Capítulo 99
Quando o **motorista** entrou no carro, a expressão dele tava calma, tipo indiferente pras dunas de areia lá fora. Na real, ele nem tava pensando muito. Como um mercenário aposentado, ele sempre foi o responsável pela segurança do **Sr. Marlowe** na África. Apesar de só se verem umas poucas vezes por ano, ele entendia o **Sr. Marlowe** de cabo a rabo – esse cara era comportado, reservado e super educado, deixando claro que nunca faria nada inapropriado no carro.
O carro seguiu em frente, e o **motorista** conseguiu ouvir a conversa lá de trás. A **Winnie** parecia meio cansada, a exaustão tomando conta dela, e ela foi encostando no ombro do **Sr. Marlowe**, o corpo mole, tipo sem sustentação.
O tom do **Sr. Marlowe** era relaxado e satisfeito. "Da próxima vez que você quiser ir pra algum lugar, é só avisar o **Eric** com antecedência. Ele resolve tudo pra você."
"Ele é seu assistente pessoal, como é que eu vou incomodá-lo?" A **Winnie** falou baixinho, parecendo saber onde tava o limite.
As palavras dela não eram à toa. Mesmo nas vezes que ela esteve com o **Sr. Marlowe**, qualquer mulher com um mínimo de noção não ia ficar incomodando as pessoas ao redor do **Sr. Marlowe**, incluindo o **Eric**, que cuidava de tudo pra ele. O **Eric** sempre foi atencioso com ela, mesmo sem ela pedir nada, ele sempre arranjava tudo nos mínimos detalhes.
O **Sr. Marlowe** falou numa boa: "Você vai precisar incomodá-lo mais no futuro, se acostuma."
A **Winnie** balançou a cabeça de leve. "Eu ia pedir pra ele me ajudar a conseguir seu endereço, mas fiquei com medo dele te contar direto, e aí você ia achar que eu tô te incomodando."
A **Winnie** se sentiu meio mal por dentro e perguntou baixo: "Eu te causei algum problema?"
O **Sr. Marlowe** abaixou a cabeça pra olhar pra ela, um leve sorriso divertido piscando nos olhos dele. Os olhos dela estavam cheios de preocupação, como se ela estivesse com medo de chateá-lo. Mas a expressão dela não combinava muito com a postura toda orgulhosa que ela tinha no tapete vermelho.
"Se realmente tiver algum problema, o que você pretende fazer?" ele perguntou, meio zoando, com um tom que não dava pra entender.
A **Winnie** não hesitou, abaixando a cabeça rapidinho, a voz quase inaudível: "Desculpa, não vai acontecer de novo."
"Talvez role outra chance", o **Sr. Marlowe** falou, um brilho misterioso passando pelos olhos dele.
"Quê?" A **Winnie** levantou a cabeça, com uma ponta de confusão nos olhos.
O **Sr. Marlowe** sorriu de leve e mudou de assunto: "Aconteceu alguma coisa recentemente?"
Ele sabia bem que, com a personalidade da **Winnie**, ela não teria voado até a África sem um bom motivo. O orgulho e a determinação dela sempre faziam com que ela relutasse em ceder. Alguma coisa devia ter rolado em casa que ela não aguentava mais, levando ela a tomar essa decisão.
A **Winnie** forçou um sorriso e falou numa boa: "Não foi nada demais, só não passei na audição. O **diretor** disse que eu sou 'star' demais, não sou pé no chão o suficiente."
O sorriso dela era forçado, e tinha um quê de desamparo nas palavras dela. Na real, o comentário do **diretor** não era totalmente sem fundamento – a aparência e o temperamento dela não combinavam muito com papéis comuns. Apesar das habilidades de atuação excelentes, a aparência dela sempre levava a certos estereótipos que dificultavam a aceitação dela em papéis mais cotidianos.
O **Sr. Marlowe** perguntou numa boa: "Se precisar, eu posso te ajudar a conversar com eles."
Mesmo que os negócios do **Sr. Marlowe** não se misturassem muito com a indústria do entretenimento, ele ainda tinha contatos e recursos suficientes pra influenciar certas coisas. A **Winnie** não esperava que ele tocasse no assunto.
"Não precisa", a **Winnie** endireitou as costas rapidinho, parecendo meio sem jeito. "O filme é bom, mas não sinto que perdi nada. O **diretor** já me convidou pra fazer a protagonista no próximo filme dele."
O **Sr. Marlowe** levantou a sobrancelha pra ela, um sorriso de leve se formando nos cantos dos lábios. "Você tá tentando me convencer ou se convencer?"
Ele esticou o braço e ajeitou uma mecha de cabelo dela, com as pontas dos dedos roçando uma pintinha perto da orelha dela. Aquele pontinho vermelho parecia saltar aos olhos dele. A **Winnie** congelou por um instante, sem esperar que ele notasse aquilo.
"Eu tô bem, de verdade." A **Winnie** tentou sorrir, mas não conseguiu evitar de baixar a cabeça.
Daí ela completou numa boa: "**Sr. Marlowe**, muitas pessoas nascem como mercadorias, tipo eu. Mesmo que eu tenha grana e um monte de admiradores, ainda sou um objeto de troca. Sabe, eu não tenho vergonha de admitir isso. Às vezes, a essência dessa transação deixa as pessoas desconfortáveis, mas o que a gente pode fazer? Cada um vive do seu jeito."
O **Sr. Marlowe** ouviu as palavras dela, e daí soltou uma risada de leve. O olhar dele suavizou enquanto ele olhava pra ela. "Ouvindo você falar isso, quase que eu sinto que você acabou de me criticar."
A **Winnie** abriu um sorriso. "Você também rala. Aqueles bilionários do Oriente Médio trabalham só três horas por dia, e você trabalha dia e noite, sempre pegando resfriados e tossindo. Não é fácil pra você, de verdade."
O **motorista** não conseguiu evitar de dar uma piscada no canto do olho, um sorriso de leve aparecendo nos lábios dele. Parecia que essa mulher era esperta o suficiente pra saber como ler o humor do **Sr. Marlowe**.
O **Sr. Marlowe** deu uma risadinha, olhando pra ela por um instante antes de finalmente ceder e se inclinar pra beijá-la.
"Você tá certa", ele sussurrou baixinho, "mas se você vê nosso contrato só como uma transação..."
Ele fez uma pausa, e daí completou numa boa: "Eu não me importaria de pegar aqueles 100 milhões de volta, se isso te deixar desconfortável."
Os olhos da **Winnie** arregalaram, e ela juntou as mãos rapidinho em gesto de prece, colocando-as contra a testa, com a voz sincera. "Não! É meu apoio mental. Se você pegar de volta, eu não vou ter mais motivação pra viver!"
O hotel onde o **Sr. Marlowe** tava hospedado ficava nos arredores da cidade, um resort com estilo antigo. Cada quarto tinha seu próprio pátio privativo, onde cactos altos e retos, de várias formas, estavam profundamente enraizados no solo de areia branca, mostrando o charme único da paisagem tropical. Mas a chegada da **Winnie** não foi muito bem planejada – ela não teve tempo de curtir essas vistas bonitas.
Quando ela chegou no hotel, a bagagem dela já tinha sido cuidada pelo assistente. Depois de trocar um cumprimento rápido com um **amigo(a) francês(a)**, o **Sr. Marlowe** saiu correndo, se preparando pra ir pro Serengeti.
"Na real, você podia ficar aqui e me esperar", o **Sr. Marlowe** pensou por um instante antes de parar o jipe. "Eu volto depois de amanhã ao meio-dia."
"Por quê?" A **Winnie** perguntou, confusa.
"As acomodações lá são bem primitivas. Eu tenho medo que você não fique confortável."
"Isso é impossível", a **Winnie** balançou a cabeça com firmeza. "Se tem um lugar que você pode ficar, por que eu não posso?"