Capítulo 113
Sr. Marlowe ficou ali na janela da sala de jantar, olhando a figura dela se afastar, cada vez mais longe, até sumir na beira daquele penhasco, virando um pontinho minúsculo que contrastava demais com o azul do mar e do céu.
"Ela tava de boa ontem, por que de repente tá tão irritada hoje?" provocou Eric enquanto segurava uma xícara de café.
"Ela me pediu dinheiro e eu não dei", Sr. Marlowe sorriu e tomou um gole do café.
"Quanto ela pediu?"
"70 milhões adiantado, 30 milhões de empréstimo, um total de 100 milhões."
"É uma grana boa", Eric levantou a sobrancelha. "Mas já é muita coisa a Winnie Loxley te pedir. A personalidade dela faz com que seja difícil pedir ajuda. Cê não vai ajudar mesmo?"
Sr. Marlowe deu um sorrisinho, com um brilho divertido nos olhos. "Ela é esperta e independente. Se eu emprestar a grana pra ela de verdade, ela só vai me ver como um credor. Nossa relação ia ficar complicada. Pra que eu ia querer arrumar mais problemas pra mim?"
"Mas cê não tá perdendo nada", Eric falou numa boa. "Ela já te pediu. Cê vai mesmo ignorar ela?"
Viu que Sr. Marlowe não respondeu, e mudou de assunto. "Aquela antiguidade que cê falou, a escultura italiana de mármore da época do Renascimento, foi vendida ontem. O vinho tinto Henri Jayer de 1990 vai ser entregue hoje à noite. A gente decanta ele mais cedo pra você, ou espera a Sra. Marlowe chegar pra vocês provarem juntos?"
Sr. Marlowe perguntou, na maciota. "Qual foi o preço final?"
"A escultura foi por 10 milhões. Já foi pra Sra. Marlowe, ela adorou. O vinho tinto Henri Jayer, 410 mil, um jogo de seis garrafas – bom preço."
Sr. Marlowe ficou quieto um tempo, abaixou a cabeça pensando, aí, de repente, olhou pra cima e sorriu. "Cê tá dizendo que eu tava errado?"
Eric sorriu de leve e concordou com a cabeça. "Ela tá brava, mas não é totalmente sua culpa."
Sr. Marlowe nem ligou e sorriu. "Eu não disse que não ia ajudar. Transfere 20 milhões pra conta dela como um adiantamento dos ganhos dela, depois arruma pra ela me encontrar."
O olhar dele voltou pro jardim. Quando viu que Winnie tinha entrado no carro, se tranquilizou e foi pro vestiário trocar de roupa, pronto pra encarar o dia novo.
Winnie ficou ali, quietinha no carro, com os braços cruzados no peito, ainda fervendo de raiva. A mansão era tão grande que, por mais que ela estivesse brava, não ia simplesmente bater a porta e sair andando. Isso segurava a raiva dela, deixava ela menos intensa.
Enquanto o carro ia entrando na cidade, ela de repente mudou de ideia. "Vai pra concessionária 4S mais próxima."
Quando Winnie tava escolhendo um carro, já tinha se acalmado. Depois que chegou em casa, dormiu umas boas horas. Nesse tempo, ela recebeu um telefonema da Wendy pedindo folga, mas não deu muita bola e concordou numa boa.
Ela dormiu até 3 da tarde, e quando acordou, Yulia logo avisou: "A fase final do Prêmio Celestial Excellence. tá quase pronta. Depois disso, cê vai poder escolher um roteiro na paz. Ah, e o roteiro do Diretor Li tá pronto. Ele quer jantar com você e pediu pra cê escolher o horário."
Winnie, numa preguiça, encostou no sofá, pensando um pouco. "Vamo esperar passar o Prêmio Celestial Excellence."
"Ok", Yulia concordou com a cabeça, depois completou. "O patrocinador do Prêmio Celestial Excellence desse ano é o Grupo Marlowe."
"Entendi", Winnie falou, a voz meio fria.
Vendo que ela não tava bem, Yulia logo mudou de assunto. "A agenda da reunião anual da empresa já saiu, e o Alan vai."
"Quando?"
"21 de dezembro."
Winnie concordou com a cabeça. "Então preciso acelerar."
"Acelerar? Acelerar pra quê?" Yulia ficou confusa.
"Ah, é, o Terry tentou falar com você hoje de manhã. Ele disse que cê tava dormindo e pediu pra você ligar pra ele à tarde."
Winnie sentou de repente, os olhos brilhando. "Ele voltou?"
"Ele disse que tão descansando em Pokhara hoje, e que vão voltar pra filmar as refilmagens mais tarde. O tempo tá imprevisível, então é difícil dizer." Yulia achou o número e ligou pra Winnie.
A luz do sol em Pokhara entrava pela pagoda branca, e Terry tava encostado na torre, curtindo o sol. Quando ele atendeu, riu antes de falar. "Oi, beleza."
"Por que demorou tanto pra me achar? Eu não aguento mais..." Winnie suspirou baixinho, as lágrimas caindo sem parar.
Terry fez uma pausa, sacando na hora a mudança emocional dela, e perguntou, todo cuidadoso. "Meu nome entrou nos assuntos do momento? Aconteceu alguma coisa?"
Só ele conseguia transformar fácil a situação numa piada, com um tom de provocação na voz.
Winnie chorou mais forte. "Se você não aparecer logo, eu vou explodir..."
Terry esperou pacientemente ela chorar uns minutos, antes de falar. "Pode falar, pede dinheiro. Que que tá pegando dessa vez?"
Winnie, ainda fungando, falou com um tom de brincadeira. "É, preciso que você me empreste uma grana."
Terry franziu a testa, rindo de leve. "Três meses sem se ver, e já tá pedindo pra emprestar dinheiro? Cê sabe mesmo como me deixar feliz."
"Quanto?" ele completou.
"100 milhões." A voz da Winnie tava meio embargada.
Terry zombou. "Mesmo se cê me vender, não vai ter o suficiente pra isso."
"Então 50 milhões." A voz da Winnie abaixou, como se fosse o último pedido.
"Não."
"Então 30 milhões, 20 milhões. Não quero a grana do Stephan."
Stephan tava ali, quietinho do lado, ouvindo tudo, sem falar nada, enquanto Terry engolia as palavras e perguntava, baixo. "Que que tá rolando?"
Winnie abriu a boca pra falar alguma coisa, mas foi interrompida pelo Terry. "Cê quer quebrar o contrato?"
"Como cê sabe?"
"O David me ligou, pedindo pra eu te convencer a não fazer isso."
Winnie encostou com força no sofá, os dedos torcendo, sem querer, as franjas da almofada. "Então me convence."