Capítulo 57 O Desaparecimento de Anna
A Anna tá nas escadas da varanda escovando o cabelo da Jean-Louise Wadell; de vez em quando conversando com ela. A Beth e a Cindy observam enquanto a Anna se comunica com a boneca dela.
A Beth sussurra, "Cindy; você acha que a Chelsea pode ser…"
A Cindy sussurra de volta, "Talvez."
"Então, o que a gente faz agora?"
"Eu não sei. O que você acha que a gente devia fazer?"
"Por que você tá me perguntando? Você não é a expert em paranormal aqui?"
"Na real, o Professor Rhyies é o expert em paranormal; eu sou só a pessoa de contato dele. Eu tô meio que improvisando isso conforme a gente vai indo." A Cindy cruza os braços e fica olhando pra baixo na varanda, enquanto uma leve carranca aparece no rosto dela.
A Beth coloca a mão em cima dos braços da Cindy e garante pra ela, "Bem, até agora você tem feito um ótimo trabalho em improvisar, Cindy; eu não acho que a gente teria chegado tão longe sem sua ajuda. Obrigada."
A Cindy levanta o olhar e sorri pra Beth. A Beth diz pra ela…
"Agora, vamos nessa e continuar essa parada de improvisar. O que você acha que a gente deveria fazer agora?"
A Cindy observa a Anna escovar o cabelo da boneca dela…depois, olha em direção ao celeiro…depois, de volta pra Anna. Ela pensa por um momento.
"Beth; você ou o Martin já entraram no celeiro alguma vez?"
"Eu sei que eu não entrei. Eu não acredito que o Martin entrou lá também."
A Cindy vai até o fim da varanda, se encosta no canto enquanto cruza os braços na frente do peito, e fica olhando pro celeiro. A Beth se levanta e vai até ela.
"O que foi, Cindy?"
"Até agora, a Anna é a única que realmente entrou dentro do celeiro; certo?"
"É…eu acho que sim. Por quê?"
"Quer tentar alguma coisa?"
A Beth sorri. "A gente vai improvisar isso; suponho?"
A Cindy sorri de volta. "Bata as asas."
"Claro; por que não."
"Me segue."
Enquanto elas descem as escadas da varanda, a Cindy faz a Anna se juntar a elas; e elas vão em direção ao celeiro. Lá, a Cindy tenta abrir as portas. Como sempre, ela não consegue. "Beth; quer tentar?"
"Ok." A Beth pega nas maçanetas e puxa com toda a força; mas, ela também não consegue abrir.
"Tudo bem, Anna; sua vez."
A Cindy observa pra ver se a teoria dela está correta; que é que as portas vão se abrir pra Anna…mas, elas não abrem. A Cindy fica momentaneamente perplexa; até que ela saca.
"Hmmm? Eu me pergunto. Anna, querida; você acha que poderia colocar a Jean-Louise Wadell de volta na varanda por alguns minutos?"
"Ok." A Anna vai colocar a boneca dela na varanda.
A Beth está curiosa. "O que é isso?"
A Cindy observa a Anna colocar a Jean-Louise Wadell na varanda e explica, "Se a gente estiver certa sobre o espírito da Chelsea estar na boneca da Anna, a Mary não vai deixar a Anna entrar; pelo menos, não com a Chelsea."
Quando a Anna volta, a Cindy faz ela tentar abrir as portas do celeiro de novo. Dessa vez elas abrem. A Cindy tenta entrar no celeiro; mas, as portas batem com força. Ela pede pra Anna abrir a porta de novo; dessa vez, instruindo ela a segurar aberta. A Anna abre a porta e fica em frente a ela.
A Cindy se vira pra Beth e diz, "Tudo bem, é agora; lá vou eu. Me deseja sorte."
"Espera aí; a Anna e eu não vamos entrar lá com você?"
"Não; eu tenho que fazer isso sozinha, Beth."
"Então, por que você pediu pra gente ir com você?"
"Pra ver se eu estava certa sobre a Anna ser a única capaz de abrir o celeiro. Beth; algo lá dentro não quer a gente lá dentro. Se você tentar entrar lá; não dá pra saber o que aconteceria com você."
"E, quanto a você? Não poderia tentar fazer algo com você também?"
"Eu tenho certeza que poderia; mas, esse é um risco que eu terei que correr. Eu tenho que entrar no celeiro, Beth; eu preciso sentir o que está acontecendo lá dentro…sentir o que aconteceu. Eu sei que você pode querer entrar lá também; mas, você não precisa…eu preciso. Não há necessidade de você correr o risco. Não se preocupe…" A Cindy faz uma pausa enquanto olha para dentro do celeiro, "Eu tenho certeza que vou ficar bem."
"Ok…só toma cuidado."
A Cindy para, olha pra baixo balançando a cabeça, e solta uma risada curta. "Oh, Deus."
A Beth pergunta, "O que foi?"
"Oh…nada. É só que da última vez que alguém me disse pra tomar cuidado; eu acabei sendo estrangulada." Ela sorri pra Beth.
A Beth sorri nervosamente de volta. "Desculpa."
A Cindy para na frente da Anna antes de entrar. "Me faz um favor, Anna; continua segurando a porta aberta pra mim, por favor." Ela dá um sorrisinho pra Anna.
A Anna sorri de volta. "Ok, Cindy; eu vou."
"Obrigada." A Cindy entra no celeiro.
Enquanto ela se aproxima do centro do celeiro, de repente fica extremamente escuro. A Cindy se vira e vê que a Anna sumiu; e as portas estão fechadas. A Cindy entra em pânico e corre para as portas; jogando-as abertas. Uma vez lá fora, a Cindy observa que agora é noite; e, chega à conclusão de que essa é outra imagem que ela deve ver. Ela fecha as portas e espera lá dentro.
A Cindy está parada no centro do celeiro escuro, quando ela sente uma mãozinha puxando a barra da blusa dela por trás. Ela pula e se vira, engasgando enquanto leva as duas mãos à boca. Olhando pra baixo, ela mal consegue distinguir a pequena figura sombria parada na frente dela. A Cindy respira fundo.
"Tommy?"
Uma lanterna acende; iluminando a loira ondulada, olhos castanhos, o rostinho de anjo de quatro anos.
A Cindy sussurra de novo, "Tommy?"
Primeiro o menino sorri; depois, levanta a mão, enquanto estende o dedo indicador, e coloca-o sobre os lábios franzidos enquanto solta um suave "Shhh". Depois, ele pega na mão da Cindy e a leva até um estábulo vazio; fechando o portão atrás deles. O Tommy pega na blusa da Cindy pelas laterais e começa a se agachar; puxando ela pra baixo com ele. Novamente; ele coloca o dedo na boca e indica pra Cindy ficar quieta.
Dentro de um minuto ou dois, a Cindy ouve a porta do celeiro abrir e fechar abruptamente. Ela levanta a cabeça pra espiar por cima do portão do estábulo. É a Mary. A Cindy observa a Mary correr pela escada pra se esconder no sótão; assim como ela descreveu pra Beth e pro professor.
A Cindy é puxada de volta pra baixo pelo Tommy. Pouco depois disso, o Tommy começa a levantar cada dedo individualmente em ordem; como se estivesse contando nas mãos dele. Na contagem de oito; o Tommy abre as mãos e coloca-as sobre os ouvidos.
De repente, há um estrondo trovejante ecoando por todo o celeiro quando o assassino chuta as portas do celeiro; e a Cindy ouve enquanto ele joga as coisas por aí violentamente. O coração dela começa a bater forte quando ela ouve o assassino começar a chutar os portões dos estábulos. Percebendo que ele estará no deles em questão de segundos, ela e o Tommy se encolhem no canto de trás do estábulo, agarrados um ao outro.
O portão se abre e o assassino olha pra dentro; mas, aparentemente não os vê. A Cindy relaxa quando percebe que isso vai ser um episódio residual…onde a imagem vai apenas ser reproduzida como um filme….e não um onde a interação estará acontecendo. A Cindy também chega à conclusão de que, como ele está interagindo com ela; o Tommy é quem está mostrando isso a ela. Mas por quê?
A Cindy sai do estábulo pra ter uma visão geral melhor do que está acontecendo. O Tommy a segue pra fora; agarrando-se à perna dela como qualquer criança assustada faria.
A Cindy observa o assassino começar a subir os degraus da escada. Ela sorri quando vê aquele fardo de feno cair voando e derrubar o assassino da escada; enviando-o caindo no chão. A Cindy observa com espanto enquanto a Mary faz seu salto extraordinário do sótão para as costas do assassino estirado; participando de um momento de prazer culpado e diversão enquanto ouve sua coluna vertebral rachar.
Portanto, o final. A Cindy observa a Mary pegar a pá próxima, pegando-a em suas mãos miúdas, e começar a socar o assassino na cabeça com ela. Ela sente o Tommy apertar a perna dela cada vez mais forte, enterrando a cabeça na coxa externa dela pra cobrir os olhos; enquanto ele solta um gemido a cada baque da pá contra o crânio do assassino.
Quando ela para, por pura exaustão; a Mary deixa cair a pá e sai correndo do celeiro. A Cindy e o Tommy ficam parados lá com o corpo ensanguentado e sem vida do assassino em série de Woodland Falls. A Cindy quer se aproximar, mas, o Tommy não deixa; lutando pra puxá-la pra trás.
Durante a briga deles, o então Delegado Roy Jameson entra no celeiro, apontando a lanterna para o corpo. A Cindy e o Tommy param de lutar, congelando onde estão; e, observam enquanto o delegado se aproxima do corpo. O Delegado Jameson se inclina sobre o assassino recentemente falecido e estende a mão pra remover a máscara de esqui.
O Tommy começa a gritar em um nível de decibéis ensurdecedor. A Cindy bate com as mãos nos ouvidos e cai de joelhos com a dor repentina e intensamente aguda. Então, tão rápido quanto a Cindy foi levada de volta àquela noite, ela olha pra cima e percebe que voltou ao presente.
O celeiro está iluminado pelo sol brilhando pelas fendas entre as tábuas; e a Anna ainda está segurando a porta aberta pra ela. A Cindy dá um sorriso pra ela; e, a Anna sorri de volta. Então acontece.
A porta do celeiro bate com força; empurrando a Anna pra dentro com a Cindy.
A Beth frenética corre e tenta abrir as portas do celeiro. Ela está puxando com tanta força, que corta o interior dos dedos logo antes que as maçanetas quebrem das portas. A Beth tropeça pra trás alguns metros; caindo no chão, de costas. Enquanto ela pula, a Beth observa horrorizada quando o celeiro desaba…com sua filha e a Cindy ainda lá dentro. A Beth grita enquanto corre para a estrutura caída.
"Anna! Anna! Não! Anna! Cindy!"
A Beth está lutando pra tirar os escombros do caminho dela, desesperadamente procurando pelas duas; quando o Xerife Faulkner encosta na entrada. Ele ouve a Beth gritando loucamente os nomes da Anna e da Cindy, e corre para trás.
"Beth, o que aconteceu?"
"Lloyd, ajuda! Anna! Cindy! Oh, Deus; elas estão lá dentro, Lloyd! Me ajuda, por favor!"
Os dois procuram veementemente pelos destroços, chamando pela Anna e pela Cindy. Então, eles ouvem a Cindy gritar pra eles; e o Xerife Faulkner manobra pelos escombros em direção à área onde ouviu o chamado abafado da Cindy. Quando ele chega perto dela, ele cuidadosamente a ajuda a sair de baixo de uma seção de vigas que estavam prendendo ela.
A Cindy está cortada e machucada, mas nada muito sério; principalmente, ela está apenas abalada. Quando ela se recompõe, ela se junta à Beth e ao xerife na busca pela Anna.
Duas horas se passam, e eles percorreram meticulosamente cada centímetro da estrutura desabada. A Anna não está em lugar nenhum.