Capítulo 58 A Crise de Cindy
Cindy tá sentada lá na varanda da frente. Ela tá com os joelhos encostados no peito, queixo apoiado nos joelhos; com os braços abraçando as pernas dobradas. Os olhos dela tão vermelhos e as bochechas encharcadas de tanto chorar nas últimas horas.
Quando o delegado e o professor voltam, eles veem os cortes e hematomas visíveis no corpo dela. Delegado Hopkins corre pra perto dela, se ajoelhando pra dar uma olhada melhor. "Meu Deus, Kiddo, o que aconteceu?"
Cindy tenta segurar os soluços enquanto conta pra ele: "Eu entrei no celeiro…Tommy tava lá…ele tava me mostrando a noite em que Mary matou o assassino…daí, o celeiro desabou e…"
O delegado fica puto. "Porra, Cindy! Depois do que rolou naquele celeiro na outra noite; você ainda foi lá! Você é idiota?"
Cindy começa a chorar, "Tio Mike, por favor…"
"Não! Não me vem com 'Tio Mike, por favor' porra nenhuma! Você tá fora daqui; ponto final! Eu sei que pedi pra você vir ajudar; mas, agora tô te mandando embora! Vou te levar de volta pra Boston de manhã!"
"Eu não posso…eu tenho que…"
"Você vai!"
"Eu não posso…"
"Você vai…"
Cindy pula e empurra o tio pra longe. "Cala a boca, caralho! Eu não vou porra nenhuma!"
Os dois ficam se encarando por um momento; daí, Cindy desaba e começa a chorar. Ela estende os braços pra abraçar o delegado; caindo nos braços dele. Ela afunda o rosto no peito dele, soluçando muito, enquanto se agarra nele; enterrando os dedos nas costas dos ombros dele. O tio dela a segura firme.
"Me desculpa, Tio Mike."
O delegado começa a balançá-la suavemente de um lado para o outro. "Eu também sinto muito, Kiddo."
"Eu não posso ir agora, Tio Mike; eu tenho que ficar…eu tenho que ajudar eles."
"Eu sei que você quer ajudar, Kiddo; mas, acho que entre Professor Rhyies, Xerife Lloyd Faulkner e eu, a gente consegue cuidar das coisas aqui de boa."
"Não, você não entende; eu tenho que ajudar, Tio Mike."
"Kiddo, olha…"
"Tio Mike; me escuta porra!" Cindy se afasta do tio e sai pisando duro uns três metros antes de se virar; esticando os braços pros lados enquanto fecha os punhos. "Anna sumiu!" Ela começa a chorar de novo.
"Como assim a Anna sumiu?"
"Ela desapareceu, Tio Mike."
Delegado Hopkins pergunta, com uma expressão de perplexidade no rosto, "Você quer dizer que ela tá sumida?"
"Não, Tio Mike; ela sumiu…desapareceu."
O professor tira os óculos pra limpar. "Mas; como, Ms. Lidestrom?"
"Anna tava segurando a porta aberta…pra mim…quando ela se fechou sozinha; empurrando ela pra dentro. Daí, o celeiro desabou. Xerife Lloyd Faulkner conseguiu me tirar de lá de baixo; daí, a gente passou umas horas procurando na pilha de novo e de novo…" Cindy começa a soluçar de novo, "mas, a gente não conseguiu achar ela; ela não tava lá."
Cindy cai no chão e se enrola numa posição fetal, cobrindo os olhos, o nariz e a boca com as mãos; chorando histericamente. O tio dela vai até ela; pegando nos dois braços dela, ele a levanta e começa a sacudi-la.
"Ei! Cindy! Cindy; sai dessa! Você tá me ouvindo? Sai dessa; porra!"
Cindy para de chorar imediatamente; mas, continua tensa, encarando o rosto do tio com os olhos e a boca bem abertos. Ele olha diretamente pra dentro dos olhos vermelhos, arregalados e cheios de lágrimas e começa a falar com ela numa voz calma e suave.
"Sai dessa, Kiddo. Isso não tá ajudando ninguém. Beth e Martin precisam da sua ajuda pra trazer a filha deles de volta. A gente precisa da sua ajuda pra resolver essa parada. Você tá me ouvindo, Kiddo? Você tá entendendo o que eu tô dizendo pra você?"
Cindy balança a cabeça em sinal de sim.
"Eles precisam de você, Cindy. Você tem que ajudar eles a trazer a filhinha deles de volta. Você é a única aqui que pode fazer isso por eles. Não é mesmo, Professor?"
O professor acabou de colocar os óculos de volta. "Você tá absolutamente certo, Delegado Hopkins; sua sobrinha é a única esperança deles. Ms. Lidestrom; precisamos que você se mantenha calma e nos ajude a passar por essa situação trágica. Você vai nos ajudar, não vai?"
Cindy enxuga as lágrimas do rosto, respira fundo umas duas vezes e diz pra eles: "Sim…eu vou ajudar vocês…eu vou ajudar eles."
"Claro que vai, Kiddo. Você é a única aqui capaz de fazer isso." O delegado sorri encorajadoramente pra sobrinha dele; que por sua vez responde com um meio sorriso. O delegado olha pro relógio. "Então tá decidido. Professor, por que você não leva a Cindy pra dentro; e eu volto mais tarde pra dar uma checada nas coisas?"
"Onde você vai, Tio Mike?"
"Hoje é quarta, né?"
"É."
"Então, eu vou dar uma passada no Feather Horse Inn lá no Condado de Broward. Devo estar de volta em uma hora, mais ou menos; só preciso pegar uma parada lá."
"Pegar uma parada agora, Tio Mike?"
"Ah, é…Já volto logo."
"Com licença, Delegado;" Professor Rhyies pergunta, "você quer que eu espere você voltar antes de discutir o que descobrimos com o Xerife; ou o quê? O que eu digo pra ele?"
"Só fala pro Lloyd deixar a limonada pronta pra quando eu voltar."
O delegado entra no carro da polícia e sai cantando pneu.