Capítulo 29 Um quarto congelado – E uma mensagem sangrenta
A Anna tá no sofá vendo TV, segurando a Jean-Louise Wadell no colo. Quando os programas acabam, ela desliga a televisão e começa a se perguntar onde estão os pais dela. Ela chama por eles, mas ninguém responde.
A Anna começa a sentir MUITO frio... mesmo com uns 27 graus lá fora... e começa a tremer. Ela chama os pais de novo.
"Mamãe... Papai... onde vocês estão?" De novo, nada de resposta.
Sem conseguir parar de tremer, a Anna se encolhe no canto do sofá e fecha os olhos. Logo, os dentes dela começam a bater e ela começa a respirar pesado. A Anna abre os olhos e vê o vapor da respiração saindo da boca dela... igual quando ela respira lá fora no inverno.
A Anna começa a olhar em volta. Gelo se formou em todas as superfícies de metal e vidro, fazendo alguns objetos de vidro racharem e estilhaçarem. Todas as superfícies de madeira ficaram embaçadas.
De repente, as pontas dos dedos e do nariz dela começam a formigar e, quando ela olha para as pontas dos dedos, vê cristais de gelo se formando neles. Ela tá em pânico e quer gritar, mas não consegue. A Anna não consegue falar nem sair do sofá.
A Anna tá de short e camiseta de manga curta. Cristais de gelo começam a se desenvolver por toda a pele exposta dela, fazendo a pele dela parecer que tá queimando. Ela tá achando difícil respirar, engasgando a cada respiração difícil que dá. O corpo dela encolhe e dói cada vez mais a cada minuto que passa, enquanto a água no tecido muscular dela começa a congelar, ficando mais sólido. O sangue dela tá ficando na consistência de lama, indo perigosamente devagar pelas artérias e veias dela, fazendo ela ficar azul por falta de oxigênio no sistema.
Ela não tá mais consciente. A Mary tá parada em cima da Anna, olhando para o corpo sem vida dela, sorrindo. Ela se vira. Agora, ela começa a sentir frio... e mais frio... e mais frio. A Mary some.
O quarto começa a esquentar imediatamente e o gelo e a geada começam a derreter das superfícies. Logo depois disso, a Anna começa a descongelar.
O sangue dela volta a ser líquido e corre pelo corpo dela, permitindo que o oxigênio alimente as células dela, que estavam privadas, devolvendo a cor normal. O tecido muscular dela descongela e relaxa. A Anna tá respirando normalmente. Ela ainda não recuperou a consciência, no entanto.
Mais alguns minutos passam e a Anna começa a voltar, abrindo os olhos devagar. A dor sumiu... embora o corpo dela ainda esteja fraco por causa do trauma que sofreu... e ela consegue sentar.
A Anna olha em volta. Ainda não tem sinal dos pais dela e agora a Jean-Louise Wadell também sumiu. A Anna continua sentada no sofá, esperando.
De repente, a Anna sente uma presença atrás dela. Ela fecha os olhos e se vira, ajoelhando na almofada do assento com os braços e o peito pressionados contra o encosto do sofá. A Anna abre os olhos devagar para olhar. Não tem nada lá. Ela solta um baita suspiro de alívio quando se vira de volta para sentar, só para ser recebida por uma visão horrível. Lá, na frente da Anna, tá a Chelsea.
A Anna quer gritar, mas não consegue. Ela quer desviar o olhar... pelo menos fechar os olhos... mas, por alguma razão estranha, a Anna não consegue parar de encarar a visão horrível da Chelsea se decompondo rapidamente.
A tez cinza-cinza da Chelsea é acentuada em várias áreas com manchas de sangue avermelhadas escuras e manchas de livididade azul-escuras. O corpo dela tá tão magro que quase todos os ossos são visíveis através da camada quase fina de carne dela. Os globos oculares dela tão secos que parecem mais olhos de boneca do que de humanos... afundados bem dentro das órbitas, deixando quase um espaço de um centímetro entre a superfície do rosto dela e as lentes dos olhos. Aí tem aquele cheiro. Um cheiro tão podre... tão forte... que não só os olhos da Anna estão lacrimejando por causa dele, mas ele tá deixando um gosto nojento na boca dela.
A Chelsea tá olhando para a Anna, esperando fazê-la se sentir um pouco menos assustada com a aparência dela, sorrindo, mas não consegue fazer isso, pois expõe os dentes pretos e em decomposição para a Anna. Depois de ver a expressão de medo e nojo no rosto da Anna, a Chelsea fecha a boca e para de 'sorrir'.
A Chelsea cambaleia até o espelho pendurado na parede da sala de estar e, pela primeira vez desde a morte dela, se vê... uma visão que ela gostaria de não ter visto. Ela choraria se pudesse, mas tudo que ela pode fazer é olhar para aquela visão horrível no espelho, encarando-a com aqueles olhos mortos, frios e pretos. A Chelsea levanta o braço devagar... que treme enquanto ela estica... depois, arrasta as pontas dos dedos pela superfície do espelho de cima para baixo, trazendo o braço de volta para o lado. A Chelsea olha de volta para a Anna e fala com uma voz baixa e rouca.
"Anna, não acredita no que a Mary te diz." A Chelsea se vira para se olhar pela última vez no espelho e, então, se vira para a Anna. "Anna, não importa o que aconteça, não vá para a floresta com a Mary."
De novo, a Chelsea levanta o braço devagar... desta vez, apontando para a direita... tentando fazer a Anna olhar para o lado. A Anna percebe o que a Chelsea quer que ela faça e olha para o sofá. Lá, ao lado dela, tá a Jean-Louise Wadell. A Anna pega a boneca dela e olha para trás. A Chelsea sumiu.
A Anna finalmente consegue sair do sofá e caminha até onde a Chelsea estava parada. A Anna olha para o espelho que a Chelsea estava encarando. Lá, na superfície do espelho, escrito com sangue...
"Fique fora da floresta!"