Capítulo 44 Anna Vê O Homem Mau
"O que aconteceu?"
Martin responde, "Eu não sei. Como eu disse pra Cindy, a gente acabou de chegar aqui, e eu tava pegando umas comidas no banco de trás quando ela simplesmente começou a gritar e surtar."
"Martin," Cindy pergunta, "você não notou nada que pudesse ter causado isso?"
Martin para pra pensar; então responde, "Não. Nada que eu consiga lembrar."
Anna começa a ficar roxa; e, Martin entra em pânico. "Meu Deus, ela tá engasgando!"
"Não, Martin;" o delegado tranquiliza ele, "ela só tá ficando roxa por causa da hiperventilação. Cindy, me dá uma daquelas sacolas."
Cindy entrega uma sacola pro tio; que então joga o conteúdo fora e coloca sobre a boca de Anna. "Anna, me escuta. Aqui é o Delegado Hopkins. Eu preciso que você se acalme e comece a respirar devagar dentro da sacola. Anna, se acalma e respira, Doce; devagar e suave."
De alguma forma, as instruções do delegado funcionam, e Anna começa a diminuir a respiração. A cor dela tá mudando de azul pálido pra vermelho vivo. Os olhos de Anna começam a lacrimejar; e, agora piscam esporadicamente. O corpo dela tá menos rígido; mas ainda tremendo.
O delegado remove a sacola da boca dela enquanto Anna continua a normalizar a respiração. Ela ficou fria e pegajosa ao toque. Quando as pupilas dela dilatam, o Delegado Hopkins percebe que Anna está entrando em choque mais profundo.
"Cindy," o delegado entrega as chaves do carro pra ela, "vai pegar o cobertor no porta-malas e traz aqui, por favor."
"Mike, o que tá acontecendo?" Martin tá tremendo.
"Eu não sei; mas alguma coisa assustou muito essa garotinha." Ele nota Martin tremendo. "Você tá bem, Martin?"
Martin responde nervoso, com a voz embargada, "Não; nem um pouco. Meu bebê vai ficar bem?"
Cindy volta com o cobertor, e o delegado enrola ela nele pra mantê-la aquecida. "Ela vai ficar bem, Martin. Kiddo, fica com ela enquanto eu vou no meu carro rapidinho."
"Claro, Tio Mike. O que você vai fazer?"
Ele se abaixa e fala bem baixinho no ouvido dela pra não chatear o Martin. "Ela tá em choque. Preciso ligar pros paramédicos, caso piore." Ele dá um tapinha no ombro dela e, então, vai em direção à viatura.
Quando elas chegam, Beth sente que algo está terrivelmente errado; especialmente quando ela percebe o Delegado Hopkins no rádio. Ela pisa nos freios, joga a alavanca no 'P' e pula pra fora.
"Anna! O que tá acontecendo com a Anna?" Uma Beth frenética corre até sua filha petrificada. "Meu Deus, Martin, Cindy; o que aconteceu?"
"Nós não sabemos, Beth." Martin responde atordoado.
"Como assim vocês não sabem, Martin; ela não tava com você?"
Cindy tenta acalmar uma Beth excitada. "Beth; por favor, se acalma… pela Anna. Isso não vai adiantar nada. Ela tá em choque; alguma coisa assustou ela… mas nós não sabemos o quê. Eles encostaram, e o Martin tava pegando umas sacolas no banco de trás quando a Anna começou a gritar. Ninguém viu nada."
"Tem que ser a Mary!" Beth começa a gritar, "Mary! O que você tá fazendo com a minha garotinha? Deixa ela em paz, droga!"
Professor Rhyies se aproxima do grupo. "Cindy, o que aconteceu aqui?"
"Nós não temos certeza, Professor. Alguma coisa assustou a Anna, deixando ela em estado de choque. Tio Mike tá ligando pra ajuda médica agora; só por precaução."
"Só por precaução de quê? Meu Deus! Anna, Doce!" Beth fica histérica.
O professor chama, "Delegado, por favor, ajude a Sra. Lazinski!"
Delegado Hopkins corre atrás da Beth e agarra os braços dela. "Beth! Se acalma agora! Martin, pega a sua mulher, cara!"
Martin vai até ela e abraça a Beth; apertando-a forte. Beth aperta de volta; soluçando no peito do marido.
Professor Rhyies garante a Beth, "Relaxe, Sra. Lazinski, a Anna vai ficar bem. Confie em mim."
O professor se ajoelha no chão do carro ao lado da Anna, pega uma caneta com lanterna e aponta pra os olhos dela; notando que as pupilas dela ainda estão dilatadas. O professor então continua alternando a luz de um olho para o outro enquanto fala com a Anna de maneira suave.
"Anna, me escuta, Anna; é o Professor Rhyies. Tá tudo bem; você tá segura agora, Anna. Me escuta, Anna; tá tudo bem agora, Anna. Já passou, Anna. Você tá segura, Anna."
Enquanto ele continua movendo a luz pra lá e pra cá, Professor Rhyies observa as pupilas reagirem corretamente. Ele desliga a lanterna e continua conversando com ela.
"Anna, é o Professor Rhyies; você consegue me ouvir?" Ela balança a cabeça. "Já passou, Anna; você tá segura agora. Você entende?"
Ela balança a cabeça novamente, olhando para frente com um olhar vazio nos olhos e uma expressão em branco no rosto. "Anna, tá tudo bem agora. Nada vai te machucar, Anna. Você tá segura agora, Anna. Você entende o que eu tô dizendo?"
Anna balança a cabeça, mantendo o mesmo olhar. "Anna, me diz… o que foi; o que te assustou, Anna? Já passou, Anna; mas, o que foi que te assustou?"
Anna começa a tremer violentamente enquanto seus olhos se arregalam; então, ela estica o braço, apontando pro lado da casa, e começa a gritar, "O homem mau! O homem mau!"
Todo mundo se vira pra olhar; mas, não tem nada lá. O delegado puxa sua Beretta 9mm pra posição de prontidão e corre pra investigar.
O professor lembra ele, "Hum! Delegado; sua arma não vai te ajudar muito com um espírito."
O delegado responde, "É; bom, provavelmente também não vai machucar muito. Se for igual pra você, eu tô bem com as coisas do jeito que estão, obrigado." Ele continua contornando o lado, fora da vista dos outros.
Anna permanece no carro gritando repetidamente, "O homem mau! O homem mau! O homem mau!"