Capítulo 50
Dói, uma reação *sharp*, tipo instintiva, quando o Van acordou, agarrando o braço da Winnie com tanta força que os ossos dela doíam. Ela perdeu o equilíbrio, um joelho parando entre as pernas dele, a mão dela apoiada de um jeito estranho no peito dele, quase não conseguindo evitar cair de vez no colo dele.
"É você." A voz do Van tava baixa, enquanto ele abria os olhos, o olhar dele ainda pesado com a névoa do sono, olhando pra ela de cima. Depois de um tempinho, ele falou num tom grave e rouco, "O que você tava tentando fazer?"
Com uma mão presa no aperto dele e a postura dela toda torta, a Winnie endireitou as costas o melhor que conseguiu. "Tá dando corrente de ar, e eu tava preocupada que você fosse sentir frio, então trouxe um cobertor pra você."
Que cobertor? A manta pálida de cashmere cor de gengibre já tinha escorregado silenciosamente pro chão entre eles.
O Van apertou os olhos um pouquinho, o olhar frio dele fixo nela, mas algo mais escuro e não dito borbulhava nas profundezas.
"Por que você demorou tanto?" o Van perguntou.
"Eu tava no telefone," a Winnie respondeu calma, encarando ele.
A luz aqui tava suave demais, íntima demais – ela se arrependeu.
Como ela ousou encarar ele? Ele era um rei, um soberano, um predador olhando o território dele. E ela? Ela era só uma cerva indefesa, pega na selva, sem saber se fugia ou ficava, tremendo de medo quieto.
Quanto mais ela olhava pra ele, mais forte o coração dela batia. A mão dela presa começou a tremer um pouco nas pontas dos dedos, entregando os nervos dela.
O dedão dele pressionou firme no ponto de pulso delicado no pulso dela, dominante e inabalável, como se estivesse tocando a campainha do coração dela.
Uma sensação de formigamento, elétrica, subiu pelo pulso dela, dando um choque nos nervos dela. Ela puxou, não com força, mas com firmeza o suficiente. "Sr. Marlowe, minha mão."
A voz do Van continuou lenta e deliberada, a expressão dele calma, mas a tempestade fervendo nos olhos dele espelhava um céu escuro e ameaçador.
"Sua mão? O quê?" ele perguntou, o rosto dele chegando mais perto, até os narizes deles quase se encostarem.
O coração da Winnie tremia caoticamente. "Minha mão…" A voz dela tava tão fraca que quase não dava pra ouvir, mas, por outro lado, o som da respiração dela, contida e rasa, ficou mais alto e alto.
O Van se inclinou, os lábios dele quase roçando os dela, o ar entre eles saturado com a fragrância dela. Mas, no último momento, ele soltou, aliviando a tensão no aperto dele.
A mão fina da Winnie escapou da palma larga dele, e a postura dela, dura e ereta, amoleceu. Se apoiando no ombro dele, ela se levantou do colo dele devagar. O olhar dela ficou abaixado, e a luz lançava sombras longas das pestanas dela, tremulando como asas de borboleta.
O calor do cheiro dela foi embora.
Antes que o frio nos braços dele pudesse se instalar, a expressão do Van ficou fria. Mudando de ideia de repente, ele pegou ela pela cintura, puxando ela de volta pro abraço dele com firmeza.
Pega de surpresa, a Winnie soltou um suspiro abafado, franzindo a testa enquanto levantava o rosto – só pra encontrar os olhos dele.
Ele queria ela.
Ele ainda queria ela.
Nas profundezas do coração dela, a Winnie ouviu o som da certeza: Como um jogo de argolas, onde o resultado já tinha sido selado com perfeição inevitável.
No segundo seguinte, o Van abaixou a cabeça, pegando os lábios dela num beijo quase selvagem.
Os olhos da Winnie piscaram fechados em rendição. O corpo dela, macio e ágil, foi envolvido nos braços dele, a cintura dela segurada firme enquanto ele beijava ela fundo, dobrando ela pra trás até quase desabar. A seda branco-lua do vestido dela se juntou desordenadamente em volta das pernas dela, revelando a pele lisa das panturrilhas dela.
Ela tava semi-ajoelhada, um pé descalço, porque o sapatinho de mula dela tinha sumido. O outro sapatinho ficou preso pelos dedos do pé dela, o desenho de abelha bordado balançando precariamente. Ele finalmente cedeu com um baque fraco quando caiu no chão.
De além da porta, a voz da Yulia chamou, dando um choque na Winnie de volta à realidade dela.
E quando ela acordou, ela sabia que o Van tinha voltado à plena consciência no exato mesmo momento. Os olhos dele estavam *sharp* e claros, mas a voz dele tava rouca, baixa, com comando. "Vai fechar a porta."
Parecia uma ordem.
A Winnie obedeceu. Ela foi até a porta, fechou, e, enquanto fazia isso, um lado do cardigã dela escorregou do ombro dela, levando a alça do vestido junto. As costas finas dela pressionadas contra a superfície fria de madeira. O olhar dela, firme e resoluto, trancou no Van. Com um *click* forte, ela girou a fechadura.
O Van respirou fundo, fechando os olhos como se fosse se firmar. Ele se levantou do sofá.
A Winnie ficou perto da estante, esperando por ele, imóvel.
O Van se aproximou, parando tão perto que as respirações deles se misturaram. Mas ele não beijou ela de novo. Em vez disso, ele estendeu a mão e puxou o cardigã dela de volta por cima do ombro dela com delicadeza, ajustando com cuidado.
"Me desculpa," ele disse, a voz dele rouca, como se estivesse queimando. "Eu perdi o controle."
A Winnie abaixou os olhos. "Tudo bem. Sr. Marlowe, você me ajudou tanto. Você merece qualquer recompensa."
O Van congelou por um momento. "Que recompensa?"
A dor piscou pelo coração da Winnie, mas ela ainda levantou o rosto, curvando os lábios num sorriso fraco.
"Você me ajudou a devolver o relógio de bolso pro Wyatt e disse pra ele, 'A Winnie agora é minha.' Ele tem medo de você, então finalmente me deixou ir. Sr. Marlowe, eu sempre soube – você tem tudo. Eu não tenho muito pra oferecer em troca, mas é raro pra alguém como você gostar de mim."
A voz dela de repente engasgou, mas ela mascarou bem. Ela fez uma pausa rápida antes de continuar com um sorriso pequeno e forçado. "É uma honra pra mim."
O calor e a emoção que tinham acabado de passar pelas veias dele evaporaram num instante.
A expressão do Van escureceu. Ele ficou em silêncio por um tempão antes de finalmente falar, "Winnie, você sabe mesmo o que tá dizendo?"
"Sei," a Winnie concordou, o rosto pálido dela se destacando nitidamente na luz fraca. "Mas eu não posso ser sua amante. Me deixa ir, mesmo que seja pelo bem da Terry e do Stephan."
Pra própria sobrevivência dela, ela invocou a boa vontade da Terry e do Stephan. Isso sempre tinha sido um entendimento não dito entre eles.
Do lado de fora da porta, a Yulia voltou, chamando o nome dela. A Winnie de repente falou, a voz dela apertada. "Yulia, vai lá pra baixo e ajuda o Sr. Marlowe a achar a assinatura dele. Ele perdeu."
A Yulia respondeu com um "Okay" casual, e obedientemente virou pra ir pra baixo.
Por causa de como ela tava com a luz atrás, a Winnie não conseguia ver o rosto do Van direito, mas ela ouviu ele soltar uma risada fria – ela não conseguiu dizer se era autodepreciação ou zombando dela.
"Winnie, se você quer me recompensar, é bem simples, na verdade. Você não precisa se vender."
A Winnie respondeu com um "Hmm" leve e confuso, e então perguntou, "Por favor, diga."
"Eu quero te pedir pra ser minha namorada por um ano."
"Eu já te falei, eu não vou ser amante, Sr. Marlowe. Você me subestima."
O Van soltou ela, dizendo casualmente, "Você tá dizendo que uma vez tudo bem, mas não na próxima? Existe mesmo diferença entre as duas? Nos seus olhos, eu sou igual ao Wyatt, certo?"
A Winnie franziu a testa, sentindo uma dor forte no peito. "O quão bem você se acha? Se você me desse um anel, eu provavelmente ia tentar o meu melhor pra te pagar de volta. Mas você sabe muito bem que o favor que você fez por mim, eu não posso pagar, e eu nunca vou. Antes de me ajudar, você perguntou o que eu achava? Você agiu primeiro, apostando que eu ia ser o tipo de mulher que sabe o lugar dela, esperando calma pra cair nos seus braços, tudo pra preservar a imagem de Sr. Marlowe nobre e virtuoso. É isso?"
"Winnie," o Van disse, a expressão dele ainda indecifrável, mas as palavras dele pressionando, "Você tá dizendo que todas as suas reações a mim nesses últimos dias foram só porque você sabe o seu lugar e reconhece a situação?"
A Winnie ficou em silêncio, rangendo os dentes, virando o rosto, a linha da mandíbula dela *sharp* com teimosia e orgulho.
Essas palavras pareciam estranhamente familiares pro Van. Uns queriam o dinheiro dele, uns temiam o poder dele – era tudo a mesma coisa.
Ele disse, cada palavra pesada, "É impressionante que você seja tão sensata."
A ênfase na palavra "sensata" atingiu a Winnie como um prego martelado no coração mole dela.