Capítulo 101 O Outro Assassino
Cindy pensa por um momento; então, ela saca… ela tava focando demais em 'como' ele fez isso, em vez de 'quando'… essa era a chave. "Eu saquei!" Cindy exclama, "Professor; Tommy tinha que ter possuído Mary logo depois que ela o matou. Ele ia usá-la pra continuar; mas aí, Phillip Steinman mandou matar Mary."
"Então; por que ele não possuiu outro corpo quando Mary foi morta, Ms. Lidestrom?" O professor vai limpar os óculos, quando saca que não tá usando nenhum… ele destruiu o último par na outra noite.
Cindy tenta não rir da atitude do professor enquanto responde, "Não tenho certeza; mas, deve ter rolado algo nela que o fascinou e o atraiu. Alguma parada nela que…" Cindy pausa rapidinho enquanto vai até a lareira caindo aos pedaços. "Espera aí… aquela noite… dia dezoito."
"Que que tem aquela noite, Ms. Lidestrom?"
"Tommy matou os pais de Mary primeiro. Por quê?"
"Por que o quê, Ms. Lidestrom?"
"Não faz sentido se você pensar nisso. Um adulto ia dar mais trabalho do que uma criança…" Cindy pausa e olha pra Mary, que tá com um sorrisinho de canto, antes de continuar, "Bem; na maioria dos casos, né? Então; por que ir pro quarto dos pais e correr o risco de causar barulho suficiente pra alertar as crianças? Por que não entrar escondido e matar os pivetes em silêncio; depois, ir atrás dos pais?"
"Acho que essa seria a abordagem lógica… meio que um jeito doentio e psicopata de pensar. Então; por que ele não foi atrás de Mary e Davey primeiro?"
"Quem disse que ele não foi?"
"Que que você tá falando, Kiddo?"
"Tô dizendo… Davey ficou preso no sótão; lembra?"
"Sim."
"E, a autópsia dele determinou que ele foi morto com uma pancada na cabeça; certo?"
"Certo."
"Pensa nisso, Tio Mike; e se o Tommy não foi atrás da Mary e do Davey primeiro, porque ele não sabia que eles estavam lá?"
"Como assim?"
"Como assim; enquanto o Tommy tava lá embaixo, picotando os pais deles… a Mary tava no sótão matando o Davey."
"Porra, Kiddo!"
"Essa é a parada que atraiu o Tommy pra ela. Esquece que ela conseguiu superar e tirá-lo de cena… isso foi só em legítima defesa no extremo… tipo, matar ou morrer. Não; a Mary já tinha aquele instinto assassino nela. Ela matou o irmão… assim como ele matou a irmã dele." Cindy se vira pra Mary e pergunta, "Então, você usou um martelo no Davey; tipo o Tommy usou na Chelsea?"
Mary dá um sorriso de canto e diz, "Na real; eu usei o livro dele… achei que combinava. Afinal; ele amava aquele livro."
"Você é doente, Mary; você sabe disso, né?" Beth balança a cabeça, com nojo da Mary toda cheia de si.
"Tanto ela quanto o Tommy; Beth." Cindy continua explicando, "Quando eles mataram a Mary… pra manter a alma dela aqui com a dele… ele combinou a maior parte da alma dele com a dela; deixando de fora as partes que ele não achou que precisava manter… ou, que iriam machucá-lo se descobrissem a verdade."
"Que seriam; Ms. Lidestrom?"
"Helene… e 'Tommy Steinman, de quatro anos'; que tá convencido que a Chelsea o matou… ou, será que tá?" Cindy observa Mary mostrando uma atitude mais arrogante na expressão dela. "Meu Deus; ele não sabe! Ele acha que ela só machucou ele; não é? Ele não saca que tá morto! Por isso que você tá mantendo ele longe da Chelsea… ele não sabe."
"É como dizem… ah; é… às vezes a ignorância é uma bênção." Mary ri.
"Mas por quê, Cindy;" Beth pergunta, "por que manter o Tommy achando que ele tá vivo?"
Cindy cruza os braços na frente do peito e começa a andar pra lá e pra cá de novo. Ela olha pros restos mortais e pensa… e anda… e pensa. Todo mundo… até a Mary, toda metida… fica em silêncio. O único barulho que se ouve pela cabana nesse momento é a melodia da caixinha de música; e, o rangido das tábuas do chão enquanto Anna continua balançando pra frente e pra trás.