Capítulo90 Nos Túneis
A **Anna** está tipo, vagando lentamente por esses corredores escuros subterrâneos, sem conseguir achar a saída do labirinto todo complexo; mas, ela não vai desistir. Ela continua procurando uma saída, segurando firme na **Jean-Louise Wadell**.
Quando ela vira a esquina, a **Anna** esbarra num homem alto, forte, com uns cinquenta e poucos anos; usando o que parece ser roupa de peregrino pra ela. Assustada no começo, a **Anna** engasga; mas, de repente, se sente meio que relaxada na presença do cara. Ele sorri pra ela, e ela sorri de volta. O homem se abaixa, colocando um joelho no chão, pra ficar na altura dos olhos da **Anna**.
"Bom dia pra você, mocinha; e, qual é o seu nome?"
"**Anna**."
"**Anna**?"
"É; é abreviação de **Annabeth**."
"Ah, agora sim, que nome lindo. E, como você está hoje; Srta. **Annabeth**?"
"Não muito bem." Ela olha pro chão e começa a chorar.
"Agora, calma, mocinha; tá tudo bem. Tudo vai ficar bem logo; não precisa chorar. Você tá perdida?" A **Anna** balança a cabeça; e o estranho a tranquiliza, "Confie em mim, Srta. **Annabeth**, quando eu digo que tudo vai ficar bem logo."
O homem sorri enquanto olha pra boneca que a **Anna** está segurando e pergunta, "E, qual é o nome da sua bonequinha aí?"
"O nome dela é **Jean-Louise Wadell**."
"**Jean-Louise Wadell**, você diz; Srta. **Annabeth**?"
"Sim."
"É um nome bom, de verdade. Eu te digo isso, Srta. **Annabeth**; você precisa manter a **Jean-Louise Wadell** perto de você o tempo todo. Se você fizer isso, vai ficar tudo bem."
"Eu vou."
"Ótimo então; tudo vai ficar bem pra você. Srta. **Annabeth**, você precisa continuar andando por esse túnel; e não saia do seu caminho. Tenha certeza de não fazer nenhuma curva, menina; e você vai encontrar a saída. Vá agora; e preste atenção no que eu te disse. Mantenha a **Jean-Louise** perto de você. Bom dia, Srta. **Annabeth**."
O homem se levanta e começa a andar. Quando o homem vai embora, a **Anna** se vira e grita pra ele. "Espera!"
O homem se vira e pergunta, "O que foi, menina?"
"Obrigada. Quem é você?"
"De nada, mocinha. E; eu sou conhecido como **Jebediah**. Bom dia."
A **Cindy** acorda de repente do sono, e pula pra uma posição sentada; então, se inclina pra acender a lâmpada. Quando a luz está acesa, ela vê a **Mary** sentada no pé da cama; usando aquele mesmo sorriso presunçoso que ela sempre mostra durante seus encontros com a **Cindy**. Com o tempo essencialmente acabando, a **Cindy** decide fazer uma jogada ousada.
"O que você quer... **Tommy**?"
"Você está bem, **Cindy**? Eu sou a **Mary**, não o **Tommy**. Acho que você precisa de óculos."
"Não... **Tommy**... eu não preciso de óculos... e, eu estou ótima. Você é o **Tommy Steinman**. Agora você só acha que é a **Mary Howell**; mas, você não é. E, você não é o **Davey Howell**, ou **Helene Steinman**, ou **Irmão Dominguez**, ou **Charles** também... você é o **Tommy**."
"E você é louca. Eu sou a **Mary**, sua vadia estúpida!" Enfurecida... num ataque de raiva... a **Mary** pula da cama, agarra a peseira e arranca ela da estrutura da cama. A **Cindy** rola pra fora da cama no chão quando ela desaba. A **Mary** corre, agarra a gola do pijama da **Cindy** e a levanta por elas, jogando-a contra a parede. Com a **Cindy** presa na parede, a **Mary** grita com raiva em sua cara, "Quem eu sou, **Cindy**?!"
A **Cindy**, mantendo a compostura apesar do ataque, olha pra **Mary** direto na cara; e, numa tentativa de acalmar o espírito perturbado, responde calmamente, "Ué; você é a **Mary**, é claro."
A **Mary** bufa. "Bom!" Ela solta a **Cindy** da sua pegada, anda pela sala até a janela e, enquanto observa o celeiro sem se virar pra encarar a **Cindy**, diz a ela, "E não se esqueça disso."
A **Cindy** ajeita a parte de cima do pijama e esfrega os ombros. "O que você quer, **Mary**?"
A **Mary** coloca as mãos nas costas, vira e vai até a **Cindy**. "Na verdade, **Cindy**, eu tenho me sentido um pouco generosa ultimamente; e eu decidi dar uma chance a vocês."
"O que você quer dizer... uma chance?"
A **Mary** vira as costas pra **Cindy**... suas mãos ainda apoiadas nas costas... e desfila até a janela pra olhar pra fora de novo. "Eu quero dizer; eu estou disposta a dar a vocês uma chance de achar a **Anna** e trazê-la de volta."
A **Cindy** cruza os braços na frente do peito e vai até a **Mary**, parando alguns metros atrás dela. "Continua."
Continuando a olhar pela janela, a **Mary** explica, "Eu não sei se você sabia disso ou não, mas existem túneis subterrâneos que correm sob este lugar, se estendendo para fora na floresta. Um grupo de monges costumava morar nesta área, e eles faziam rituais secretos nesses túneis. De qualquer forma, eu coloquei a **Anna** lá, e agora, ela está vagando por aí, perdida; procurando um caminho de volta. Então, eu disse a mim mesma... **Mary**... já que todo mundo continua perguntando onde está a **Anna**... e a querem de volta... por que não dar a eles uma chance de procurar por ela lá embaixo?"
"Isso é muito esportivo da sua parte, **Mary**."
"Sim; eu sei."
"E, isso é tão diferente de você."
A **Mary**, ainda sem encarar a **Cindy**, sorri. "Sim; eu sei disso também."
"Então, por que a mudança repentina de... coração... digamos; por falta de uma escolha melhor de palavras?"
"Olha, **Cindy**, temos que continuar essa conversa idiota sua... ou você quer saber onde começar a procurar por ela? Eu tenho que te dizer; a pobrezinha da **Anna** está com muito frio e fome lá embaixo."
"Ok, **Mary**; então, onde começamos?"
"A adega; se você quebrar o chão de concreto, você vai encontrar uma porta de armadilha que vai levar para a câmara. De lá, é só uma questão de procurar nos túneis por ela. Mas, tome cuidado lá embaixo, **Cindy**; aqueles túneis são como um labirinto gigante e retorcido. É muito fácil se perder ... e ficar perdido... lá embaixo. Então, se você estiver à altura do desafio, sejam meus convidados... e comecem a procurar pela **Anna**."
A **Cindy** fica em silêncio, olhando para as costas da **Mary**, pensando, quando ela percebe. "O que aconteceu, **Mary**?"
"O que você quer dizer?"
"Como a **Anna** escapou de você?"
A **Mary** hesita antes de responder sem convicção, "A **Anna** não escapou de mim, **Cindy**; eu deixei ela ir."
"Não; você não teria feito isso... **Tommy**."
A **Mary** gira, jogando os braços pros lados enquanto grita, "EU NÃO SOU O **TOMMY**!"
"Ela escapou... e você não consegue achá-la. Mas por quê; por que você não consegue... espera um pouco... **Chelsea**... a **Chelsea** voltou; não é?"
"Do que você está falando agora, **Cindy**?"
"Foi isso; ela voltou... e você não consegue achá-la. Ela não vai deixar você achá-la. Então; você precisa que a gente ache a **Anna** pra você."
"Você perdeu totalmente o controle, **Cindy**."
A **Cindy** sorri e balança a cabeça. "Tudo bem, a gente vai achá-la... **Tommy**..."
A **Mary** começa a interromper a **Cindy**, "Eu não sou..."
A **Cindy** corta a **Mary**, "Mas, não vai importar se a gente achar, porque a **Chelsea** não vai deixar você encostar nela; ela vai protegê-la como fez antes."
"A **Chelsea** foi embora, **Cindy**. Ela não pode proteger a **Anna**... ou nenhum de vocês, aliás."
"De novo errado... **Tommy**... a **Chelsea** voltou; e, não só pode... mas, está protegendo a **Anna**, agora mesmo; e, é por isso que você não consegue achá-la." A **Cindy** se aproxima da **Mary**, se inclina e sussurra em seu ouvido, "Você vai ter que enfrentá-la mais cedo ou mais tarde... você percebe isso; não percebe? Pelo que você fez com ela... ela te deve uma... **Tommy**."
A **Mary** murmura amargamente em voz baixa, rangendo os dentes, "Eu não sou o **Tommy**, sua vadia estúpida!"
"Engraçado você usar essa palavra... 'vaca'. Sabe o que dizem sobre troco; não sabe? Eles podem ser muito... bem; você entendeu a ideia."
A **Mary** faz uma careta; então some. A **Cindy** olha pela janela sorrindo; sussurrando em voz alta, "Cuide da **Anna**, **Chelsea**."