Capítulo 92
Já que ainda tinha tempo pra gravar material de promoção, todo mundo entrou na van Alpha pra ir pro evento. Enquanto a Winnie tava desfilando no tapete vermelho, a Wendy e o David foram pro evento esperar, e a Yulia meteu o pé pra casa pra tirar uma soneca e ficar de olho na live e nos assuntos que tão bombando.
Exatamente às 15h, o tapete vermelho começou na hora.
O David conseguiu um lugar ótimo pra Mia, e como ela era a primeira convidada, a Mia parecia meio nervosa. Ela tava com um vestido com uma cauda de pétalas super complicado, andando com cuidado no tapete vermelho, com os olhos cheios de tensão.
Depois que a Winnie terminou de tirar as fotos dela, ela sentou na van, assistindo a live do tapete vermelho.
"A Mia tá indo bem, mandando ver na abertura. Eu lembro quando ganhei o prêmio de Revelação, me colocaram em algum lugar no meio da fila", ela comentou.
O David pareceu pegar o tom de sarcasmo na voz da Winnie. Ele falou meio sem jeito, "Os tempos são outros agora. Os recursos da empresa são definitivamente melhores do que quando você começou, e essa garota também tem talento."
A uns vinte minutos antes da vez dela, um funcionário do evento bateu na janela do carro. "Winnie, você tá pronta? Podemos ir pra área de espera agora."
A porta do carro abriu devagar, e as pernas longas dela, calçadas com botas elegantes, saíram firmes do veículo.
Na área de espera, algumas estrelas estavam em pequenos grupos, conversando casualmente sobre assuntos mais ou menos conhecidos. Quando viram a Winnie entrar, quase toda conversa parou. Na superfície, ninguém falou nada, mas o tom de voz de todo mundo pareceu diminuir ao mesmo tempo. Os olhares se voltaram inquietos, como se estivessem tentando avaliá-la sutilmente com os olhos.
No tapete vermelho de hoje, todas as celebridades estavam usando vestidos volumosos com caudas longas, quase como as caixas de caminhão. Virar era difícil, e cada vestido precisava de quatro funcionários pra seguir e ajustar. Mas, quando os olhares das pessoas pousavam na Winnie, elas não falavam nada por fora, mas por dentro, tinham sentimentos misturados.
O Van tava na Tanzânia e super ocupado. Ele não tinha falado com a Winnie por três dias, e só quando ela viu umas selfies dela hoje que ele percebeu quanto tempo tinha passado desde a última vez que ele respondeu. Quando ele perguntou se era uma boa hora pra conversar, a Winnie colocou os fones de ouvido e saiu do evento.
"Tô quase indo pro tapete vermelho", ela baixou a voz, mas o tom era suave.
A voz masculina do outro lado era grave e magnética. "Por que você não chamou meu nome?"
"Não tive coragem, tem gente por perto", a Winnie respondeu levemente. Depois de umas palavras, um rubor fraco apareceu nos olhos dela.
"Não posso mais te chamar assim", a Winnie sussurrou tão baixinho que era quase inaudível. Ela fez uma pausa por um momento, o rubor nos olhos dela se aprofundando.
Ela sabia que podia manter a fachada perfeita, mas quando se tratava da voz dele, ela se sentia presa no olhar dele, incapaz de agir como se nada estivesse errado. As pernas dela se juntaram com força, e ondas de calor subiram dentro dela.
"Tá preocupada?" A voz dele era baixa, com uma pitada de provocação quase imperceptível.
"Tô preocupada em te incomodar", a Winnie sussurrou em resposta.
O Van não parecia disposto a deixá-la escapar. "Chama meu nome."
O coração da Winnie deu um pulo. Ela rapidamente se virou, encostando gentilmente a testa na parede branca, forçando-se a ficar no canto mais isolado.
Depois de um breve silêncio, ela finalmente sussurrou, "Van."
O ar do outro lado da linha pareceu congelar. A respiração do Van parou por um momento. Depois de um tempo, ele pareceu recuperar a compostura, e o tom dele era calmo. "O que você me chamou?"
"Não posso mais te chamar assim", a Winnie disse apressadamente.
Ela sabia que se outros ouvissem aquele nome, poderia levar a suposições desnecessárias, especialmente com o iate envolvido, tornando fácil adivinhar a identidade dele.
Ela ouviu um som de engolir do outro lado da linha, como se o Van estivesse bebendo água.
"É sua vez de desfilar no tapete vermelho?" ele mudou de assunto de repente, o tom ainda calmo.
"Mm." A Winnie olhou para trás e respondeu suavemente, "Tenho que desligar."
Ela hesitou, cheia de vontade de perguntar se ele tinha pensado nela nesses últimos dias, mas sentiu que aquela pergunta era abrupta demais.
Se o Van não tivesse falado com ela, significava que ele não se importava com esses pequenos sentimentos de amor. A vida dele era claramente ocupada e importante, e ele não teria a capacidade emocional de se importar com ela.
O silêncio do outro lado continuou, e então um leve som de tosse o interrompeu.
A Winnie congelou, seus nervos se contraindo. "Você tá doente?"
"Só um pouquinho", o Van respondeu suavemente.
"Fui eu que te dei?" a Winnie perguntou, preocupada.
O Van riu levemente. "Não precisa se preocupar."
"Não precisa se preocupar? Quer dizer..." A Winnie instintivamente se interrompeu.
Ela de repente pensou nos momentos íntimos que eles compartilharam alguns dias atrás na França. Toda vez que ele a beijava, era tão apaixonado e intenso. Aquele dia no iate, no cinema, ele a prendeu no escuro, a beijou por dez minutos. O silêncio ao redor deles era ensurdecedor, apenas o som da respiração deles e os ruídos entrelaçados preenchendo o ar.