Capítulo 6: Por que ela ainda está aqui?
“Provavelmente por causa da Mary.”
“Acho que isso não importaria muito.”
“Como é que é?” Martin senta-se. “O fantasma de uma miúda assassinada não importa muito? Quem és tu; e onde está a minha esposa?”
Beth senta-se. “Não quero dizer, necessariamente, que não importa… claro que importa… uma vez que se está a viver aqui. Mas não sabíamos nada sobre esta casa ser assombrada antes de a comprar; então porque é que os agentes imobiliários nos venderam tão barato? Tem de haver mais do que isso.”
“Então o quê?”
“Não sei; mas vou descobrir.”
“E como é que vais fazer isso, Sra. Lazinski?” Martin chega e segura Beth.
“Tenho os meus recursos, Sr. Lazinski.” Beth coloca a cabeça no ombro de Martin.
“Importa-se de perguntar quais podem ser esses recursos?”
“Não; não me importo. Na verdade, estou à espera que a Trish me ligue de volta.”
“Entendo. E o que é que achas que a Trish pode descobrir?”
“Talvez nada. Talvez tudo. Ela está no mercado imobiliário… com contactos na área. Pedi-lhe que visse se conseguia descobrir alguma coisa sobre esta casa.”
“Hmmm. Muito esperto.”
“Obrigada; eu pensei assim.”
Beth senta-se direita, cruza os braços à frente do peito e fica quieta. Martin volta para o seu lado, olhando para Beth. Espera um minuto antes de perguntar…
“O que se passa?”
“Acho que a Anna está chateada comigo.”
“Ah, qual é; Anna, chateada contigo? Ah vá. Ela adora-te, Beth; porque é que ela estaria chateada contigo?”
“Eu disse-lhe que não queria que ela fosse ao celeiro brincar com a Mary, mais.”
Martin provoca: “Oh. Tens razão; ela vai odiar-te por muito tempo. Bem, pelo menos ela ainda gosta de mim.”
“Martin!”
Martin ri-se. Beth bate levemente no braço dele.
“Estou a falar a sério. Não tem graça.”
Esfregando o braço, a tentar conter o riso, “Desculpa, estava só a brincar contigo.”
“Bem, eu não estou; acho que ela está mesmo chateada. O que é que achas? Sou irracional ao pedir-lhe para não fazer isso?”
“Não sei.”
“Martin, por favor; estou a pedir a tua ajuda aqui.”
“Beth, desculpa; não estou a tentar não te ajudar… eu honestamente não sei. Olha, entendo como te sentes… também não gosto da ideia da nossa filha andar com fantasmas… mas, podemos mesmo impedir isso? Quero dizer; como é que se impede um fantasma de comunicar com alguém? Digamos que a Anna não vá ao celeiro… Mary esteve na casa antes; certo… o que a impede de vir aqui sempre que lhe apetece?”
Beth fica em silêncio por um momento antes de responder, “Não sei.”
“Exatamente. Não sabes; e eu também não sei.”
“Então, o que devemos fazer? E, por favor, não digas que não sabes.”
“Beth,” Martin coça a nuca, “vamos tentar colocar isto em perspetiva. Isto não é de todo uma situação típica… dizer que é estranho seria um grande exagero… mas, se pensares nisso… que mal há em deixar a Anna manter a Mary como amiga?”
“O quê?”
“Beth, querida, sei que parece assustador, mas afinal, Mary é apenas uma criança; pelo menos era, antes de… bem, já sabes.”
“Assassinada. Assassinada, Martin.”
Martin está a ficar desconfortável com a discussão. “Sim… isso.”
“Eu não gosto, Martin.”
“Eu disse que também não gostava da ideia, mas…”
“Não!” Beth interrompe Martin, “Eu realmente não gosto. Há algo de errado.”
“Errado? Além de ela ser um fantasma?”
“Martin, pensa nisso,” Beth levanta-se, vai para a janela e olha para o celeiro, “ela disse à Anna que costumava viver aqui; certo?”
“Certo.”
“E ela reorganizou tudo na cozinha da forma como a mãe dela tinha, porque sentia saudades dela; certo?”
“Ok.”
Ainda a olhar pela janela. “Anna disse que a Mary vive no celeiro.”
Martin levanta-se e junta-se a Beth na janela. “Tudo bem; o que se passa, Beth?”
“Martin, se esta era a casa deles; porque é que a Mary vive no celeiro? Porque é que ela não fica aqui em casa… no quarto dela?”
“Não sei. É isso que te está mesmo a incomodar?”
“Não, estou apenas curiosa sobre isso. Vou dizer-te o que me está mesmo a incomodar… Se todos eles foram mortos juntos naquela noite… e, se a Mary sente tanta falta da mãe… porque é que ela não foi com os pais? Porque é que ela ficou para trás?”