Capítulo 52 Mentiras vs. Enganos
Hoje ela descobriu que a pessoa que fez amizade com ela quando elas se mudaram para a casa nova não é quem ela diz ser. O que a Anna ainda não percebeu é que essa pessoa pode muito bem ser a mesma assassina em série que tentou matar a garotinha que ela está fingindo ser.
Ela está se revirando na cama faz umas duas horas. A Anna está inquieta; sentindo que a Mary está por perto em algum lugar. A Anna já aceitou isso; e fica lá na cama esperando o inevitável.
Ela sente um frio repentino no quarto, a temperatura começa a cair; não muito… mas rápido. Refletindo sobre seus encontros passados; a Anna se pergunta por que ela não percebeu isso antes… aconteceu toda vez que ela veio vê-la. A Anna respira fundo, senta, olha para a porta fechada e chama nervosamente: “Olá, Mary.”
A Anna observa a aparição da Mary atravessar a porta. “Olá, Anna.”
Ela sente que algo está incomodando a Anna. A Mary anda lentamente pela sala, e quando chega à cama, senta na beirada do colchão e questiona a Anna.
“Faz um tempo, Anna; como você está?”
Ela responde timidamente: “Bem.”
“Bom.” A Mary pega a Jean-Louise Wadell da cama da Anna e começa a acariciar o cabelo dela. “Então; o que você tem feito, Anna?”
“Nada.”
“Nada, Anna?”
“Nada, Mary.”
“Ah.” A Mary continua a escovar o cabelo da boneca. Enquanto olha para a boneca, ela pergunta à Anna: “Então; o Xerife já te contou sobre a Jean-Louise Wadell, já?”
A Anna senta encostada na cabeceira, dobrando as pernas para enfiar os joelhos no peito enquanto envolve os braços ao redor deles; e, responde suavemente: “Não.”
A Mary sorri enquanto continua a acariciar o cabelo da boneca. “Ela foi morta quando tinha oito anos, Anna. O Xerife Faulkner foi designado para a investigação. Ele mentiu, sabe?”
“Mentiu?”
“Sim. Ele ajudou a condenar a mãe da garota; mesmo sabendo que foi a babá quem a matou. Você sabe o que aconteceu com a mãe da Jean-Louise, Anna?”
“Ela foi para a cadeia?”
“Por um tempo… até que a executaram por matar a filha. Mas… você disse que ela não matou a filha.”
“Ela não matou, Anna; mas eles a mataram por isso de qualquer maneira. E você sabe por quê, Anna?”
“Por quê?”
“Porque eles mentiram, Anna. Adultos mentem, Anna; lembre-se disso.”
A Anna fica em silêncio por um momento antes de responder: “E as crianças? As crianças também não mentem?”
A Mary sorri de novo. “Não. Crianças não mentem; elas inventam.”
“Qual a diferença?”
“Inventar é inventar. Mentiras machucam as pessoas, Anna. Você entende agora?”
A Anna percebe a observação condescendente da Mary e decide que a retribuição é necessária. “Claro, Mary; eu entendo. Então; fantasmas inventam… ou mentem… Mary?”
A Mary assume uma expressão estoica no rosto antes de sorrir maldosamente. “Bem, bem, bem… nós certamente somos filhas da nossa mãe; não somos? Estou meio magoada, Anna; você percebe que esta é a primeira vez que você se refere a mim como fantasma? Sinto que deveria ficar ofendida; mas eu não vou. Eu não vou levar para o lado pessoal… desta vez.” A Mary faz uma pausa antes de continuar. “Ah; e, só para constar… nós ‘fantasmas’ fazemos o que precisamos fazer. Mais alguma coisa que você queira saber, Anna?”
“Como você morreu, Mary?”
“Eu te disse, Anna; fui morta.”
“Como?”
A Mary sorri de novo. “Nossa; como somos a pequena assustadora desta noite? Tudo bem, Anna; lá vai…. Você conhece aquele celeiro onde brincamos… fui cortada em pedaços com um machado pelo homem mau.”
“Charles?”
A Mary faz uma cara de espanto. “O que você disse?”
“O homem mau; o nome dele era Charles, certo?”
“Sim, Anna; o nome dele era Charles. Então; como você sabia disso? Espere… deixe-me adivinhar… Cindy?”
A Anna pensa brevemente antes de responder de forma pouco convincente: “Sim.”
A Mary não acredita nela. “Agora, Anna; você não estaria mentindo para mim… estaria?”
“Nós, crianças, não mentimos, Mary; lembre-se… nós inventamos.”
“Isso não seria uma invenção, Anna; isso seria uma mentira. Mentiras machucam as pessoas, Anna… lembra? Tenha cuidado, Anna.”