Capítulo 6
Mia saiu e esbarrou no Wyatt, tipo, acidentalmente batendo nele. O cabelo dela ficou preso no broche do paletó dele, e o cara, segurando um copo de uísque numa mão, claramente não tinha reagido ao "abraço" de repente.
Mia chiou de dor: "Sr. Robinson, podia baixar um pouco o corpo?"
Wyatt fez que sim com a cabeça: "Tá melhor agora?"
Mia puxou o cabelo pra cima, tentando desembaraçar as mechas presas no broche.
A cabeça dela, tipo, foi a mil. "Não tô conseguindo enxergar direito... podia me ajudar a desembaraçar? Desculpa mesmo."
Só aí que o Wyatt olhou pra ela de verdade. "Você..."
Ele viu que a garota tava nervosa, os olhos meio marejados de lágrimas, o que fez ele sentir um pouco de pena dela. Sem pensar, ele começou a desembaraçar o cabelo dela com cuidado.
Naquele momento, a porta do lounge abriu de novo, e o gerente de RP entrou com a Winnie, conversando: "Sr. Robinson tá esperando aqui... O quê!?!"
O que eles viram foi a Mia encostada, meio mole, no Wyatt, com os dedos dele ainda presos no cabelo dela. A Mia tentou sentar quando viu todo mundo, mas por causa do cabelo preso nos dedos dele, ela caiu de novo nos braços dele.
O Wyatt sentiu a raiva subir quando viu a Winnie suspirar baixinho, aliviada. Ele, tipo, instintivamente puxou a Mia de volta pros braços dele e virou pra sair, falando: "Vem comigo."
Aquelas palavras pareciam pro Mia, mas a Winnie entendeu que o Wyatt tava bravo com ela. Sobre o que ele tava bravo, ela não queria pensar, nem tava com energia pra isso.
"Precisa que eu ligue pra ele pra você?" A gerente de RP já tinha pego o número de uma colega. Numa situação dessas, se ela ficasse sozinha, ia dar uma cena mega chata. Sem falar que, tipo, toda a equipe já tava achando que ela era a acompanhante do Wyatt, principalmente porque o convite dela foi dado pessoalmente pelo Wyatt.
"Não precisa." A Winnie a interrompeu. "Eu resolvo sozinha."
A gerente de RP tinha outras coisas pra fazer, e depois de uma recusa meio por cima, ela foi embora rapidinho.
O sorriso fofo da Winnie sumiu com a saída da gerente de RP. Ela se encostou na parede, entediada, e chutou a barra da saia longa. Aí ela foi atrás e tirou o coque baixo, deixando o cabelo comprido cair. Ela brincou com uma presilha preta, tipo uma garota, por um tempinho.
Beleza, ela tinha saído na chuva, se sentido renovada, mas no processo, tinha provocado o Wyatt e agora ia ter que ir no banquete sozinha.
A cena ia ser chata, daquelas situações clássicas e feias que as pessoas iam fofocar e criticar sem parar.
A expressão de frustração dela tava mais forte que a fofura de antes, pelo menos parecia mais uma pessoa de verdade.
Van, que tava observando do outro lado da sala, não conseguiu evitar sorrir, tipo, secretamente, se divertindo.
"Quem tá aí?" A Winnie falou firme, levantando o olhar pro canto onde tinha um lustre.
O corredor longo e silencioso era coberto por um tapete vermelho escuro, com pinturas a óleo clássicas penduradas no papel de parede verde escuro com respingos dourados. Uma fumacinha flutuava suavemente sob o lustre.
Van olhou pra baixo, pro cigarro meio fumado entre os dedos, com um toque de impotência nos olhos.
Ele devia dizer que o cigarro tinha traído ele, ou será que essa mulher era só muito esperta?
A Winnie esperou teimosamente um tempinho, e finalmente, um estranho saiu da sombra do canto.
Ela congelou por um instante, e a primeira impressão dela foi que ele parecia rico. Ele tava com um terno todo preto — camisa preta, jaqueta preta, calças pretas — mas o tecido era tão chique que, sob a luz, revelava uma textura profunda e com várias camadas. Ele parecia frio, como se tivesse vindo das praias de areia preta da Islândia, se movendo pela névoa fria e pelo gelo azul.
A Winnie não reconheceu ele de cara. Ela se impressionou com o nó Windsor da gravata dele, que parecia tão familiar. Acima do nó Windsor, o pescoço dele era reto, e o pomo de Adão dele, tipo, bem evidente.
Na frente desse estranho, a Winnie mudou suavemente pro modo de controle de expressão. Ela juntou os lábios e fez uma leve reverência com a cabeça, sua postura misturando orgulho de celebridade e contenção, cumprimentando ele.
Van não tava longe dela, e ele estendeu um pouco a mão com o cigarro, com a palma pra cima. "Espera um pouco."
Ele tinha uma voz excelente, ainda mais impressionante que a aparência dele — grave e rica, mas não muito pesada, tipo um copo de vinho tinto com taninos leves, envelhecido à perfeição da melhor safra.
A Winnie ficou confusa até que o homem na frente dela andou na direção dela com um passo calmo, aí se abaixou pra ajeitar a barra do vestido champanhe dela só um pouquinho.
As ações dele eram suaves, tipo, naturalmente cavalheirescas e relaxadas. Em contraste, a Winnie, parada em cima dele, ficou rígida, cada nervo do corpo dela tenso.
Depois que terminou, Van se endireitou, dando um passo pra trás. O olhar dele viajou de baixo pra cima, admirando ela, finalmente parando no rosto dela. Ele falou com educação: "Caiu bem em você."
O olhar dele, bem parecido com ele, era gentil e contido, uma mistura de cavalheirismo e distanciamento. Era claramente apreciativo, mas de alguma forma, dava a impressão de que ele tava só sendo educado, como se o interesse dele tivesse diminuído.
Eles estavam parados não muito longe um do outro, e o cheiro no ar era sutil, quase imperceptível.
Era aquele tipo de fragrância limpa e reconfortante.
Tão único. Sem pensar, a Winnie soltou: "É você."