Capítulo 126
Depois de uma longa pausa, ele finalmente falou: "A ousadia que você mencionou, de qual ousadia você está falando?"
Winnie olhou para ele, se sentindo um pouco confusa. "Não tenho certeza do que você quer dizer."
Os olhos de Van se aprofundaram ainda mais. "Me diga."
O rosto dela estava banhado pelo luar, com a sombra de Van se misturando, criando uma imagem borrada. Ela abaixou a voz. "Sr. Marlowe, eu não deveria deixar o seu passado me afetar." Ela levantou um pouco o olhar, evitando os olhos dele. Sua voz diminuiu um pouco. "Eu não deveria me comparar com suas ex-mulheres."
Uma mudança quase imperceptível passou pelo olhar de Van. Ele ficou em silêncio por um momento antes de continuar: "Você é tão compreensiva; você seria perfeita para ser amante." Seu tom era frio, quase zombeteiro, mas seus olhos demoravam na pinta vermelha perto da orelha dela, suas palavras hesitantes como se ele quisesse dizer mais.
Winnie estava perplexa, observando-o nervosamente. "Sr. Marlowe, eu não entendo o que você quer dizer."
Van riu levemente, uma emoção complexa passando por seus olhos. "Digamos que o contrato acabe, eu me case, mas não posso te deixar ir. Você ficaria comigo então? Eu seria mais generoso do que sou agora."
Winnie congelou, sua expressão em branco por um momento. Então, ela falou calmamente: "Eu não posso fazer isso." Seu tom era direto e firme.
Van a encarou, como se estivesse tentando encontrar alguma contradição ou pretensão em seus olhos. "Por que você não pode?" Sua voz suavizou, mas ainda havia uma pressão subjacente, pressionando por uma resposta.
"Casamento não importa mais para mim", Winnie sussurrou. "O que você mencionou pode significar algo para você, mas eu só quero dedicar meu tempo às pessoas que realmente me importam."
A expressão de Van mudou ligeiramente quando ele olhou em seus olhos, como se estivesse tentando decifrar o significado mais profundo por trás de suas palavras. "Você está me rejeitando dizendo isso?"
Winnie riu suavemente e balançou a cabeça. "Não, eu só acredito que, independentemente do contrato, eu deveria viver minha vida por mim mesma."
Van não insistiu mais, mas a sondagem silenciosa ainda pairava no ar entre eles. Ele não fez mais perguntas, mas de repente a soltou, recuando alguns passos, como se estivesse tentando quebrar o silêncio enigmático. "Vamos voltar", ele disse, sua voz baixa. "Não é bom ficar aqui por muito tempo. As pessoas vão ver."
Winnie assentiu, baixando o olhar, seus olhos vagueando. A conversa a deixou sentindo-se um tanto impotente, mas ela sabia que, naquela noite, ela não tinha mais nada a perder.
Ela gentilmente passou por Van, se preparando para sair, quando de repente ouviu sua voz profunda atrás dela: "E se eu não permitir?"
Winnie congelou, virando-se com um olhar confuso. "O quê?"
"E se eu não permitir que você goste de outra pessoa depois que o contrato acabar?" O olhar de Van era afiado, mas havia uma expectativa não dita escondida dentro dele.
Winnie deu um leve sorriso, uma pitada de impotência misturada com uma frieza quase imperceptível em seu rosto. "Sr. Marlowe, nessa altura, você terá uma esposa. Como você ainda poderia controlar o que eu faço?"
Ela saiu pela porta, sua saia esvoaçando ao vento, e sua voz carregava um leve traço de tristeza. "Enquanto ela tiver você em seu coração, não é o suficiente?"
O coração de Van disparou, e o cigarro em sua mão quase quebrou. Seu olhar vacilou por um momento, mas ele rapidamente recuperou a compostura. Ele seguiu Winnie de perto, entrando no corredor vazio.
"Venha comigo." Van agarrou o pulso dela com urgência, seu tom insistente.
Winnie balançou a cabeça, seus olhos brilhando com lágrimas, uma mistura de raiva e dor escrita em todo o seu rosto. "Me solta!"
Uma emoção complexa brilhou nos olhos de Van, mas, no final, ele não disse nada. Ele simplesmente a segurou, seus passos resolutos.
"O que foi?" Winnie franziu a testa, olhando para ele.
"Eu esqueci algo agora, então voltei para pegar", respondeu Van calmamente.
"O que você esqueceu?" Winnie fez uma pausa, percebendo que suas palavras não eram o que ela havia presumido. Ela retrucou com raiva: "Eu não sou um objeto!"
Os lábios de Van se curvaram em um leve sorriso, quase desamparado. Ele virou a cabeça, discando um número. "Entre em contato com o teatro. Peça a alguém para vir nos encontrar e preparar um uniforme de trabalho feminino, tamanho M."
"Eu uso tamanho P!" Winnie rangeu os dentes.
"Ela usa tamanho P", corrigiu Van, sua voz impassível.
Eric, do outro lado da linha, fez uma pausa, confuso. "Entendido. Me diga a localização."
Van rapidamente deu a localização e desligou o telefone, então discou um segundo número.
"Winnie não está se sentindo bem. Ela não pode comparecer à segunda parte da cerimônia de premiação. Avise os organizadores do festival e preparem o comunicado à imprensa", instruiu ele.
Houve um momento de silêncio na ponta da Wendy.
De repente, o som de passos se aproximou. Van imediatamente pegou Winnie em seus braços e rapidamente entrou no banheiro.
Mesmo em uma situação tensa, seus movimentos ainda eram incrivelmente graciosos. Abaixando-se, ele pegou a placa de "Não Perturbe" colocada pela porta com uma mão, tão naturalmente quanto se estivesse jogando boliche.
Ele colocou o sinal amarelo para cima e, com um estrondo alto, a porta do box foi imediatamente trancada.
"Isso..." Winnie não teve chance de terminar de falar antes que Van cobrisse sua boca com sua mão limpa.
Eles se olharam, seus olhares se entrelaçando como uma conversa silenciosa.
Van tirou a mão e gentilmente traçou seus lábios com o polegar, seus olhos macios, mas profundos, cheios de um desejo não dito.
Ele abaixou a cabeça e a beijou suavemente.
Seus pensamentos estavam desorientados mais cedo, e ele quase esqueceu o propósito de hoje. Ele deveria tê-la levado para casa. Ciúme, possessividade, todas as emoções não resolvidas - ele lidaria com elas mais tarde, quando estivessem sozinhos. Ele não podia deixar seu impulso estragar este momento.
No instante em que seus lábios se tocaram, ele percebeu - Faz cinco dias desde que nos beijamos pela última vez.
Aqueles cinco dias pareceram uma eternidade.
Winnie inicialmente pretendia afastá-lo, mas quando sua mão tocou em seu ombro, ela decidiu baixar a guarda. Ela envolveu seus braços firmemente em volta dele. Seu corpo parecia sem peso, como se ela dependesse dele para sustentá-la, seus dedos dos pés mal roçando o chão.
Ela não conseguia manter o equilíbrio, e o clique agudo de seus saltos ecoou fracamente no chão de ladrilhos.
O beijo de Van ficou mais intenso, enquanto ele impiedosamente invadia sua boca, entrelaçando sua língua com a dela, como se estivesse tentando drenar até a última gota de ar dela, tornando quase impossível para ela respirar.
Suas pernas enfraqueceram, e ela mal conseguia ficar em pé.
Van sentiu cada reação sutil dela, e ele se inclinou perto de seu ouvido, sua respiração quente contra sua pele. "Devíamos ir para casa?"
Winnie não respondeu. Em vez disso, ela estendeu a mão e afrouxou sua gravata, seus dedos roçando a maçã de Adão em sua garganta.
De repente, a porta tremeu violentamente, e suas costas foram pressionadas contra o painel da porta cor de champanhe. Ela inclinou a cabeça para trás, seu rosto uma mistura de emoções enquanto fechava os olhos, saboreando o calor da luz. Suas mãos agarraram a porta com força, as pontas dos dedos ficando brancas enquanto ela lutava para se manter em pé. Sua respiração veio em suspiros rasos, como se lutasse para suportar e também imersa no momento.
O telefone de Van vibrou repetidamente. Depois de desligar, tocou novamente. Após duas chamadas, uma batida soou na porta, seguida por uma voz calma do lado de fora: "Eric está aí?"
Mas nenhum dos dois dentro respondeu.