Capítulo 95
Depois de um tempinho, os executivos e os atores premiados do banquete foram sentando, e o clima ficou sério de novo. A Winnie se preparou pra encarar uns perrengues novos.
A Fiona sentou do lado da Winnie e sorriu, perguntando: "Lembro que você trampou com o Aaron num projeto, né?"
O Aaron, um atorzão dos seus quarenta e poucos, tinha um ar de melancolia refinada na cara. Já foi o cara mais bombado da indústria do cinema, e tinha feito um drama com a Winnie uns anos atrás. Aquela produção foi o segundo maior sucesso de bilheteria do ano, e rendeu ao Aaron o segundo prêmio de Melhor Ator. A Winnie não ganhou nenhum prêmio, mas a atuação dela teve várias indicações, e os fãs consideravam ela uma "joia rara" no mundo das premiações.
A Winnie respondeu com um sorriso gentil: "É verdade, faz um tempão que não vejo o Aaron."
O Aaron deu uma risadinha: "Ah, mas Winnie, eu vejo ele todo dia."
Com um sorrisinho, a Winnie virou pra Fiona e falou: "Sim, a gente trabalhou junto. Lembro daquele ano, no evento de Setembro Dourado da Starry Diamond, o Aaron e eu dividimos o palco."
A Fiona concordou: "Ah, sim. O projeto da Starry Diamond – a gente tava quase lá, naquela época."
Um pensamento surgiu na mente da Winnie, e ela comentou: "Eu dei sorte de ter brilhado na sombra do Aaron."
A conversa mudou, e o clima ficou mais suave, com o pessoal continuando a conversar. As formalidades na mesa foram sumindo.
Quando o banquete tava chegando ao fim, o momento mais esperado foi a foto em grupo. O palco tava lotado de gente, e a Winnie e a Fiona estavam lado a lado – sem dúvidas, nos lugares mais em evidência.
Pra quem tava de fora, a posição da Winnie parecia merecida. As redes sociais bombaram de elogios, dizendo que a presença dela era perfeita e indiscutível. Mas o que ninguém sabia era que, poucos dias antes, ela tava desesperada por não conseguir pegar um vestido bom emprestado e tinha sofrido uma exclusão sutil dos grupinhos da moda. Ela tinha travado uma luta que ninguém viu e saiu vitoriosa em silêncio.
Depois do banquete, a Winnie só apareceu um pouquinho na after-party, inventando que tava passando mal pra ir embora mais cedo. Ela voltou pra casa sozinha e capotou num sono profundo.
Na tarde do dia seguinte, ela chegou na empresa do diretor Antony pra fazer um teste. O Antony, uma lenda da indústria, ainda tava na ativa aos setenta e tantos anos. Ele era famoso por descobrir talentos e ter um talento sinistro pra dirigir, e conseguir um papel principal num filme dele era o sonho de todo ator.
O papel pra esse teste era de uma revolucionária – uma personagem que a Winnie tinha se preparado pra caramba. No mundo dos filmes históricos bombados, esse filme com certeza ia ser o campeão de bilheteria do ano.
O clima no local do teste tava tenso. O corredor tava lotado de gente, desde veteranos experientes até formandos novinhos, representando um monte de talentos diferentes. Todo mundo ali tinha passado por várias fases de seleção rigorosas pra chegar ali. Não importava a fama, eles tavam começando do mesmo lugar agora.
A Winnie foi andando pelo corredor de boa, e os cochichos iam atrás dela.
"Ela também tá fazendo teste?"
"Pelo jeito que ela tá, é quase certeza que ela vai detonar."
A assistente dela foi esperta e desviou os fãs que tavam tentando chegar perto, mantendo a ordem na cena.
Depois de esperar um pouco na área reservada, a assistente do diretor do teste foi avisar: "Winnie, é sua vez."
Ela entrou na sala do teste, que parecia um teatrinho. O Antony, o diretor de elenco Jack, uns representantes da equipe de produção e um jovem assistente de direção – provavelmente um dos braços direitos do Antony – tavam sentados numa fileira.
A Winnie tirou a máscara, fez uma reverência educada, se apresentou direitinho e começou a atuação.
Pra cena da carta, a atuação dela foi precisa e emocionante. A voz baixa dela transmitia uma mistura de desespero e esperança, com lágrimas insistindo em ficar nos olhos. Elas só caíram quando ela terminou de escrever a última letra no envelope, e aí rolaram naturalmente. Ela largou a caneta de leve, dobrou a carta com calma, com movimentos lentos e decididos, seus atos eram delicados e pesados. No final, ela soltou um suspiro longo, como se tivesse trancado todas as emoções no envelope.
A sala do teste ficou num silêncio total, tão parado que não dava pra ouvir nem o barulhinho da respiração.
Depois de um tempão em silêncio, o diretor de elenco Jack pigarreou e olhou pro Antony.
O Antony se levantou e, com a voz grave, falou: "Todo mundo pode sair por cinco minutinhos, por favor?"
A equipe de elenco se levantou na hora. Uns pegaram suas xícaras de chá, outros acenderam cigarros, e foram saindo em grupinhos, conversando enquanto saíam.
A Winnie suspirou de leve, tirando as mechas de cabelo meio úmidas da testa. Ela falou com educação: "Prazer em te conhecer, Antony."
"Prazer," o Antony concordou, com uma expressão calma. "Você tá na indústria há um tempão. Por que a gente nunca trabalhou junto antes?"
A Winnie ficou meio sem graça, respondeu meio hesitante: "Talvez... conflitos de agenda?"
"Talvez." O Antony deu um sorrisinho. "Sua atuação é boa, mas a quantidade de filmes bons no seu currículo não é tão alta. Tenho certeza que você sabe por que."
Ela abaixou o olhar, preferindo não responder.
Depois de uma pausa, o tom do Antony suavizou: "Mas, dessa vez, eu tô preparando um projeto pessoal. É meu segundo filme de romance em trinta anos. Acho que você seria perfeita pro papel e quero que você faça o teste pra ele."
A Winnie congelou, com uma expressão confusa: "Sério?"
"Com certeza. Esse é meu projeto pessoal, então não vai ter as complexidades de sempre de capital." O tom do Antony foi firme. "A equipe da minha empresa vai te passar os detalhes."
Ela concordou, a gratidão evidente na voz dela: "Obrigada."
Quando saiu da sala do teste, a expressão dela já tinha voltado ao normal, mas um turbilhão de sentimentos tava rolando dentro dela.
No final do corredor, ela viu a Mia – um rosto conhecido, mas distante. A Mia parecia meio desconfortável, como se tivessem esperando a vez dela pra fazer o teste.
As duas se cruzaram sem falar. A Winnie ficou meio chocada de ver a Mia ali – então era por isso que a Mia tinha falado "Até no set" outro dia.
O David, com a voz calma, explicou: "Foi um acordo da empresa."
A Winnie soltou uma risada irônica. Então, tava tudo planejado desde o começo.
O David deu um tapinha de leve no ombro dela e continuou calmo: "Você não tá perdendo nada. O filme que o Antony escolheu pra você foi feito pra você. Vai te dar reconhecimento, com certeza. Mesmo com a falta de confiança dos investidores e o salário baixo, você ainda é a candidata perfeita pro papel."
A Winnie rebateu, com deboche: "Se a Mia não fizesse parte do acordo, o Antony ainda teria me escolhido? Ou foi a empresa que não liberou minha agenda sem ela?"
"O salário do Antony pra esse projeto é o mais baixo de todas as suas propostas," o David fez uma pausa antes de continuar, "Eu sei exatamente quanto valem seus três meses – mais do que você imagina."
A Winnie deu um sorrisinho, virando pro David e falando baixo: "Vai ajudar ela, por favor."
Quando o Van ligou pra ela por vídeo, a Winnie forçou um sorriso, mas ainda tava com uma cara de quem tava carregando o mundo nas costas.
"O que foi?" o Van perguntou baixinho. Ele sempre foi ligado, nunca dava chance pros outros esconderem seus sentimentos.
A Winnie continuou olhando pra tela: "Nada. Por que você não tem me ligado ultimamente? Já encheu o saco de mim?"
O peso das palavras dela doeu, e o coração do Van afundou.
"Eu tô ocupado. Tava planejando voltar pra casa logo, mas as coisas atrasaram," ele respondeu, largando o celular e segurando uma tosse na garganta.
A Winnie conseguiu ouvir a fraqueza na tosse dele: "Sua gripe não sarou – piorou," ela falou, franzindo a testa e colocando de lado o brinquedo de cápsula que tava na mão. Ela estudou a expressão dele pela câmera.
Ele tava totalmente exausto, com olheiras profundas, como se não tivesse dormido direito há muito tempo. A camisa branca dele tava largadona nele, molhada de calor e umidade, dando a ele uma aparência desarrumada e cansada. Mas, de alguma forma, tinha um charme inexplicável nele.
A Winnie se perdeu em pensamentos, não conseguia tirar os olhos da tela, o coração dela cheio de saudade dele.