Capítulo 65
Depois de mudar os sapatos, a energia da Winnie parecia menos intensa do que antes. Ela ficou mais relaxada e tranquila, como se estivesse envolta numa sensação de conforto.
O Van curvou os lábios num sorriso gentil. "Tá confortável agora?"
Ela respondeu com um firme "Sim."
"Segue-me." O Van se afastou, deixando a Winnie andar ao lado dele.
Ele ainda não a levou pra dentro de casa. Em vez disso, eles deram uma volta por fora enquanto ele mostrava o lugar pra ela. "Isto costumava ser um zoológico, mas a maioria das exposições foram demolidas. Agora, só restam o centro de proteção animal e a instalação de reprodução. As pessoas vêm trabalhar aqui todos os dias, mas você não precisa se preocupar. Geralmente, elas não vêm aqui."
"Toda essa área fica na beira de um penhasco, com uma trilha que leva até o fundo, onde você pode ver o oceano e uma pequena praia. No entanto, nadar lá não é permitido. Se você gosta de nadar, tem uma piscina de borda infinita no segundo andar. Você também verá outra no jardim dos fundos mais tarde."
Eles caminharam pela grama verde do quintal da frente por um tempo. Ao chegar ao lado da casa, o Van apontou para um prédio branco, quadrado e angular. "Aquela costumava ser a exposição do tubarão-baleia no zoológico. Eu mantive. Você pode andar pelo prédio e, no andar de baixo, tem um restaurante com vista para o mar."
Winnie engasgou de espanto, sua voz cheia de admiração.
"O que foi?" O Van perguntou, com um tom neutro.
"Nada." A Winnie engoliu a surpresa e então perguntou: "Por que você escolheu este lugar como sua casa?"
"Ainda está em uso."
"Em uso?"
"Você gosta tanto de animais, que compraria um zoológico em vez de só os animais", a Winnie brincou, seguindo o Van para dentro do lugar.
O Van sorriu, parecendo de bom humor. Ele deu um suave "é" e disse: "Você está certa."
Já dentro do prédio, o calor foi bloqueado. Uma linda luz da tarde entrava pela clarabóia e o ar estava espesso com a umidade da fotossíntese das plantas, fazendo com que o lugar todo parecesse particularmente fresco.
"Quero te apresentar um amigo."
"Aqui?" A Winnie ficou surpresa no início, mas rapidamente percebeu que devia ser um dos bichos de estimação dele, talvez um pequeno sapo-arborícola colorido.
A Winnie estava curiosa. Que tipo de bichos de estimação um homem como o Van guardava? Ele era tão enigmático, às vezes parecendo uma cobra elegante e esguia com a língua saindo; ou talvez um camaleão, muito parecido com seus humores em constante mudança.
Enquanto pensava nisso, ela não pôde deixar de rir, divertida com sua própria imaginação. Sua curiosidade sobre o bicho de estimação do Van cresceu ainda mais.
O Van assentiu.
"Espera", antes de tirar o casaco do terno e jogá-lo sobre os ombros da Winnie. "Está frio aqui dentro."
A Winnie envolveu os braços em volta da gola do casaco e viu-o tirar um porta-cigarro de porcelana branca do bolso da calça. Ele perguntou em sua rotina habitual: "Se importa se eu fumar?"
A Winnie balançou a cabeça. Ela realmente gostava do cheiro do tabaco nas pontas dos dedos – era uma fragrância suave e persistente de incenso, diferente do cheiro dos outros. Isso a lembrou do beijo no carro. O cheiro do tabaco também persistia em seus lábios e língua – sutil, mas poderosamente preenchendo sua respiração.
O Van mordeu o cigarro, inclinou a cabeça ligeiramente para acendê-lo, e a chama em sua palma iluminou suas sobrancelhas e olhos.
Depois de dar uma tragada, ele se lembrou de perguntar: "Você tem medo de coisas grandes? Meu amigo, ele é um pouco... grande."
A Winnie acabara de pensar no beijo dele e agora ele estava falando sobre "amigos" e "coisas grandes". Seus pensamentos rapidamente entraram em espiral para baixo, e uma enxurrada de ideias sujas chegou ao fim.
Meu Deus! O que ela estava pensando, uma moça pura?
Com a luz exterior atrás dele, o olhar do Van era inquisitivo e intrigante. "Essa pergunta realmente exige que você faça uma expressão tão intensa e frustrada?"
A Winnie baixou a cabeça para evitar o olhar dele, sentindo-se inexplicavelmente culpada, e disse: "Não tenho medo de coisas grandes. Não tem problema se for um pouco maior."
O Van não falou, em vez disso, observou a Winnie, que ainda estava olhando para baixo, com um olhar de conhecimento.
Por que ela parecia ainda mais estranha? A Winnie rapidamente levantou a cabeça e, às pressas, acrescentou, embora cada palavra só piorasse a situação: "O que quero dizer é, não tem problema se seu amigo for um pouco maior."
O Van exalou uma baforada de fumaça, sorrindo levemente. "Para de falar, se você continuar, vou começar a pensar da maneira errada."
Ela estava envergonhada e com raiva, mordendo o lábio como se tivesse sido insultada.
O Van, vendo sua reação, ficou sem saber o que fazer. Ele levantou ambas as mãos pela metade, sorrindo com uma pitada de diversão. "Ok, a culpa é minha."
Ele parecia ter sido derrotado por ela, mas seus dedos, ainda segurando o cigarro com um ar despreocupado e sem esforço, e o sorriso persistindo em seu rosto, mostraram que ele ainda estava divertido com ela.
A Winnie bufou friamente, sua expressão cheia de vida, "Você é igual aos outros homens."
"Pode ir, me insultar", o Van disse, sua voz profunda, meio divertido, meio zombando. "Você ficou ousada hoje – batendo a porta do meu carro e agora me insultando. Você não tem medo de que eu me vingue?"
A Winnie não conseguiu responder, então ela ficou parada ali olhando para ele por um tempo. De repente, ela deu um passo à frente, colocou as mãos na cintura dele e o abraçou.
O Van congelou, tanto sua expressão quanto seu corpo endurecendo. Ele ergueu a mão, sem saber se devia colocá-la em seu corpo. Olhando para baixo, ele viu que ela estava abraçando-o com toda a sua atenção. Ele não pôde deixar de baixar a voz e perguntar: "O que é isso?"
"Vingança", a Winnie disse com formalidade exagerada. "Desperdiçando seu dinheiro. 10 milhões por 30 minutos, 5.555 por segundo. Já se passaram 10 segundos."