Capítulo 132
A Winnie acordou com uma parada: A lençol tava molhado!
No sonho dela, ela tinha se virado pra caramba, e a única coisa que tava na mente dela era: A empregada vai vir trocar os lençóis, e vai ser mó bizarro! Tenho que impedir elas! Ou inventar uma desculpa!
Ela sentou de uma vez, soltando tudo de uma vez, "A gente sem querer derrubou água na cama ontem à noite—"
Mas o quarto tava vazio.
Winnie travou.
Olhando pra ela mesma, ela reparou no pijama dela, que era de seda e macio. Os lençóis tavam sequinhos, e a brisa do mar entrava pela janela meio aberta, balançando as cortinas brancas suavemente.
Esse não era o quarto do Van, mas o quarto de hóspedes dela. Na mesinha de cabeceira, as joias que ela tinha arrumado com tanto cuidado na noite anterior ainda tavam lá, paradonas. A luz do sol entrava pela janela, brilhando nas joias, fazendo elas piscarem como uns docinhos espalhados.
A Winnie passou a mão no cabelo, com a cara de sofrimento.
"Tô toda dolorida..." Ela tentou sentar, mas o movimento forte mandou umas ondas de dor pelo corpo dela, fazendo ela prender a respiração. Parecia que os ossos dela tinham se soltado.
Lá fora, no corredor, ela ouviu uns passos leves e umas vozes baixas.
"Ela já acordou?"
"Não."
"Me traz a sopa."
O coração da Winnie disparou, de repente batendo mais rápido. Ela franziu as sobrancelhas com força e deitou de novo rapidinho, se esforçando pra parecer que tava dormindo.
Quando o Van abriu a porta, ele viu ela deitada na cama, de costas pra ele.
Parado na porta, ele ficou olhando ela quietinho por um tempo.
Ontem à noite, ele quase não dormiu.
Ele sempre tinha se achado imune a essas coisas, com certeza ele nunca ia se perder no desejo. Em trinta e seis anos, teve umas experiências parecidas, mas sempre foram rápidas e esquecíveis.
Mas agora, tudo tava diferente.
Da contenção ao desejo, a transformação dele tinha acontecido rápido demais.
Toda escola de respeito tem seus próprios grupinhos sociais secretos, e entrar nesses grupos é um atalho pra conexões de primeira e uma vida de luxo. Na época dele em Cambridge, o Van tinha sentido na pele o estilo de vida glamouroso da "elite", onde a tentação tava sempre ali. Mas quando ele pensava na noite anterior, a mente dele não tava mais focada nesses prazeres superficiais; em vez disso, tava cheia da alegria de estar com ela.
O Van não foi pra empresa, e o pai dele, o Gary, que tocava os negócios da família, percebeu na hora. O Gary era difícil de enganar. O Van não deu muitas explicações e só respondeu, "Só uma doencinha, não fui."
"Descanse bastante, não se force," o Gary falou preocupado.
A Winnie fechou os olhos, fingindo que ainda tava dormindo. A expressão dela tava calma, a respiração dela, parada, o corpo dela macio, mas o coração dela tava disparado, ecoando no peito dela como uma bateria. Ela não tinha certeza se o Van tinha reparado na falha da atuação dela.
Ele ia sair logo; era melhor não deixar essa situação bizarra se arrastar...
Mas as coisas não foram como ela esperava.
Ela ouviu um barulhinho fraco de alguma coisa sendo colocada na mesinha de cabeceira, seguido do barulho de roupa sendo mexida.
O Van começou a desabotoar o paletó e afrouxar a gravata. Quando ele viu ela fingindo que tava dormindo, não conseguiu não sorrir, antes de começar a tirar os abotoadores da camisa.
O abotoador cheio de pedras preciosas caiu sem cerimônia no pratinho da mesinha de cabeceira, fazendo um clique suave. A Winnie não conseguiu não engolir em seco.
O que ele queria fazer, afinal? Ela ia descobrir logo.
O Van levantou a coberta com cuidado, se ajoelhou e, com o peso dele na cama, parecia que ele queria deitar um pouquinho mais.
Se ele continuasse deitado, ela ia pirar!
A Winnie sentou rapidinho, com os lençóis brancos enrolados no corpo dela, pronta pra avisar ele pra parar, mas assim que ela se mexeu, uma dor forte veio, fazendo ela soltar um gemido.
Ela tinha esquecido—ela tava machucada agora e não tinha como "brincar" com ele...
O Van riu baixinho, "Bom dia."
Ele tava com uma camisa branca e calças pretas, parecendo arrumado e organizado, como se tivesse dado uma pausa no trabalho dele.
As bochechas da Winnie ficaram rosas na hora, destacando na pele dela. Ela nem entendia por que a cara dela tava vermelha.
Depois de uma noite tão ridícula, ele ainda tava falando "bom dia"—essa situação tava tão estranha e desconfortável pra ela.
Claro, ela lembrava do que tinha rolado ontem à noite, mas ela tava tão exausta que tinha dormido pesado sem querer.
"Sr. Marlowe..." a Winnie sussurrou, com a voz meio nervosa, "Bom dia."
O Van sentou na beira da cama, colocando as mãos nos bolsos tranquilamente. Com um olhar significativo, ele falou, "O que você falou ontem à noite... não foi isso, foi?"
A Winnie mordeu o lábio inferior de leve, com os olhos cheios de tristeza. Ela olhou pra ele e falou baixinho, "Não lembro..."
"Que bom." O Van assentiu, com os dedos parados no botão da camisa, como se fosse desabotoar. "Deixa eu te ajudar a lembrar."
"Não, de verdade, não..." A Winnie esticou a mão rapidinho pra impedir ele, colocando a mão no braço dele, a outra mão bloqueando a palma dele, com a voz implorando.
Ela sussurrou duas palavras, mas o Van não entendeu. "O quê?"
"...Tá inchado."
O Van pigarreou, com a voz grave dele com um tom de desespero. "Quer que eu dê uma olhada?"
"Não!" A Winnie se recusou na hora.
"Já cuidei disso ontem à noite," o Van falou, tentando minimizar a parada. "Liguei pro médico hoje de manhã e consegui um remédio pra você. Você pode descansar depois de comer."
A cara da Winnie ficou mais vermelha ainda, os olhos dela vagando, sentindo uma onda de vergonha. "O que exatamente você fez ontem à noite?"
"Te carreguei pro chuveiro, ajudei você a se limpar e mandei trocar os lençóis," o Van falou simples.
A Winnie ficou quieta, com os punhos fechados com força, os olhos cheios de desespero. "Você pode só dizer... que a gente sem querer derrubou água na cama?"
O Van travou por um instante.
Ele de repente percebeu—ela provavelmente não tinha ideia de como os lençóis tavam sujos, encharcados e manchados.
Ele ficou quieto por um tempinho, depois suspirou baixinho. "Eu mesmo troquei os lençóis, joguei fora e mandei a empregada limpar. Tá tudo bem? Ninguém viu."
A Winnie ficou sem palavras na hora, abaixando a cabeça e soluçando baixinho. "Como eu vou encarar alguém...?"
O Van suspirou sem jeito, olhando pra ela com um olhar suave. "Não se preocupa, ninguém viu."
Nessa época, a vida do Van nunca tinha sido tão bagunçada e caótica, mas talvez isso fosse um sinal de que ele tava começando a entender responsabilidade e emoções.
O Van nunca tinha imaginado que ia cuidar de alguém pessoalmente, principalmente desse jeito. Coisas como trocar os lençóis e ajudar no banho eram mais estranhas pra ele. Pra ele, o mundo sempre tinha sido arrumado, brilhante e claro, tudo sob controle. A vida dele era como uma música bem feita, sem uma única nota dissonante.