mesma, "É isso que eles chamam de respeito."
Os convidados já tinham ido embora, e não tinha muita gente ficando pra passar a noite. O hotel inteiro tava vazio e quieto, como um prédio abandonado. Sr. Marlowe segurou o guarda-chuva enquanto os dois voltavam devagar, o clique dos sapatos de salto alto de Winnie ecoando suavemente, cada passo caindo em ritmo com o outro.
Winnie sentiu que o homem ao lado dela tava distraído e irritado. Talvez fosse por causa daquela ligação no telefone, mais cedo.
Ela quebrou o silêncio, jogando conversa fora, "Sr. Marlowe, como o senhor soube que era eu?"
"Você tava filmando aqui agora pouco."
"O senhor me viu?" Winnie ficou surpresa.
"Só fiquei olhando um pouco."
Winnie instintivamente apertou mais o cardigã, a voz dela baixou, "E o senhor não disse nada…"
O tom dela sugeria que ela tava irritada com ele.
Uma rajada de vento passou, e Sr. Marlowe inclinou um pouco o guarda-chuva na direção dela. Ele olhou pra ela por um momento, a voz ainda fria, "Você tá me culpando?"
Winnie não se atreveu a olhar pra ele, o olhar dela fixo na rua, "Eu não ousaria."
Sr. Marlowe levantou um lado dos lábios, a respiração dele carregando uma pontinha de sorriso, e a irritação na atitude dele desapareceu.
Eles andaram em silêncio por um tempo, então Winnie reuniu coragem e disse, "Sr. Marlowe, tem uma coisa que eu espero que o senhor não entenda mal."
Sr. Marlowe respondeu indiferente, "O que é?"
"No quarto de hóspedes agora pouco... Eu pensei que fosse uma pessoa da empresa. Ela veio me ver duas vezes..." Winnie gaguejou, as palavras dela todas embaralhadas. "De qualquer forma, eu não olhei pelo olho mágico e não sabia que era o senhor, então eu não tava tentando... te deixar me ver daquele jeito."
Sr. Marlowe esperou quieto que ela terminasse, claramente sabendo o que ela queria dizer, mas ainda perguntou, "Que tipo de 'daquele jeito'?"
Winnie mordeu o lábio, parecendo perturbada. Ela fechou os olhos e, desistindo de tentar explicar direito, murmurou, "Do tipo 'tentando te seduzir'!"
Sr. Marlowe tinha provocado ela por impulso, mas ele não esperava que essa garota fosse entrar na brincadeira tão bem quando ela entrava, e que não se importasse tanto quando ela não queria. Ele ficou em silêncio por um momento, então disse calmamente, "Srta. Loxley, espero que entenda, se for só até esse ponto, você não vai conseguir me seduzir."
"Espero que eu entenda?" Winnie repetiu, a voz dela questionando.
"…"
"…"
Por que ela tinha que ser tão rápida com a boca?
"Me desculpa, desculpa", Winnie abaixou a cabeça, a voz dela baixa e murmurada. "Eu não quis dizer que você esperava que eu te seduzisse…"
Sr. Marlowe olhou pra ela, mas não disse nada.
Isso é ruim, Winnie pensou, a mente dela a mil. Ela deixou o jovem mestre infeliz.
O pequeno caminho do jardim terminou, e a luz de vime pendurada na varanda lançou um brilho fraco.
Winnie revirou o cérebro, mas não conseguiu pensar em uma forma adequada e natural de consertar as coisas.
Sr. Marlowe guardou o guarda-chuva e perguntou em um tom calmo, "Você é uma celebridade, então imagino que não seria conveniente eu te levar até a porta, certo?"
Winnie assentiu, a frustração enchendo a mente dela, mas o rosto dela permaneceu composto. "É verdade, jovem mestre, o senhor não precisa se incomodar."
Sr. Marlowe a acompanhou até o elevador e apertou o botão do andar dela.